Casamento do El-rei o Sr. D. Luiz I
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Realisa-se o consorcio de Sua Magestade com Sua Alteza a Sereníssima Princeza D. Maria Pia de Saboia. Casa-se (como dizia um ex-redactor deste jornal) o neto de Pedro IV com a neta de Carlos Alberto: o neto d’um soldado que deixou o seu coração ao Porto, com a neta d’um soldado que veio ao Porto sentir bater-lhe a ultima pancada o coração: o rei d’esta antiga Roma, com a filha do rei da Italia renascente: um homem que é monarcha na patria de Camões com a filha d’um homem que é monarcha na patria de Torcato Tasso!
Expediente
Município e administracção local
Por falta d’espaço não publicamos n’este numero os pareceres dos srs. delegado e advogado da camara, a que se refere a correspondência do sr. vice-presidente; e por igual motivo não podemos dar cabimento á correspondência do sr. delegado sobre a questão dos pastos, o que faremos em o numero seguinte.
Fallecimento
ExércitoSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Ante-hontem 10 do corrente falleceu em Lisboa, d’uma apoplexia fulminante, o sr. tenente general conde do Bomfim, commandante d’esta divisão militar. Tinha 75 annos d’idade.
Martyres do Japão
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Celebrou-se ha poucos dias em Roma a grande ceremonia da canonisação destes martyres, cuja historia é por si conhecida entre nós e por isso vamos offerecer aos nossos leitores uns breves apontamentos sobre ella. A 15 d’agosto de 1549 S. Francisco Xavier entrou no império do Japão a fim d’espalhar entre os sectários do Boadhismo a luz do Evangelho e convertei-os á religião catholica. Nos dois primeiros annos que ali passou obteve a conversão de milhares d’habitantes entre os quaes se viam chefes, mandarins e principes de sangue que corriam a escutar-lhe a palavra. Crendo a sua obra de proselytismo bem fundada e assegurado um exito feliz escreveu aos missionários que o substituíssem, visto que pretendia penetrar no império da China afim de continuar a obra gloriosa em que se achava empenhado. Os novos missionários cheios de fé ardente accudiram ao chamamento do Santo, e continuaram-lhe a obra. Reinava então no Japão Taicosama, que tendo em grande veneração os padres missionários os admittia a viver na sua intimidade, dispensando-lhes favores, taes como a concessão dos terrenos necessários para a construcção d’uma egreja e d’um seminário em que se ensinassem as doutrinas da fé catholica. Por este tempo Jacuino, medico japonez favorito do imperador, antigo bonzo d’uma seita fanatica, mostrou ao imperador os perigos desse poder de novo creado no estado, que um havia de destruir todo o edifício social do Japão. Ordenou por isso a expulsão immediata no praso de vinte dias. Elles receberam a ordem com prudência, abstendo-se de manifestações e pregações publicas. Foi-lhes então concedido o espaço de 6 mezes para sahirem do império, e n’esse espaço tivessem lugar acontecimentos favoráveis ao christianismo que lhes permittiram continuar sua obra de proselytismo por mais dez annos. Em 1591 doze mil japonezes receberam o baptismo. Alguns tempos depois quatro missionários que haviam chegado de novo começaram as suas pregações publicas e o povo apinhava-se em roda d’elles para os ouvir. Um piloto hespanhol mostrou uma carta da Europa a um dos ministros do Taicosama fazendo-lhe notar o grande desenvolvimento das colonias hespanholas. O ministro maravilhado de tanto poder perguntou-lhe a razão disso, e obteve a seguinte resposta: «Os religiosos começam por introduzir-se no paiz, fazem proselytos, minam o poder, progridem insensivelmente, e quando alguns annos depois um punhado de soldados desembarca no paiz, minado d’ante-mão pelos missionários, os seus habitantes, longe de os repellirem, abraçam-n’os.» Esta resposta foi uma revolução para Taicosama que jurou exterminar todos os missionários. A 3 de janeiro de 1598 sahiram elles da prisão onde haviam sido recolhidos por ordem do imperador com as mãos ligadas a traz das costas. O carrasco apoderou-se d’elles para lhes cortar a ponta da orelha esquerda. Oito carros os esperavam, aos quaes subiram sem temor. O imperador, decidido a atterrar os christãos, havia dado ordem para que elles percorressem uma parte dos seus estados. N’esse transito soffreram horríveis tractos. Chegados a Nangasaki onde estavam as cruzes em que haviam de ser crucificados, esperou-os ahi uma immensa multidão tão agitada, e tão favoravel aos martyres que Tazamburo encarregado d’executar a sentença nem ao menos lhes concedeu tempo para commungarem, por temer uma sublevação. Os 26 martyres desceram dos carros, e foram amarrados ás cruzes, que se arvoraram ao som do cântico de Zacarias, Benedictus, que os martyres entoaram. Tazamburo deu ordem aos soldados para os ferir com as lanças, e os gritos de Jesus! e Maria! proferidos pelos martyres dominaram por muito tempo os clamores dos assassinos e os dos assistentes. Terminado o martyrio os christãos de Nangasaki ajudados com o favor da noite foram cumprir os ultimos deveres aos corpos dos martyres, e o lugar do supplicio permanece ainda hoje um lugar de peregrinação para os japonezes convertidos á fé catholica. (Extraído do art. do Monde illustré.)
Erratas
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Em o n.º 79 d’este jornal no artigo do noticiário—Jantar aos presos—onde se lê «20 alqueires de farinha» leia-se «30 alqueires»—onde se lê «bolo de mel 20 kil.» leia-se «30 kil.»