A Voz do Povo transcreveu o nosso artigo Acontecimentos na Europa precedendo-o de algumas palavras bastante lisonjeiras para o Bejense. Agradecemos.
Foi transferido para Benavente, o conservador da comarca de Moura, e o de Benavente para Moura.
Foram abolidas as secretarias dos quarteis generaes de brigada.
Foi demettido o administrador substituto do Seixal.
Foi demettido um aspirante da alfandega de Lisboa, que servia em Braga.
Foi demettido o vigario geral do bispado de Portalegre.
Foi demettido o commissario da primeira divisão policial de Lisboa.
A força do 12 insubordinou
se contra o seu capitão, o sr. Carlos Gomes Pereira, quando na tarde do dia 30 do mez passado regressava do exercício. Attribue-se este deploravel acontecimento ao rigor da disciplina d’aquelle official e aos amiudados exercícios que fazia o destacamento, ordenados, como é sabido, por uma das ultimas ordens do exercito. Os soldados revoltados soltaram morras contra o capitão e 22 de entre elles, armados e equipados, tomaram o caminho da Guarda, com o fim de se apresentarem no quartel do seu regimento. O sr. commandante interino de infanteria 12, recebeu um telegramma participando o facto, e ordenou que os srs. capitão Ribeiro e tenente Franco marchassem immediatamente ao encontro dos revoltosos e os fizessem retrogradar. Felizmente estes officiaes conseguiram entrar na ordem os 22 soldados e o conflicto terminou assim, sem mais deploraveis consequências. O sr. general da divisão ordenou que o sr. major Cruz, de infanteria 9, fosse inquirir do acontecido.
CARTA DO PORTO
2 de outubro de 1879. Charo redactor. — No ultimo numero do Bejense, compulsando a revista «Acontecimentos na Europa» deparei com um protesto em que o seu auctor, na qualidade de filho da peninsula, se revolta contra a idéa da unificação de Hespanha e Portugal debaixo da dominação monarchica e diz que a Portugal só pode convir a republica federal iberica: ao acabar de lêr se estivesse presente o auctor com certeza lhe teria dado um aperto de mão, effectivamente é assim e seria absurda a união, debaixo d’um sceptro despótico. As nações da Europa só poderão ser felizes quando á imitação dos Estados Unidos da America houverem Estados Unidos Europeus e quando os cargos governativos forem occupados por homens que com afan e desinteressadamente cuidem da libertação politica e social dos povos. A republica federal é muito melhor que a unitaria; eu entendo assim apezar de estar filiado n’uma aggrupação politica que differe muito dos codigos republicanos. Com respeito ao escandalo á porta da casa do centro regenerador tenho a dizer que houve tumultos e imprudencias d’ambas as partes, ainda assim os progressistas tiveram a maior culpa porque vieram procurar os regeneradores quando elles sabiam de exercer um direito constitucional — o de reunião; — o antigo serralheiro e actual caudilho progressista Sentieiro foi preso por ser o cabeça de motim (segundo dizem). Foi uma brincadeira indigna de gente que se apregoa com moralidade e delicadeza. Publicou-se um novo jornal n’esta cidade: é Litterario e denomina-se «O Melro»; cada numero tem 16 paginas de impressão. Appareceu tambem um periódico destinado aos theatros; intitula-se «O Entre-Acto». Por Villa Nova de Gaia propõe o centro regenerador o ex-administrador d’aquelle concelho, Castro Portugal, e os progressistas, o Barão das Devesas; quasi que se pode assegurar a victoria para o governamental porque o candidato opposicionista tem é verdade muitas sympathias mas é maior o numero de inimigos e por isso de antipathias. O partido regenerador tropeça com muitas difficuldades na escolha de candidatos pelos dous circulos que faltam; faz-nos crer que lhe falta o animo! No dia 28 de setembro pelas 4 horas da tarde reuniu-se um crescido numero de eleitores do circulo de Cedofeita, no Salão do Bom Successo, da mesma freguezia, a convite do centro eleitoral operario socialista; a mesa esteve assim composta: João Maria Pinna, presidente; José