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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 120
12 notícias

Noticia da corte

Loulé · Portugal Geral

O sr. duque de Loulé declarou no parlamento que s. m. a rainha entrára no terceiro mez da sua gravidez. Foram nomeadas deputações para felicitarem el-rei por tão fausto acontecimento.

Adoração da Cruz

ReligiãoSociedade e vida quotidianaFalecimentosProcissõesVisitas pastorais
Igreja

Celebrou-se com toda a pompa, na sé, esta ceremonia; pelas duas horas sahiu a procissão d’enterro; assistiram a esta solemnidade o exm.º bispo desta diocese, muitas senhoras e cavalheiros desta cidade. Ao recolher da procissão orou o revd.º Alexandre Ramos Cid; a sua oração comoveu bastante.

Procissão

Economia e comércioReligiãoSociedade e vida quotidianaFalecimentosFeirasIrmandades e confrariasProcissões
Beja · Portugal Igreja

Na sexta feira á noite sahiu d’ igreja do Salvador e recolheu á igreja de N. S. do Pé da Cruz a procissão d’enterro. Esta procissão é feita a expensas da irmandade do Pé da Cruz, e é uma d’aquellas porque o povo de Beja tem mais devoção. O préstito era numeroso, e guardava o mais profundo silencio. Fechava-o uma força d’infanteria n.º 17.

Filho perdido

Justiça e ordem públicaPreçosSociedade e vida quotidianaCrimesPobres e esmolas
Garvão · Portugal Interpretacção incerta

Em casa de um homem da freguezia de Momique estava a servir um rapazinho que desappareceu ha mais de um mez e que o pai tem buscado debalde por toda a parte. É de Garvão, tem doze annos, rosto redondo, cabello castanho, com uma malha preta na cabeça e uns signaes vermelhos no rosto, tarda-lhe um pouco a falla; chama-se José. Se alguém desse noticia d’este, praticava uma acção virtuosa dando parte a esta redacção que o faria constar immediatamente ao pae. O amo não deu nenhuns esclarecimentos e chamado á presença da authoridade pedio um praso, do qual se approveitou para acabar de vender o que tinha e fugir, disse que para Sines, com uma amiga. É’ esta circunstancia que faz que tal procedimento não prove crime, visto que vivendo elle mal com a mulher bem podia vender o que tinha e fugir só para viver mais desembaraçadamente com a amiga. Isto é o que o pobre pae nos conta, mas se a administração ou a justiça d’aquella localidade nos quizesse informar, merecia a pena, porque uma vida é sempre preciosa e um filho seja de quem for é sempre querido e custa muito a criar.

Louvores merecidos

Educacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasEscolasGoverno civilInstrução pública
Lisboa · Portugal Governo Civil

Do Diário de Lisboa do 1.º do corrente trasladamos com todo o gosto a seguinte portaria, em que sua magestade manda louvar em seu real nome a nossa distincta colloboradora a exm.ª sr.ª Canuto. PORTARIA. Sua magestade el-rei, a quem foi presente o officio de 18 do corrente mez, em que o commissario dos estudos de Lisboa dá conta dos serviços prestados pela mestra de meninas na freguezia das Mercês d’aquella cidade, Maria José da Silva Canuto, já no exercício da escola publica a seu cargo, já na regencia da aula nocturna, instituída pela sociedade denominada «gremio popular»: ha por bem mandar ao governador civil do districto de Lisboa que louve em seu real nome a mencionada mestra, pela distincção, acerto e aproveitamento com que dirige o ensino e educação das creanças que frequentam a sua escola; e bem assim pela boa vontade, dedicação e zelo com que se emprega na regencia gratuita da aula nocturna, mantida pela referida sociedade para a instrucção das classes populares. Paço, em 27 de março de 1863.—Anselmo José Braamcamp.

Prorogação de cortes

Política e administracção do EstadoDecretos e portarias

Leu-se em ambas as casas do parlamento o decreto pelo qual sua magestade houve por bem prorogar as sessões até 20 de maio.

Commercio de Lisboa

Cultura e espectáculoEconomia e comércioComércio localLivros e publicações
Lisboa · Portugal

Recebemos este bello jornal que se começou a publicar em Lisboa. Agradecemos aos nossos collegas a defferencia que tiveram comnosco trocando com a nossa folha.

