BEJA 23 DE DEZEMBRO
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoTransportes e comunicaçõesCorreioFeirasFestas religiosas
Outro desmentido—Vimos ante-hontem, diz o nosso orgão nas Instituições, que o Correio da Noite de sexta feira ou de sabbado déra a noticia de que se fizera um accordo qualquer entre os constituintes e o sr. Barjoua. Declaramos uma vez por todas que nunca nos daremos ao trabalho de desmentir esses boatos a que os nossos collegas por qualquer motivo entendam dever dar publicidade. Realmente não temos tempo para lermos os jornaes portuguezes do principio até ao fim, e, ainda que reconhecemos que essa leitura é extremamente interessante, não nos podemos resignar a consagrar-lhe uma porção grande do nosso tempo. D’ahi resulta que só umas vezes por outras temos conhecimento d’estas noticias; se as desmentimos uma vez, o nosso silencio póde parecer confirmação de outras que não vemos. Por isso estabelecemos como regra deixar correr livremente todas as galgas, que os nossos collegas quizerem soltar a nosso respeito. Demais a mais não desejamos contrarial-os. Entreteem-se com essas cousas, dão aos seus leitores noticias que os entreteem egualmente, dão assumpto á cavaqueira do Terreiro do Paço, e que diabo! n’este santo paiz em que a politica se resume n’este agradavel entretenimento, é uma dôr de alma arrancar de subito aos novelleiros da arcada estes assumptosinhos queridos.
Acontecimentos na Europa
Economia e comércioEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoTransportes e comunicaçõesDebates políticosEleiçõesExamesInstrução públicaTelégrafo
As folhas de Berlim escrevem mui accentuadamente ácerca do movimento politico iniciado por Bismark em favor do ultramontanismo, bem assim da agradavel impressão produzida no Vaticano pelas palavras proferidas pelo chanceller ao parlamento sobre a questão religiosa. É este um dos assumptos importantes de que temos a tratar e por este facto diremos que, segundo as correspondencias de Roma, o cardeal Jacobini telegraphou ao cardeal Hohenlohe para que manifestasse ao chanceller o quanto o sacro collegio espera da sua nova politica no bom caminho para um accordo definitivo. Conforme se vê, e o que não é para estranhar, o ultramontanismo, contando com o appoio de Bismark, julgou por momentos obter uma esplendida victoria e assegurar o modus vivendi entre a igreja e o estado. As ultimas noticias dizem porem que o accordo não é tão facil como se presume e que de dia para dia maior é a divisão que se observa entre os conservadores e os ultramontanos no parlamento allemão, prova irrecusavel das difficuldades com que o chanceller está luctando para combater a grande influencia do partido liberal progressista. Segundo o telegrapho nos disse ha dias, o partido ultramontano tomou uma posição adversa ás idéas de Bismark na questão da entrada da cidade de Hamburgo na liga das alfandegas allemãs. Por este motivo a Gazeta da Allemanha do Norte, que é orgão da politica e das opiniões de Bismark, agride violentamente, em successivos artigos, o chefe d’aquelle grupo parlamentar, a quem attribue instrucções anti-patrioticas. Pela sua parte, uma folha dos ultramontanos, protesta, com toda a vehemencia, contra o que se chama «a calumnia officiosa». Observa-se ainda que um elevado numero de deputados do centro ultramontano, dos que foram convidados para a ultima soirée parlamentar do chanceller, escusam-se á ultima hora depois de terem celebrado uma reunião em que resolveram assim proceder. O ataque violento da folha bismarkina, ao mesmo tempo que revoltou esse grupo politico, produziu grande pesar nos conservadores, que sentiram a esperança de ver a seu lado, constituindo maioria no reichstag, os ultramontanos, trazidos pela intenção que revelára o chanceller, de celebrar a paz com o Vaticano. Vemos, pois, que