da Silva Lino, e M. Cruz, secretarios. A reunião correu na melhor ordem e terminou pelas 6 e 1/2 da tarde. Os operarios de Castello Branco constituiram uma agrupação socialista e apresentam já candidato nas proximas eleições; não sei ainda quem é, logo que saiba participarei. De todas as partes chegam noticias de agitações em favor do socialismo, da idéa nova que tam calumniada tem sido por aquelles que não a comprehendem; os operarios vão reconhecendo que vivem em escravidão ignominiosa e pretendem com justissimo motivo, libertar-se; animo que a lucta é sagrada! Quando esta correspondência fôr publicada estará proximo o momento supremo, em que os portuguezes devem escolher os seus representantes no seio do parlamento; oxalá que a escolha seja feita livremente, sem a imposição tyrannica da auctoridade e que recaia em individuos que olhem pelo verdadeiro prisma as miserias do proletariado. Não será porem assim e a julgar pela montagem da machina teremos um perfeito conclave nas salas do palacio de S. Bento, tal é o grande numero de ecclesiasticos que o actual governo propõe; candidatos reaccionarios appoiados por um ministério que se diz liberal mas que o não é em vista disto. Os eleitores que se não deixem corromper e que votem obedecendo aos dictames da consciencia que em taes momentos precisa ser bem consultada. A’ urna livremente, com consciencia do acto de responsabilidade que se vae praticar. Bessa Carvalho.
Falleceu quarta feira, o sr. Bruno Anastacio Coelho de Magalhães, tenente do 17 de infanteria e sobrinho do grande orador José Estevão. Ao sahimento fúnebre assistiram alem da força militar que prestou as devidas honras ao fallecido, os srs. coronel e officiaes do regimento 17, governador civil, juiz de direito, delegado do procurador regio, administrador do concelho, delegado do thesouro, presidente da camara, thesoureiro pagador, commissario de policia etc. etc. A’s bordas do caixão pegaram os srs. governador civil, delegado do thesouro, presidente da camara e administrador do concelho. A chave levava-a o sr. coronel.
Terminou a syndicancia á repartição de fazenda d’esta comarca e, entre muitas outras coisas, ficou apurado que os impressos eram subtrahidos d’aquella repartição.
A quem fôr de competencia recommendâmos o bom aceio em que se encontram algumas ruas da cidade, que mais se parecem com uma estrumeira do que com uma via publica que deve estar limpa de toda e qualquer immundicie.
Foi nomeado escrivão interino da camara de Aljustrel o sr. José Manoel de Oliveira.
A camara pagou terça feira os salarios de setembro ás amas dos expostos.
Recebemos e muito agradecemos da casa Chardron do Porto, as Vesperas, poesias dispersas de Thomaz Ribeiro e a Propriedade litteraria, carta a sua magestade o imperador do Brazil, por M. Pinheiro Chagas.
Recebemos a caderneta n.º 39 dos Padres e Beatos e a 8.ª dos Conspiradores.
Domingo festejou
se na sua ermida a 2 kilometros e meio desta cidade, Nossa Senhora das Neves. Na vespera houve fogo preso e tocou a banda de infanteria 17.
E’ má a producção de bolota.
Carta de um militar á sua casa
A disciplina que tenho observado tem contido a bravura de alguns dos membros da tua familia contra nós; mas quando fôr necessario que eu empregue a minha coragem os nossos inimigos não tirarão a melhor. Ainda assim é indispensavel estares alerta contra qualquer surpresa, e para esse fim cumpre fechar e mesmo barricar a porta do teu aposento fazendo d’elle um baluarte, e crê que quando fôr tempo de offerecer batalha ou que venham de assalto será certa a nossa victoria. Até lá só te ordeno a maior vigilancia. O teu Valete.
Está soalhado o primeiro andar dos paços do concelho, assente no rez de chaussée, o vigamento para receber o soalho e este pregado já em quatro sallas.
Acabamos de receber os 2 primeiros volumes dos romances da collecção Pedro Correia, que tem por titulo As mil e uma noites parisienses. Reconhecidos agradecemos e recommendâmos a obra.
