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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 91
16 notícias

A futura rainha

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaAssociaçõesBeneficênciaComércio localNeve
Porto · Turim · Itália · Portugal · Sabóia Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Como devem ser agradáveis aos nossos leitores as informações e noticias da futura Rainha dos portuguezes, transcrevemos por isso um trecho d’uma carta recentemente escripta de Turim para esta cidade, por pessoa que conhece a sympathica Princeza, e com ella fallou n’aquella corte. A missiva a que nos referimos é da illustre condessa Mor[ilegível], que tão dedicada se tem mostrado á liberdade de Italia e pela familia real de Saboya, e cujo voto e apreciações temos por competentíssimas. Eis a traducção geral do trecho da carta que nos confiaram: “Sim, vi a vossa futura Rainha, e examinei-a com a attenção e interesse. Ella é com effeito uma encantadora creatura: alta, delicada, esbelta e galante; a sua figura é ao mesmo tempo engraçada e distincta. A alvura do seu rosto não é como as frias neves do norte, é um branco rosado, que tanto realça as phisionomias do meio-dia. Cabellos magníficos, bellos olhos, nariz regular, sorriso agradavel e doce. Veste-se primorosamente. E sendo tão nova, que bem póde chamar-se uma creança, tem toda a apparencia e garbo d’uma dama completa. Dizem que é um anjo de bondade; e bem o parece. É sem contradicção a flor da familia de Saboya. Deu-vos Deus uma feliz sorte, minha querida e joven Rainha! Ella pediu para continuar com as suas lições até ao instante da partida; e estuda com preferencia a língua portugueza. Ella tem a condescendência de se sujeitar a que lhe tirem differentes retratos, de todas as especies. Ella quer deixar em boa ordem todas as associações de caridade, de que era presidenta ou directora. Faz tudo isto; e só em outubro completará os seus 15 annos. Accrescenta-se ao que fica dito um ar de modéstia e candura, que assimilha ao lirio e á rosa: e póde concluir-se que adorada e respeitada por todos, fará por certo a ventura do esposo, e as delicias de Portugal.” Commercio do Porto.

A partida da esquadrilha

Cultura e espectáculoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAssociaçõesCasamentosCulto e cerimóniasFestas religiosasLivros e publicaçõesMovimentos de tropasNavegacçãoPartidasTeatro
Lisboa · Loulé · Portugal · Rússia · Sabóia Exterior / internacional

Eram 10 horas da manhã, e um grande numero de cavalheiros chegava ao arsenal da marinha para dar as ultimas despedidas á luzida comitiva que ia partir para Turin, para acompanhar d’ali a Portugal a futura rainha dos portuguezes, a sr.ª D. Maria Pia de Saboya. Pelas 10 horas e um quarto estavamos a bordo do navio almirante (corveta Bartholomeu Dias). Ás 10 e meia assistíamos á missa da guarnição. O convéz do bello navio de guerra estava literalmente cheio. Ministros de estado, pares do reino, officiaes de terra, um luzido numero de officiaes de marinha, jornalistas, muitos particulares de differentes ordens da sociedade, a comitiva expedicionaria, e a guarnição do navio attestavam a grandeza das coisas da terra, quando, apresentando-se o symbolo da Divindade, tudo se prostrou humillissimamente. Ha muito tempo que não assistimos a um acto religioso, que tanto nos commovesse, como a missa a bordo da Bartholomeu Dias! A musica da armada tocava peças apropriadas, que mais excitavam o nosso sentimento religioso. Ali, aonde estavam misturadas todas as cathegorias, mas aonde preponderava a parte mais culta, elevada e preponderante da sociedade portugueza, poderia o philosopho estudar o caracter d’este povo, essencialmente bom, pio e religioso! Durante a ceremonia, o sepulchral silencio, e o mais profundo respeito! Concluída a missa, demos as nossas despedidas de “boa viagem” á comitiva presidida pelo sr. marquez de Loulé, e voltámos para Lisboa. Passamos em revista as coisas do Bartholomeu Dias: A camara destinada á esposa do nosso monarcha estava arranjada com riquesa, e bom gosto. Não tivemos tempo para tomar os necessários apontamentos; mas podemos asseverar que o Bartholomeu Dias está com um aceio que cremos não excedivel, e em um optimo arranjo. A guarnição do leito da nossa futura rainha fazia um excellente effeito. A esquadrilha fez-se á vela pelas 11 horas da manhã. Deus traga a salvamento a fiel companheira do nosso monarcha, a rainha dos portuguezes! A bordo dos navios da esquadrilha foram as pessoas commissionadas para assistirem ao ceremonial do casamento da illustre princeza italiana, e conduzila depois a Portugal, e cinco italianos, e um addido da embaixada de Turin, por pedido especial do sr. conde de La Minerva. Houve mais de 500 pedidos, que não foram, nem podiam ser attendidos. Os srs. conde de La Minerva, e embaixador da Rússia fizeram os seus cumprimentos de despedida á comitiva, nas escadas do arsenal da marinha. O sr. general de divisão, conde de Santa Maria, chegou quando nós tínhamos desembarcado, certamente (como pensamos) por inconveniente invencivel. A esquadrilha vai a Gênova, com escala por Gibraltar, onde tomará práticos, e conta-se estará de volta a Portugal de 6 a 10 de outubro. A nossa futura rainha virá de Turin directamente a Portugal. El-rei o sr. D. Luiz visitou a esquadrilha no sabbado ultimo, mostrou-se mui satisfeito do estado em que estão postos os navios e do aceio irreprehensivel da tripulação, e, demorando-se em examinar a camara que deve receber sua futura consorte, apreciou a riquesa, conforto e bom gosto que ali reinam. (Doze de Agosto.)