n’esta importantissima questão os factos vieram corroborar o que por vezes avançamos. A questão ventilada pelos conservadores, a sua união ao partido ultramontano, o accordo emfim com o Vaticano em detrimento ás leis de maio, era um ataque directo e violento ás liberdades da Allemanha. O chanceller pensou por momentos poder supplantar o partido liberal progressista, mas ao estado a que chegaram as cousas muito difficil lhe será poder sahir da situação critica que organisou e constituiu. Em todo o caso convém ainda observar que muito ha a esperar da finura com que o chanceller trata dos assumptos politicos mas duvidamos que possa destruir a grande influencia dos liberaes. Um outro assumpto—o resultado das eleições supplementares em seis circulos em França—esteve por alguns dias na tella da discussão entre varias folhas da imprensa politica. Os nossos leitores por certo não ignoram que excepto no 2.º circulo de Perigueux, onde foi eleito o sr. Chavoix, republicano, contra o sr. Lestourde Gonty, legitimista, a lucta foi sómente entre republicanos, de opiniões mais ou menos avançadas. No 10.º circulo de Paris foi eleito o sr. Lefèbre, republicano socialista; na de Corte (na Córsega) e no de Constantina (na Argélia) triumpharam os srs. Arène e Treille, opportunistas. Ficaram empatadas as eleições nos de Aix, em que foi o mais votado o candidato radical, o sr. Loidet, e 3.º de Lyon, em que a maior votação recaiu no sr. Humbert, republicano socialista. Como dissemos, apenas em Perigueux os legitimistas tiveram a coragem de apresentar candidato. Nos outros circulos não se atreveram a fazel-o, porque nada mais podiam esperar do que uma desastrada derrota. N’aquelle mesmo, que pertence ao departamento de Dordogne, onde os monarchicos tiveram por muito tempo um dos seus mais aguerridos baluartes, apesar de se empenharem na eleição em favor do candidato legitimista, os partidos bonapartistas e clerical, não conseguiram reunir mais de 2:798 votos, emquanto que foi de 7:938 o numero dos que obteve o candidato republicano. Estes factos são altamente significativos.
Educacção e instruçãoExército
Circular do ministerio da guerra, determinando que todos os sargentos que tenham desistido de frequentar as aulas regimentaes, lhes é permittida a nova matricula, porém não lhes dá direito á promoção sem que hajam terminado o respectivo curso.
Justiça e ordem públicaJulgamentos
Terminaram no dia 19, as audiências geraes do 2.º semestre do corrente anno.
Economia e comércioMunicípio e administracção localImpostos comerciaisImpostos e finanças
No dia 16 do proximo mez de janeiro vão á praça differentes fóros impostos em propriedades deste concelho.
Foi distribuido o fasciculo n.º 29 da obra de Paulo de Kock, O João.
ExércitoSaúde e higiene pública
Está gravemente enfermo o nosso amigo o sr. major Almeida. Fazemos votos pelo seu prompto restabelecimento.
Os ladrões teem, nestas ultimas noutes, tentado assaltar algumas casas.
Os candieiros da cidade depois da uma hora, estão quasi todos apagados.
Domingo arrematou
se a marchantaria de Beringel.
Foi roubada uma mulher ao Ribeiro dos frades.
Verificaram
Economia e comércioEducacção e instruçãoTransportes e comunicaçõesCorreioExamesFeiras
se quarta feira no correio geral os exames dos candidatos a carteiros supras.
Justiça e ordem públicaCrimes
A policia, sabado, engaiolou na esquadra alguns desordeiros e entre elles um dos taes celebres Jaques.
Município e administracção local
Na secretaria da camara municipal de Mertola, foi registado o descobrimento de 13 minas de manganez e 1 de prata.
Economia e comércioPreçosAgriculturaPecuáriaPreços e mercados
Já começou a vir á barreira gado suíno. O seu preço por cada 15 kilogrammas, regula por 3:000 rs. segundo ouvimos.
Publicou
se a caderneta n.º 8 do romance o Fiacre n.º 13.
