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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 230
18 notícias

Assassinato

Justiça e ordem públicaHomicídios
Salvada · Portugal

No domingo foi assassinado na freguezia da Salvada, aldeia a duas legoas desta cidade, um individuo appellidado Gonçalves. Era como nos contaram o acontecimento: O Gonçalves travara-se de razões, haverá um anno, com um tal Feria, mas tudo apparentava terem-se esquecido do que haviam dito um ao outro, quando no dia acima citado o Feria esperou o Gonçalves e o passou com uma estocada deixando-o logo morto e evadindo-se em seguida. Formou-se corpo de delicto e a auctoridade prossegue no descobrimento do criminoso.

Quadrilha de ladrões

Economia e comércioJustiça e ordem públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaCapturasColheitasFeirasPobres e esmolasPrisões

Na noite de terça feira, foi assaltada por uma quadrilha de ladrões, todos montados e armados, a herdade da Apariça, distante legoa e meia desta cidade; os ladrões accommetteram com o guarda da manada e, depois de o espancarem, levaram umas dez eguas. O pobre guarda apesar de contuso e do muito sangue que perdeu, pôde arrastar-se até ao monte da herdade e ahi deu parte do acontecido. Armou-se e montou-se logo grande numero de creados e foram na pista dos ladrões, os quaes vendo-se perseguidos largaram as cavalgaduras e fugiram. Um d’elles que ia a pé e que se havia escondido n’uma seara, foi preso e deu entrada na quarta feira de manhã nas cadeias desta cidade.

Searas

Economia e comércioAgriculturaColheitas

Por noticias que tivemos da freguezia d’Alvalade, deste districto, consta-nos que as searas, por aquelles sítios, estão más.

Chegada

Economia e comércioMunicípio e administracção localChegadasFeiras

Chegaram na terça feira a esta cidade, vindos da capital, os ex.mos srs. ex-deputados José Carlos Infante Passanha e Natal.

Uma pergunta

ReligiãoFestas religiosas
Igreja

Está concluida a parede do quintal da igreja de Santa Maria e qual será a rasão porque se não tratam de remover ou espalhar pelo largo os entulhos?

Ao sr. administrador

Meteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoEleições
Correspondência

Pedimos a s. s.ª, apesar de estarmos em vesperas de eleições, tempo em que se dá carta branca a todos que tem voto, que faça com que os carros, lenhas, arados, traves, etc., etc., que se acham no largo comprehendido entre a Sociedade Bejense e o hospicio, sejam removidos d’ali sem demora. Quem quer ter abegoarias arranja casa para ellas e não vae pejar os largos. Esperamos ver acabar com um tal abuso.

Varredores

Município e administracção localEstradas e calçadasLimpeza urbana

Dizem-nos que por ordem da camara principiaram a ser varridas as ruas desta cidade no dia 15 do corrente. Achamos de muita utilidade o passo que a camara deu contratando varredores, porque só assim é que alguns sítios da cidade poderão estar limpos.

Pharol da Beira

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Recebemos e agradecemos o primeiro numero do jornal assim intitulado, que começou a publicar-se, na Guarda, no dia 13 do corrente. Desejamos-lhe longa vida.

O Douro

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Este excellente jornal que se publicava na Regua suspendeu a sua publicação.

Ao sr. meujananente

Geral

Quem lhe doer o dente que procure o barbeiro. Entende-nos?

Sem effeito

Política e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portarias
Moura · Portugal Correspondência · Igreja

A mercê que por decreto de 9 de abril de 1861 e carta regia de 18 de dezembro do mesmo anno, foi feita a Antonio Joaquim dos Santos Massapina, da serventia vitalicia da thesouraria da parochial egreja de S. Agostinho da villa de Moura, neste bispado, ficou sem effeito.

Esmola

Sociedade e vida quotidianaBeneficênciaPobres e esmolas

Consta-nos que o ex.mo sr. Joaquim Felippe Fernandes, para commemorar a morte de sua filha, dera á Casa Pia desta cidade a esmola de 22$500 rs.

Exercicio

Acidentes e sinistrosExércitoIncêndiosTreinos e manobras

No dia 19 do corrente teve exercicio de fogo o regimento d’infantaria n.º 17.