Caminho de ferro

Meteorologia e fenómenos naturaisSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroMédicos e cirurgiõesSecas
Caminho de ferro

Chegaram a esta cidade os engenheiros da companhia do caminho de ferro do sul, que estão procedendo a medições. Dizem-nos que brevemente começarão as expropriações e os trabalhos desta secção.

Consumo de carne

Economia e comércioMunicípio e administracção local
Câmara Municipal

Consumiram-se nos talhos desta cidade no mez d’agosto proximo passado 8:526 kil. de carne que produziram de direitos para a camara municipal 121$234 reis.

Novo imposto

Economia e comércioMunicípio e administracção localAgriculturaarremataçõesImpostos comerciaisImpostos e finanças
Câmara Municipal

O novo imposto creado pela camara municipal, de 5 reis em cada quartilho de vinho, foi arrematado em todo o concelho por 720$000 reis.

Ainda outra vez

Cultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosLivros e publicaçõesPreços e mercados

No n.º 87 d’este jornal pedimos providencias contra o facto dos atravessadores comprarem na praça fructa e hortaliça logo pela manhã, não achando o povo depois estes generos senão nas vendas, e por alto preço. Pedimos novamente providencias á auctoridade competente contra este abuso.

Posse

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localChegadasCrimes

Chegou a esta cidade e tomou posse o sr. dr. Francisco Germano Leite juiz de direito desta comarca.

Expediente

Cultura e espectáculoTransportes e comunicaçõesCorreioLivros e publicações

Pede-se aos srs. assignantes deste jornal que ainda não satisfizeram as suas assignaturas, vencidas no mez de junho, se sirvam remetter a sua importância em estampilhas, vales do correio, ou por outra qualquer via que lhes seja mais conveniente.

Rectificação

Educacção e instruçãoReligiãoExames
Beja · Évora · Portugal

Fomos inexactos quando no n.º passado dissemos que o sr. padre Feio frequentara em Beja as mesmas disciplinas ecclesiasticas que o sr. padre Matta havia frequentado no seminário d’Evora. Pelas certidões de frequencia d’exames que nos foram remettidas vê-se que o sr. padre Matta completara o curso do seminário, sendo approvado plenamente no 1.º e 2.º anno e no 3.º com distincção. O sr. Feio não podia frequentar em Beja disciplinas que não se leccionavam aqui. Falta-lhe, pois, esta habilitação legal, embora s. s.ª possua, como estamos certos que possue, conhecimentos solidos sobre as matérias que se estudam no seminário. Pêza-nos ter avançado uma inexactidão pela má informação que nos deram, quando o nosso fim era simplesmente restabelecer a verdade dos factos, sem que pretendêssemos discutir o mérito de cada um dos concorrentes, nem apreciar as razões que possam adduzir em seu favor.

Errata

Geral

Na 2.ª lauda—4.ª columna—linha 33 onde se diz—não póde ver um coração &., deve ler-se: não póde ver rolar um homem no pó, e póde ver um coração fiel &.