No dia 21, procedeu
se no rocio do Poço Pequeno, á vestoria de um terreno pedido de aforamento para edificações pelo sr. Pedro Joaquim Soares.
ExércitoNomeações
Já está em Beja, o nosso amigo o sr. Manoel José Gomes, digno tenente-coronel, ultimamente promovido para infantaria 17.
ReligiãoObras religiosas
Sahiu o 6.º fasciculo da obra de Luiz Veuillot—Jesu-Christo.
ExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesMovimentos de tropasQuartéis
Mandaram recolher ao quartel nesta cidade os destacamentos de infanteria 17, estacionados em Barrancos, Aljustrel.
ExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacções
Segundo nos dizem, em infantaria 17 já ha prevenção para destacar força logo, que o rei de Hespanha chegue a Lisboa e que com o monarcha portuguez vae caçar a Villa Viçosa. A força deverá estacionar em Vendas Novas.
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCorreioFalecimentosFeiras
Repentinamente, falleceu terça feira o sr. Bernardo Frade, continuo do correio d’esta cidade e que ha tempo se achava na impossibilidade de exercer o seu cargo por lhe ser conhecido desarranjo mental.
ExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesMovimentos de tropas
Por força egual, foi mandado render o destacamento de infantaria 17, estacionado em Portalegre.
Conta
Exército
se que algumas praças do regimento 17 vão preencher vacaturas n’alguns corpos da capital.
Serpa, 12 de dezembro de 1881
Cultura e espectáculoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroCorreioEstacçõesLivros e publicaçõesTelégrafo
Sr. redactor.—Obsequia-me, mais uma vez, publicando nas columnas do seu acreditado jornal, as seguintes linhas: Acaba de partir d’esta villa, em regresso á cidade de Faro, o ex.mo sr. José Vaz Palma, muito digno empregado no serviço postal da referida cidade, que, em commissão, viera aqui fazer a transição de logar do director do correio addido, reformado, para o chefe da estação telegraphica da mesma villa. Taes eram as maneiras obsequiosas, que o illustrado empregado se dignou dispensar-nos, já instruindo-nos, e aconselhando-nos para o bom exito do novo serviço, a nosso cargo, como tambem as explicações concisas e logicas, que do melhor agrado nos repetia, que, seriamos ingratos se olvidassemos tão valiosos obsequios.—O ex.mo sr. Palma, sr. maior, com quanto estivesse poucos dias em Serpa, não deixou por isso poucas sympathias, devidas á sua lhaneza, fino trato e affabilidade inexcedivel. Receba pois o digno empregado da cidade de Faro os nossos justos protestos de gratidão; rogando-lhe creia que, com viva saudade nos assignamos; seu amigo ingenuo e respeitador por dever e gratidão. P. d’Almada Pereira.
Ervidel 17
Educacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaConflitos locaisDenúncias e queixasEscolasGoverno civilObras municipaisObras religiosasPobres e esmolasPrisões
Ha homens por esse mundo de Christo que se incommodam com as minhas correspondencias, quando é certo que eu as acho inoffensivas; porque será pois? não sei, e para o futuro terei cuidado em nem por palavras e obras offender as pessoas que amavelmente passaram á minha sogra 1:730 reis de custas individamente. Lá vae mais um caso dos muitos que se dão no pagamento de contribuições. Manoel Joaquim Espada é citado para pagamento de contribuição municipal; vae queixar-se ao administrador de que tem testemunhas em como o recebedor lhe disse que não tinha derrama, e por amabilidade, offerece-se-lhe hospedalidade por aquella noute na cadeia; dirige-se ao recebedor e como este senhor tem costella de fidalgo, responde-lhe encolhendo os hombros: A questão é de custas; parece até haver um fim n’estas cousas, sim, parece haver uma certa conveniencia em negar documentos de contribuições na recebedoria para depois os contribuintes pagarem proprio e custas. É o que se está vendo todos os dias com grande numero de individuos. Ora, a boa razão, parece-me, diz que desde o momento em que o contribuinte não foi remisso ao pagamento da contribuição, é o recebedor e mais ninguem, o responsavel pelas [ilegível], visto ser assim, póde por uma certa deferencia para com todos os contribuintes que não forem da escola regeneradora, dizer não tem decima, não tem derrama. Ora é para estas cousas que eu queria remedio, mas é porque o desejo, [ilegível], não o faz porque o povo deixe de soffrer prejuizos e vexames e é preciso que elle soffra, para mais honra e gloria da grande hosanna de Portugal e Algarves. Não ha muito que uma pobre viuva, foi citada para pagamento de derrama municipal, não sei qual a sua casa e conhecimentos que mostrou ao citado, mas certo que não quer saber de cousas, vão direitas á mulher que está citada e que se não for pagar dentro de 5 dias é penhorada e tem de pagar mais? Que diz agora a isto o sr. governador civil não diz nada, para que diabo se hade s. ex.ª incommodar com estas cousas, se a mulher não tem roto, nem os póde pedir? (Continua.) Duarte Rousseau.