Bl^delo epistolar

Economia e comércioEducacção e instruçãoAgriculturaColheitasInstrução pública
Algarve · Portugal Correspondência

Recomendamos o seguinte aos amadores do genero. Não asseveramos que a orthographia do original seja a desta copia. «Eu sou o dito M. G. o qual v. s.ª deu seis lintens para mercar um passaporte, e v. s.ª me disse qne fosse ao Algarve caçar homens para a sua ceita de empreitada, e eu disse a v. s.ª que não estava em instrucções p’ra isso, por estar muito molesto de cama com um dedo inchado. Agora me resolvo no anno deste anno para a obrigação que v. s.ª queira. No caso que v. s.ª queira para lhe arranjar homens ou de empreitada ou não, tomo o cargo da sua ceifa. Ora agora lhe peço a s. s.ª que ao receber desta me escreva outra logo para acertar o Zé, remettida a carta a M. B. A. Ora agora peço a v. s.ª me mande dizer de sim ou de nada, caso que pretenda de empreitada, e os homens que juntar, e mande tambem dizer os dias que me manda lá ir para ver as searas p’ro ajuste ou de empreitada ou não. M. G.»

Morte de Booth

Acidentes e sinistrosExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCapturasHomicídiosIncêndiosJulgamentosMovimentos de tropasPrisõesQuedas
Washington · Estados Unidos Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Os jornaes estrangeiros publicam os seguintes promenores sobre o assassino de Lincoln: Booth e Harrold, seu cúmplice, estavam refugiados na herdade de Garrett, perto de Port-Royal. Os soldados do coronel Baker atiraram sobre a granja, e conseguiram matar de um tiro a Booth e prender Harrold. Parece que estes dois homens estavam ha algum tempo na herdade de Garrett. Vestiam o uniforme de soldados confederados; Booth, em uma conversação que tivera dias antes sobre o assassinio de mr. Lincoln, perguntara a um dos rendeiros se a recompensa promettida pela captura do assassino se elevava a mais de milhão e meio de dollars. Os Garrett, quando foram presos, disseram que nada sabiam relativamente a Booth, e que ignoravam completamente se elle era o auctor do terrivel acontecimento que enlutara o norte dos Estados Unidos. Booth estava ferido n’uma perna e julga-se que a causa d’este successo fora uma queda do cavallo na noite em que fugira de Washington. Foi o doutor Mudd quem o tratou e lhe forneceu as muletas de que elle se servia. Quando a cavallaria os intimou para que se entregassem, Booth vociferou contra esta ordem e accusou de cobarde o seu companheiro por este obedecer á intimação. Foi n’essa occasião que o assassino de Lincoln atirou sobre o sargento, que respondeu ao fogo matando de um tiro o inimigo do chorado presidente. Booth apenas viveu tres horas depois de ferido. Até ao ultimo momento não cessou de maldizer o governo, fazendo treguas á sua indignação quando a lembrança de sua mãe veio recordar-lhe deveres mais justos e santos. Junnues Brutus, o irmão de Booth, foi egualmente capturado.

Um pirata no Parnaso apanhado em flagrante

Cultura e espectáculoEconomia e comércioReligiãoLivros e publicações
França · Portugal Exterior / internacional