Recebemos e agradecemos o n.º 2 da Aurora, excellente revista de litteratura, que se publica em Lisboa. Enviámos o Bejense em troca e desejámos ao collega prosperidades.
Sob o commando do sr. capitão Valente, partiu sabbado para Portalegre, um destacamento de 60 e tantas praças do regimento 17 de infanteria.
Recebemos o Supplemento, folha diaria que começou a publicar-se em Lisboa e que defende as idéas republicanas. Agradecemos e desejámos ao collega longa vida.
O caminho de ferro de sueste rendeu na semana finda em 9 de setembro 10:344$980 reis.
Memoria sobre a historia e administração do município de Setubal, por Alberto Pimentel. Afim de tornar tão copiosa quanto possivel esta Memoria, diz o sr. Alberto Pimentel no prologo, a camara municipal de Setubal adquiriu varios documentos e noticias desde longos annos recolhidos, com louvavel patriotismo, por um escriptor tão modesto como consciencioso, o sr. Manoel Maria Portella. Os subsidios colligidos pelo sr. Portella e não espoliados por toda a obra. E’ um conjuncto de noticias e documentos historicos qual d’elles o mais importante e curioso. Da melhor boa vontade possivel recommendâmos aos nossos leitores esta obra, se bem reconheçamos que ella não necessita de recommendação. Vende-se nas livrarias pelo preço de 1$000 reis. A’ vereação de Setubal altamente penhorados agradecemos o exemplar com que nos distinguiu e honrou.
Codigo do Processo Eleitoral por Joaquim d’Almeida da Cunha, bacharel formado em direito. Acha-se publicada e á venda nas principaes livrarias e na do editor, o sr. José Correia d’Almeida Junior, proprietario da Livraria Popular, Coimbra, a 2.ª edição desta obra que vem correcta e muito augmentada com os decretos de 27 de junho e 10 de julho de 1878 e 2 de setembro de 1876, e portarias publicadas sobre o assumpto depois de vigorar ao nova lei eleitoral e o codigo administrativo. O livro divide-se em tres partes. — Das eleições de deputados. — Das eleições de corpos administrativos e dos juizes de paz. — Modelos para eleições de deputados — para eleições districtaes — para eleições de juizes de paz e juntas de parochia. O livro que é por todas as razões altamente indispensavel custa apenas 600 reis e pelo correio 625 reis. Por tão diminuta quantia quem deixará de querer estar, para todos os effeitos, ao facto do processo eleitoral? Recommendâmos o livro e agradecemos o exemplar, com que o sr. Correia nos obsequiou.
Vae publicar
se um novo methodo de leitura devido ao estudo do sr. Branco Rodrigues. Intitula-se Ens no Simultaneo de Leitura e de escripta e é editado pela acreditada casa de David Corazzi.
Distribuiu
se o numero 18 do excellente periodico A Moda Illustrada. Vem esplendido.
Maravilhas da Creação. Está publicada a folha 25 d’esta util e instructiva obra. Assigna-se na rua do Ouro, 248, Lisboa.