Serpa 22 de dezembro de 1881
Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaGoverno civilNomeações e cargosPobres e esmolas
Sr. redactor.—Desejando tornar bem publica a violencia que se me fez, peço a v. a bondade de fazer inserir no seu acreditado periodico a seguinte carta: Ex.mo sr. governador civil de Beja. Um humilde e obscuro filho do povo tem a honra de se dirigir a v. ex.ª, não a reclamar justiça, que n’estes ominosos tempos a não ha para ninguem, mas para lhe protestar solemnemente, que foi illudido, enganado, e até escarnecido pelo seu administrador no concelho de Serpa, Antonio d’Oliveira Rocha. Tenho a consciencia de ter sido um fiel observador das obrigações inherentes ao meu cargo (ou emprego) de official de deligencias da administração d’este concelho de Serpa, posso o comprovar com todos os meus superiores e até mesmo com o proprio administrador—Antonio d’Oliveira Rocha, o que me promoveu a demissão, a quem intimo que declare publica e cathogoricamente o motivo da minha demissão. Será elle capaz de tudo fazer? Não o fará por certo, porque o motivo ficticio, ainda assim, mais o desacreditaria e a opinião publica seria unanime em declarar que, o demettido deveria ser o administrador—Antonio d’Oliveira Rocha. Ex.mo sr. governador civil, saiba v. ex.ª que n’esta villa de Serpa sou tido e considerado, não obstante minha pobreza, como um cidadão probo, honesto e honrado, tenho mulher e filhos, fui empregado zeloso e fiel e todavia fui demettido. Se os homens politicos, em Portugal, tivessem consciencia, estou bem seguro que v. ex.ª havia de amargurar-se com este brilhante acto de moralidade d’um seu administrador, mas infelizmente baixámos tanto que, a moralidade é um escarneo, a justiça uma irrisão, a honra palavra vã e a verdade uma ficção. Ex.mo sr. governador civil, heide narrar-lhe pela imprensa as amabilidades do seu administrador do concelho de Serpa—Antonio d’Oliveira Rocha. Desculpe v. ex.ª a phrase humilde d’um pobre filho do povo. Bartholomeu Baptista Galamba. (Segue-se o reconhecimento.)
Bibliographia—A Europa Pittoresca
Preços
Distribuiu-se o fasciculo 10.º d’esta excellente publicação de que é director proprietario o sr. Salomão Saragga, residente em Paris, e gerente em Portugal o nosso amigo o sr. David Corazzi, proprietario da casa editora Horas Romanticas. Com o presente fasciculo termina a descrição do [ilegível] e começa o [ilegível], onde são descriptas e illustradas com gravuras elevadas a Normandia, Bretanha, Mediterraneo, Montes Pyreneus, [ilegível], Norte de Hespanha, Floresta Negra e o Danubio. A publicação é explendida e honrando a casa editora honra o paiz. Cada fasciculo custa 600 reis.
