No dia 4 de fevereiro vão á praça differentes bens nacionaes nos concelhos de Beja, Aljustrel e Almodovar.
Sabado a fiscalização apprehendeu uma porção de camisolas e outros artigos, subtrahidos aos direitos.
Inaugurou
se domingo a aula regimental dos officiaes inferiores do 17 de infantaria. Foi uma noite de festa.
Villa Nova de Mil
fontes. Foi transferido para S. Martinho das Amoreiras o professor de ensino primario do sexo masculino.
No dia 5 de fevereiro vão á praça differentes bens nacionaes nos concelhos de Beja, Vidigueira, Ferreira, Cuba, Aljustrel, Ourique e Odemira.
Domingo, o juiz ordinario acompanhado d'um facultativo e o escrivão, procedeu ao auto de corpo de delicto na pessoa do lavrador da Torre Carrilho, que ha poucos dias foi ferido com um tiro de revolver.
Domingo, vão á praça differentes fóros pertencentes á misericordia de Beja.
A expensas do municipio, deve festejar
se no dia 20 o martyr S. Sebastião.
Mértola. Na manhã do dia 4 do corrente, foi encontrado morto entre a Quintã e Descorvos, Francisco Palha.
Mértola. A falta d’agua por estes sitios é sensivel; muitas sementes ainda não sairam da terra e para os gados, em que ultimamente os lobos teem feito muito dano, escaceiam inteiramente as pastagens.
Mértola. Da grande loteria de Madrid de 23 de dezembro, vieram para a mina de S. Domingos umas 60 libras.
Foi graduado em alferes e collocado em infantaria n.º 17 o sargento aspirante, o sr. João de Sousa Tavares.
A camara na sua sessão de hontem, a requerimento do sr. administrador do concelho, fez a distribuição de dois recrutas para a armada. A sorte tocou ás freguezias de S. Thiago e Santa Victoria.
Foi collocado em caçadores n.º 5 o tenente de infantaria 17 o sr. Antonio Ernesto da Cunha, e transferido do 16 para o 17 da mesma arma o sr. Augusto Maria Branco.
Tornou a rebentar o cano do Collegio.
Decreto mandando dissolver a camara municipal de Villa Nova de Portimão.
Cartas regias dando o pariato, com exclusão do sr. Relvas, aos cidadãos que, ha tempos, noticiámos terem sido elevados áquella grandeza por el-rei.
Bases do grande empréstimo, ultimamente contrahido com o syndicato do sr. Henry Burnay & C.ª. O empréstimo foi tomado firme pelo preço de 49$250 reis por cada 100$000 reis nominaes.
Está pessimo o serviço do correio em Beja. Segundo a nova reforma, a esta cidade foram dados quatro distribuidores e actualmente fazem serviço unicamente dois. Dizem uns que é por motivo de doença dos empregados effectivos, mas isto não tem razão de ser, que lá estão os supras; outros fallam de que os carteiros fazem o serviço interno da repartição, o que, se é verdade, são desviados de suas obrigações. Em todo o caso, o certo é que ha dias em que são 7 horas da tarde e ainda não se tem concluido a distribuição da correspondencia, com grave prejuizo do publico.
A camara discutio e approvou os orçamentos do prolongamento da estrada de Quintos até ao largo do Calleiro, da abertura de um poço em Trigaxes e da construcção de um tanque na Cabeça Gorda.
Sabado, uma diligencia de infantaria 17, acompanhou, para as companhias de correcção, algumas praças do mesmo corpo.
No dia 1 do proximo mez serão postas em vigor as disposições do regulamento do serviço telegrapho-postal, na parte que diz respeito ás cartas com valor declarado permutadas entre as diversas localidades do continente e ilhas. O limite maximo do valor declarado de cada carta é de 1:800$000 reis.
Os volumes contendo liquidos, substancias gordurosas ou materias corantes, só podem ser expedidos pelo correio quando acondicionados por modo que possa ser facilmente examinado o seu conteúdo.
Sahio mais uma caderneta de excellente romance, O Juramento dos Homens Vermelhos.
Recebemos e agradecemos o Boletim telegrapho
postal, hebdomadario que começou a publicar-se em Lisboa. Tenha longa e prospera vida o novo collega.
O governo francez conferio o grau de official da legião de honra ao nosso patrício e digno governador da ilha do Principe, o sr. Antonio Joaquim da Fonseca.
Está de prevenção uma força do 17 de infantaria para ir a Vendas Novas fazer as honras devidas ao chefe do estado. O sr. D. Luiz vae a Villa Viçosa caçar.
Pela reforma da fiscalisação externa, que brevemente deve ser publicada, Serpa fica cabeça de districto aduaneiro.
A camara, na sua sessão de hontem, nomeou vogaes da commissão municipal para o imposto de rendimento os srs. Visconde da Côrte e Francisco Matheus Palma Senior.