Portugal possue um homem cujo nome Chateaubriand, se hoje fosse vivo, escreveria na lista dos genios dominadores. Alludimos ao irmão P., auctor da inimitavel poesia que tem por titulo—Uma menina de doze annos—, inserta no n.º 228 do Bejense. Em França o genero elegiaco, commummente chamado choramingas, apesar dos esforços de Lamartine e outros, estava bem longe da perfeição. Em Portugal, onde em tudo se macaqueia a França, os carpidores seguiam os modelhos francezes, imitavam-nos, e alguns até tiveram o arrojo de copiar quasi fielmente poesias d’outrem. O irmão P., contemplou essas asquerosas lesmas que se apegavam ás producções alheias, conspurcando o que da pasta dos seus auctores tinha sahido puro e immaculado como um anjinho, e exclamou a elles: Dissemo Garrett—Aqui ha talentos para tudo—mas precisam de quem os dirija—accrescentou—e eu que vim a este mundo para escrever um epicedio, como o porco para grunhir e o burro para zurrar; eu que tenho encaixotados na minha bossa poetica estrophes que, se as publicar uma vez, farão dos olhos dos leitores cataratas de lagrymas tão perennes como o Niagara—eu serei o cabeça dos paineis funebres da minha amada patria! Calou-se, e d’ahi a pouco a cabeça do irmão P. estoirava como uma bomba! Até os proprios anjinhos se assustaram. Era a primeira erupção d’esse Etna da poesia funerea; era o irmão P. que estava pondo em escriptura os pensamentos sublimemente piegas que ha bons vinte annos rolitavam no seu caco, tentando abrir uma brecha nas paredes d’esse craneo mais duro, mais grosso, mais consistente, mais rigido do que... a cousa mais rigida, mais consistente, mais grossa, mais dura, que haja cá neste valle de lagrymas. Pranteadores, afinai o vosso alaude pelo do irmão P., e ponde de parte as Meditações e os Jocelyns, que já para nada prestam. Agora, para que o leitor possa avaliar o deploravel estado em que se achava a choramingueira neste paiz, copiamos dos Cantos Matutinos, livro que o sr. Francisco Gomes de Amorim publicou em 1858, uma das poesias mais sentidas que conhecemos: O ANJINHO (a Manoel José Gonçalves): «Era o silencio profundo, / E essa mudez dizia; / Que ninguem cá n’este mundo / Tamanha dor entendia; / A dor da mãe abraçada / Na filhinha amortalhada? / Oh! como ella contemplava / Essa porção da sua vida! / A triste ás vezes cuidava / Ter a filha adormecida; / Como ella já não gemia, / Cuidava a mãe que dormia!... / Mas logo quebrava o encanto / Do pae a acerba saudade, / Redobrando a dor e o pranto / Porque lembrava a verdade. / A mãe de novo a chamava, / Mas elle não accordava! / Depois, os padres cantando / Ao cemiterio a levaram; / Devotamente rezando / Na terra fria a deitaram; / O pae de longe os seguia / Sem saber o que fazia. / Não chores, pae desolado, / E diz á esposa querida, / Que um anjo a Deus tem dado / N’essa filhinha perdida; / Um anjo que lá nos ceus / Por nós todos pede a Deus.»

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo, alqueire, 540 a 550 reis; cevada branca, 230 a 240; farinha, 580 a 600; sal, 240; feijão, 930 a 960; aguardente, almude, 3$600 a 3$700; vinho, 2$000; azeite, 2$600 a 2$800; vinagre, 900 a 1$000.

EXTERIOR

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesComércio localHomicídiosLivros e publicaçõesNavegacçãoObras de infraestruturaTrânsito e circulacção
Florença · Madrid · Turim · Washington · Espanha · Estados Unidos · Itália · México · Peru Exterior / internacional · Relatório

Nova-York, 29.—Johnston entregou ao general Sherman 38 brigadas com os seus generaes. Um vapor com 2:000 prisioneiros federaes ardeu no rio Mississipi, perecendo 1:400 homens. Booth foi secretamente enterrado. Em Panama houve uma revolução militar em que foi proclamado presidente Cortinje. Madrid, 13.—O governo apresentou um projecto diminuindo os direitos de entrada das mercadorias necessarias ás construcções, sem distincção de bandeira. Florença, 12.—O rei e Lamarmora chegaram. Turim, 12.—O relatorio do senado conclue pela adopção da venda dos raiis. Argel, 11.—O imperador parte para Médéa; de passagem visitará Blidas; a sua saude é perfeita. Mexico.—A obra da pacificação prossegue rapidamente; o commercio está animado. Madrid, 14.—As relações da Hespanha com o Perú acham-se perturbadas em consequencia da satisfação pedida pela Hespanha; continua a revolução ao sul do Perú. Bolivia.—O general Belgu foi fusilado pelos seus soldados em uma revolução. Turim, 13.—Uma circular do ministro respectivo ordenou a suspensão dos beneficios ecclesiasticos. Nova-York, 6.—O presidente Johnson publicou uma proclamação em que Jefferson Davis é accusado de ter preparado o assassinato de Lincoln, e offerece cem mil dollars pela apprehensão de Davis. Nova-York.—O governo discute a questão de levantar o bloqueio. Nova-York, 6.—Annuncia um jornal de Washington a abertura dos escriptorios para o arrolamento dos officiaes e soldados que quizerem emigrar para o Mexico.