Correspondencias
Lisboa, 29 de setembro de 1879. (Continuado do n.º antecedente.) Julgou o anonymo rebaixar-nos dizendo que somos particular amigo do sr. Teixeira, escrivão da administração, mas enganou-se completamente. Temos como subida honra contar em o numero dos nossos amigos, aquelle digno empregado, que servindo, ha perto de trinta annos, com administradores de differentes parcialidades politicas, tem, pela sua inexcedivel honradez e lealdade, e pelo exacto e escrupuloso cumprimento dos seus deveres, encontrado sempre em cada um d’elles um verdadeiro e dedicado amigo. Para o anonymo pode ter o defeito de não frequentar as tabernas, nem o de se envolver em mexericos proprios de quem não tem que fazer; mas são esses defeitos um titulo mais que o recommenda á consideração dos homens de bem. O anonymo apresenta-o como despota, mas esqueceu-se de nos dizer qual é a auctoridade que elle exerce para praticar despotismos... Falla em seguida o anonymo de um emprazamento que diz nos foi feito pelo director do correio, para até 13 do corrente publicar n’este jornal os documentos a que nos haviamos referido em a nossa primeira correspondencia. Não temos conhecimento d’esse emprazamento, que prova a inépcia de quem o fez, e se o seu auctor tinha verdadeiro desejo de resposta, deveria ter-nos enviado o respectivo numero do jornal, de que então ainda não eramos assignante; e a vista d’elle fallaríamos. Por agora só podemos dizer-lhe que, quando nos referimos aos documentos, affirmámos que só nos serviriamos d’elles quando julgássemos necessario e conveniente, e por emquanto ainda não vemos nem essa necessidade, nem essa conveniencia, cujo conhecimento o director do correio assim se foi arrogando incompetentemente. Já vê o anonymo que a insinuação que fez de que esses documentos se estavam preparando agora é simplesmente torpe, e mostra o de quanto seria capaz, se tivesse á sua disposição os archivos publicos. E’ de uma pessoa desatar á gargalhada ao considerar aquella allusão ao facto de os papeis d’aquella repartição andarem por diversos caminhos e por isso não serem escripturados [ilegível]. Previa o anonymo a scena a que tenderia o assumpto e quiz accreditar á sua certeza do facto, como se elle fosse [ilegível]. Tivesse havido ordem e methodo n’aquella repartição, como era de esperar, não estariam impressos e papeis por caminhos clandestinos e por grandes [ilegível]. Teve a sua devida resposta. M. J. Rodrigues de Figueiredo.
Correspondencias
Aljustrel, 29 de setembro. (Continuado do n.º antecedente.) 3.º Se ainda tem foguetes debaixo do balcão em que tem a correspondencia. E chega isto a servir de accusação! Quem vem accusar um empregado d’esta fórma, faz o seu elogio. Pois já lá não tem foguetes não senhor, e o sr. Lourenço de Carvalho que tambem viu este negro ponto accusatorio, tambem lhe deu o valor que elle tem em si, deixando-o á mercê do tempo, que hade ser o julgador d’este pleito entre nós, amigo Figueiredo. 4.º Se pratica repetidas vezes o abuso de só abrir á noute a mala vinda de manhã de Messejana. A mala não chega de manhã de Messejana, já se lhe disse e nós não somos remego de repetições; a sua abertura tem sempre logar desde que alguem no correio procura correspondencia. 5.º Se para arranjar testemunhas ainda costuma proceder como procedeu com o seu amigo intimo no monte da Minhotinha e tudo o mais que constar das queixas dadas contra aquelle unico empregado honrado. E’ por este ultimo ponto que nós dizemos que tudo quanto se tem dito com respeito a Antonio Joaquim é de collaboração entre o sr. padre Cardote, Figueiredo e mais bucia. Se entre vós houvesse isso a que chamam vergonha, nunca formuláveis um ponto de accusação como este; e ainda mais, se entre vós houvesse a critica precisa e a logica indispensavel a todos os actos da nossa vida, um articulado destes, nunca devia não só ver a luz publica, mas existir, até na vossa mente, porque elle é a nossa defeza e a vossa condemnação. Ouvi já que o quereis. O caso da Minhotinha é todo elle contrario ao sr. Cardote. Este sr. foi n’este jornal accusado de faltar aos seus deveres como parocho negando-se a principio a sacramentar um doente ali residente, fazendo-o mais tarde é verdade, mas d’uma maneira indecorosa e infame. Não sabemos se Antonio Joaquim ali foi, mas se assim é, estava no seu direito: o que provou é que sabe ser um inimigo leal, que toma inteira [ilegível].
Occorrencias Policiaes (S. S.)
Dia 4 — Nada. Dia 5 — Por espancar uma mulher na estação do caminho do ferro, foi mandado apresentar ao ex.mo juiz de direito um individuo e por desordem e ferimentos, outro. Dia 6 — Nada. Dia 7 — Por embriaguez estiveram detidos na esquadra dois individuos. Dia 8 a 10 — Nada.