Educacção e instruçãoReligiãoProfessores
Interpretacção incerta

Parece mentira!—Saberá o amavel leitor que o sr. Romão tem um cavallo com privilegio de gato!! — Que carapetão! um cavallo-galo ha de ter que ter! Pois bem, escute, lá vai a historia: Estava, ha dias, a sr.ª Maria das Dores, com a cabeça recostada á mão muito descançadinho, e o sr. José Barnardo, com aquelle sorriso angelico, limpava os dedos gordurentos a uma rodilha de pano cru. — Credo! anjo bento! tremor de terra! mi.. mi.. misericórdia! grilou a sr.ª Maria das Dores pallida como um cadaver, desvairada, com os cabellos erriçados, os olhos chamejantes, a boca aberta!.. — Acudam! acudam! gritava o sr. J. Bernardo, que pegando em seguida n’um pão de castanho, cospe nas mãos, cheira uma pilada, lambe os dedos, assoa-se, escarra, dá uma pancada na testa, e eil-o ahi vai a correr pelas casas fora!.. Chega ao quarto, vê um animalejnho deitado como se estivesse em sua casa! poz a tranca no chão, e.... fugiu! — Mas o que foi causa de tanto alarme? — O que foi? foi o cavallo do sr. Romão que entrou pelo telhado!! Muito rimos! As pessoas mais illustradas de Ferreira, como caixeiros, bacharéis, estudantes, litteratos, logistas, poetas, professores, escrivães, empregados, e desempregados, padrecas, sachristães, etc. etc. etc. aconselharam ao dono do cavallo, que lhe mandasse fazer umas fitas de papelão, a ver se temos cá na terra um novo pegaso. Parece que os deputados da maioria vão brevemente tratar desta matéria! Kytograma.

Melhoramentos municipaes

Cultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaCaminho de ferroConcertosEstacçõesEstradasEstradas e calçadasFontes e chafarizesImpostos e finançasObras de infraestruturaPrisões
Aljustrel · Portugal

Dizem-nos de Aljustrel: «No orçamento municipal deste concelho, fui incluída uma verba para melhoramentos municipaes: a camara, pois, trata de applical-a no concerto de estradas vicinaes e tenciona melhorar as condições da fonte da Romeira. O município tem peucos rendimentos e muitas despesas, e os seus interesses foram pouco attendidos porque em muitos annus ha um dos mais sobrecarregados com a quota dos expostos. Como bem o demonstrou o Bejense; com tudo não deve conservar-se estacionário e deixar de fazer o pouco que póde. Á camara compete proseguir no caminho encetado, e não deixar de melhorar também, na primeira occasião, as condições da cadeia publica.» F.

Epitaphio

Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localAchados funerários
Lisboa · Loulé · Portugal Interpretacção incerta

Dizem-nos de Lisboa, que na Boa Vista, no sitio onde a camara manda enterrar os animaes, apparecera o seguinte: EPITAPHIO. O gênio de Portugal Veio a esta sepultura P’ra lavrar em pedra dura Um epitaphio immortal Por lhe parecer muito mal Que ministério rasgado Sem sígnal fosse encovada Gravou: É vontade minha Que o governo Loulé-farinha Seja assim commemorado.

Últimas palavras d’alguns homens celebres

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaMovimentos de tropasPobres e esmolas
Washington · Estados Unidos · Reino Unido Exterior / internacional

Acabou-se a comedia.—Augusto. É’ esta a vossa fidelidade?—Neron. Estes frades! Estes frades! Estes frades!—Henrique 5.º Entre tuas mãos, Senhor, ponho a minha alma.—Tasso. Todo o meu reino dou por um minuto mais.—Isabel rainha d’Inglaterra. Em minhas mãos não ha sangue.—Frederico 5.º A morto, não é mais que isto?—Jorge 4.º Deixai-me ouvir mais uma vez esses sons que por tanto tempo tem sido a minha consolação e alegria.—Mozart. Estou salvo.—Cromwel. Deus vos bem diga minha amiga.—O doutor Johnson. Que! o inimigo foge?—morro satisfeito.—O general Wolf. Põe-te sério.—Grocio. A artéria já não bate.—Haller. Todos vamos para o ceo, e Wan-Dick vem comnosco.—O pintor Gainsborough. Dá uma cadeira a Dayndles.—Chesterfielo. Está bem.—Washington. Deixem-me morrer ao som da musica.—Mirabeau. Não deixes sem comer, o pobre Kelly—Carlos 2.º de Inglaterra. Liberdade para todos.—Adams. Sempre melhor, sempre mais tranquilo.—Schiler. Amo a Deus, meu pai e a liberdade.—Mad. Stael. Cabeça do exercito.—Napoleão. Chegou o momento de dormir.—Byron. Aperta-me a mão, meu amigo, que morro.—Alfieri. Sinto-me como se nada tivera passado.—Walter Scott. Deixai entrar a luz.—Goethe. Está perfeitamente.—Wielington. Tornaremos a ver-nos—Lammenais.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo alqueire, 750 a 800 reis. Cevada branca, 500 a 540. Farinha, 740 a 860. Sal, 180. Feijão, 800. Aguardente almude, 3$000 a 3$200. Vinho, 1$100 a 1$200. Azeite, 2$900 a 3$000. Vinagre, 900 a 1$200.