Justiça e ordem públicaCrimes

Como estão as creadas!—Ha dias dirigiu-se a um escriptorio de agencia uma senhora, pedindo uma criada para todo o serviço. O proprietário do escriptorio ficou de lh’a mandar. Hontem pela manhã apresentou-se effectivamente a dita senhora uma mocetona bem vestida e desembaraçada, dizendo ser creada para todo o serviço. —Pelo que vejo, minha senhora, a casa convem-me e o ordenado tambem, mas tenho que pôr algumas condições. —Diga o que é. A gente pelo fallar é que se entende. —Primeiramente, se não vou fazer as compras quero ganhar mais uma moeda. —Ora essa! —Tambem não engraixarei as botas ao patrão; isso não é para o meu genio. No mais sou para tudo. —Bem, continue. —Tambem não quero lavar a louça; isso é proprio do bicho da cosinha. —Tem rasão. —Nem esfregar a casa; isso é serviço de homens. —Certamente. —Nem fazer as camas; isso é para a moça de recados. —Muito bem. —Ainda que eu sou para todo o serviço, não quero esfregar roupa; isso é para a lavadeira. —Pensa com juizo. —Quero alem disto sair todos os domingos, não ser incommodada quando estiver á mesa, não fazer certos serviços ordinários... —Bem. Já sei o que não quer fazer; vejamos agora o que está disposta a fazer. —Ora essa, minha senhora, a ser sua creada, e do patrão n’algum serviço que não comprometta a minha dignidade. As creadas de servir estão emancipadas. —Pois não me serve. —Olhe com isso quem perde é a senhora, por que não acha creada para todo o serviço melhor do que eu; juro-lho. (Conservador.)

Convite regio

Transportes e comunicaçõesTelégrafo
Lisboa · Portugal · Prússia Exterior / internacional · Telégrafo

Recebeu-se em Lisboa no dia 6 um telegramma da Prússia convidando a S. M. El-Rei o sr. D. Luiz para ser padrinho do 3.º filho do príncipe real da Prússia, casado com a filha da rainha Victoria. A ceremonia do baptismo devia ser celebrada no dia 14 do corrente. (O Viannense.)

Rendimento dos correios

EstatísticasTransportes e comunicaçõesCorreio

No anno economico de 1861 a 1862 foi o rendimento total dos correios do reino de 372:304$208, e no anno economico antecedente tinha sido de 350:436$467 reis. Houve por tanto um augmento no rendimento do ultimo anno economico de 1:867$741 reis.

Serviço dos cães em Bruxellas

Justiça e ordem públicaPrisões
Paris · França Correspondência · Exterior / internacional

De uma correspondencia de Colonia do sr. Antonio Rodrigues Sampaio, extractamos a seguinte curiosa noticia: “Quer v. saber uma pequena cousa que me causou admiração em Bruxellas? Foi o serviço que ali fazem os cães. Chegámos á cidade ás cinco horas da manhã (porque fomos de Pariz de noute) e a primeira cousa que vimos foram as leiteiras a distribuir pelas casas o leite que levavam em muitas bilhas de latão, postas em pequenos carros, cada um dos quaes era puchado pelo seu cão. Vimos depois carros maiores puchados por elles, em alguns as mulheres pegavam nas varas do carro para o conservarem em equilibrio, e o cão ia-o puchando collocado debaixo d’elle entre as suas rodas. Outros carros havia em que ia outro preso atraz para o substituir quando cançasse. E não era só leite que elles conduziam, o leite é que não era conduzido de outro modo, mas vimos cães transportando muitos outros objectos, indo alguns atraz dos amos como se fossem soltos, e sendo outros levados presos pela corda. Conto isto para que saiba como por esse mundo se faz servir em proveito do homem agentes que n’outras partes são inúteis”.

Cavalgada no Japão

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioReligiãoAcidentes de trabalhoComércio localIncêndios
Porto · Europa · Japão · Portugal Exterior / internacional

No dia 2 de maio houve, diz o Commercio do Porto, em Yakuhama (Japão) uma cavalgada, organisada pelos inglezes e que foi a primeira diversão d’aquelle genero, que teve logar no império japonez, o que demonstra o augmento que progressivamente alli se dá na emigração mercantil europea, e da segurança que disfructa. Na mesma cidade de Yakuhama, houve um terrível incêndio que devorou mais de 300 casas. Os europeus ficaram admirados da excellente ordem, actividade, e efficacia com que os japonezes acodem a combater e extinguir o incêndio, trabalhando, sem distincção de pessoas, com a mesma coragem e abnegação que se observa na Europa, em casos analogos.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo, alqueire, 700 a 740 reis; Cevada branca, 400 a 420; Farinha, 700 a 760; Sal, 160; Feijão, 800; Aguardente, almude, 2$200 a 2$400; Vinho, 1$300 a 1$400; Azeite, 3$600; Vinagre, 900 a 1$000; Batata, 1 kil., 40.