Os Mystérios do Povo
3.º volume. Brochado 500 reis.
Ruy Blas por Victor Hugo—traducção por Bulhão Pato socio effectivo da Academia Real das Sciencias
Um volume lindamente impresso. Brochado 800 rs.
No theatro e na sala
Cultura e espectáculoLivros e publicaçõesTeatro
Por D. Guiomar Torrezão.—Um volume brochado 600 rs. O livro da distincta escriptora é precedido por uma carta prefacio de Camillo Castello Branco da qual transcrevemos as seguintes linhas que resumem o que poderiamos dizer da sua importancia litteraria: «Quantos escriptores de primeira ordem escrevem em Portugal como v. ex.ª? Quem lhe póde dar exemplos de elegancia de estylo, de profundeza e variedade de idéas indicativas de leitura vasta e methodica? Cada novo livro de v. ex.ª é um aperfeiçoamento que vae justificando os vaticinios dos que leram as suas estreias brilhantes.» Profundamente reconhecidos agradecemos ao nosso amigo o sr. David Corazzi os exemplares que nos enviou bem assim a dedicatória com que muito nos honrou o distinguiu. São finezas que jamais poderemos esquecer.
Telegraphia electrica
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoTransportes e comunicaçõesCorreioEscolasInstrução públicaObras de infraestruturaTelégrafo
É este o titulo de novo livrinho que a bibliotheca do Povo e das Escolas acaba de publicar. É illustrado com quinze gravuras. A utilidade da vulgarisação de differentes ramos da sciencia por meio de livrinhos que pelo seu diminutissimo custo se tornam ao alcance de todas as bolsas, está de ha muito reconhecida e por este facto a bibliotheca vê de dia para dia augmentar o numero de seus assignantes. Foi um novo e importantissimo serviço prestado á instrucção. O livrinho que temos sobre a banca do trabalho é um perfeito tratado em tão importante ramo da sciencia accommodado tanto ao concurso de aspirantes-auxiliares dos correios, telegraphos e pharoes, como ao serviço das linhas ferreas portuguezas. O seu custo é apenas 50 reis. Quem por tão diminuta quantia deixará de possuir uma obra de tanto merecimento e instrucção? Nós com franqueza applaudimos sempre com enthusiasmo todos os trabalhos tendentes a derramar as luzes da sciencia entre as classes menos favorecidas de fortuna e por este facto não podemos deixar de recommendar as obras que esta bibliotheca está publicando.
As Novas Proezas de Rocambole—por Constant Guéroult—O João—Por Paulo de Kock
A empresa Noites Romanticas continua com a maxima regularidade a publicação d’estas obras ácerca das quaes temos fallado por differentes vezes. A publicação é feita aos fasciculos semanaes de 50 reis cada fasciculo de cinco folhas ou quatro folhas e uma gravura. Lisboa. Sebastião J. Bagam.
Despedida
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimes
Promovido a juiz de direito de segunda classe e nomeado para a comarca de Arganil, corre-me o mais imperioso dever de despedir-me de todos os cidadãos da comarca de Serpa, aonde tive a honra de exercer, durante cinco annos, as minhas funcções de juiz. Bem quizera eu despedir-me pessoalmente de todos; mas não é isso compativel com o pouco tempo de que posso dispôr. Na minha qualidade de funccionario publico, vou penhoradissimo pela maneira mui attenciosa e conveniente por que fui aqui tratado, e pela efficaz coadjuvação que todos me prestaram para a regular administração da justiça. E como simples cidadão, jamais olvidarei as demonstrações e provas exuberantes da muito obsequiosa benevolencia e cordial amisade, que todos os cavalheiros desta comarca, salvas rarissimas excepções, se dignaram prestar-me. Por esta maneira, pois, cordialmente lhes tributo o mais publico e solemne testemunho do meu entranhado affecto, e profundissimo reconhecimento. Serpa, 21 de dezembro de 1881. Francisco Rodrigues de Macedo.