A camara, na sua sessão de hontem, nomeou para as commissões parochiaes do imposto de rendimento os seguintes cidadãos: Para as freguezias de Santa Maria e Neves, effectivo José Candido de Castro e Sousa, substituto Francisco Matheus Palma Junior; Salvador, S. João e S. Mathias, effectivo Marianno de Sousa Feyo, substituto Caetano José Ferreira; S. Thiago, Albernôa, Trindade e Santa Victoria, effectivo dr. José Mendes Lima, substituto Caetano José da Fonseca; Baleizão, Quintos e Pomares, effectivo Antonio Joaquim Duarte Machado, substituto Venancio Ferreira Lima; Salvada e Louredo, effectivo Luiz d’Almeida Paiva, substituto José Guerreiro Lampreia; Beringel, Mombeja e S. Brissos, effectivo Marianno Luiz Ferro, substituto João Ramos Nogueira.
Relíquias. Foi assassinado no dia 6 por seu filho o lavrador das Cabanas, monte situado na freguezia de Relíquias. O parricida foi preso.
A junta de repartidores da contribuição predial prosegue na revisão da matriz da Salvada.
Houve de tudo para variar esta semana! Nevoa, chuva, frio, calor, trovoada e ventania.
Vão ter forrados de azulejo os corredores do pavimento terreo dos paços do concelho.
Quarta feira, cahio na estação do caminho de ferro desta cidade uma faisca electrica.
Publicou
se a caderneta n.º 5 dos Communistas no exilio.
A Casa Branca, obra de Paulo de Kock: acaba de sahir a 9.ª caderneta.
Recebemos e agradecemos o relatorio apresentado á assembléa geral do gabinete portuguez de leitura em Pernambuco.
Publicou
se o fascículo 117 e 118 do Diccionario Universal de Geographia.
O sr. José Maria de Lemos Junior foi nomeado escrivão do juizo de direito da comarca de Mertola.
Amanhã é a festa de Santo Amaro. Necessariamente a ladainha, por ser á noite, tem enchente á cunha. Bons catholicos e catholicas é sacudir os visites e as capas.
Ha grande excitação por causa da cobrança do real d’agua do gado suino vendido em pé. Nós bem temos dito que o suspendam como se tem feito n’outros districtos. Não querem; querem pôr, por força, a albarda ao povo e elle sacode-a. Se sacode...
Em Portalegre a arruaça contra os malsins foi de tal ordem que teve de intervir a tropa.
Em Moura, á reunião dos 40 maiores, faltaram oito contribuintes.
Ourique. Chorava Heraclyto as miserias do mundo, emquanto o seu contemporaneo Damocryto se ria. Riam e choravam, a proposito, alguns centos de annos antes da era commun. Hoje, se vivessem, riam-se, tanto um como outro, da continuação das miserias que se vêem no seculo chamado das luzes. Ora diga-me, amigo redactor, se o chorão do Heraclyto resistiria á vista do que vou contar-lhe? Estamos em plena sessão da camara municipal do concelho de Ourique. Presentes quatro vogaes. Á porta da sala troca a perna, encostando-se á umbreira, o velho continuo, carcereiro da cadeia publica; bom velhote, e pae de um dos vereadores. Mais ninguem, á excepção do escrivão, existe alli, para presenciar a scena interessante que a pena traça. —Mas como sabe você o que lá se passou? me observará. —Ah! que ainda não vio o que lhe escreve: Cagliostro, o nigromante!... Leu-se a acta da sessão antecedente, que foi approvada e assignada? Leu-se tambem o expediente, que ficou para resolver para a sessão seguinte. Era preciso entrar na materia mais grave, que ha annos a esta parte traz á mesa das sessões. Não era a organisação das contas das capellas que a camara administra, nem tão pouco as do proprio municipio, atrasadas, aquellas, desde 1866, estas, desde 1870. Não era igualmente a decisão da celebre proposta do sabio Francisco Ricardo, que descompõe as administrações passadas, nos seguintes trechos, em paga do que os collegas accusados, que se acham presentes, dão a sua assignatura á propria descompostura, promettendo dar-lhe o voto para presidente! O sr. Francisco Ricardo, depois de dizer na tal proposta que o saldo proveniente dos rendimentos das capellas, desde 1866 a 1871, ainda existe na mão do ex-thesoureiro da camara, que ha dez annos foi exonerado, escreve o seguinte: «E visto que me occupo de tão ardua como espinhosa missão, não concluirei esta minha proposta sem saber desta illustre camara os motivos que teem occasionado a falta dos orçamentos da receita e despesa das capellas a que me refiro, nos annos economicos de 1868 a 1880—doze annos!» E’ elle que o diz; não somos nós! «Este estado anarchico, em que tem permanecido este estado de cousas, não póde deixar de ser censurado e sem duvida trazer de futuro desgostos aos vereadores que desde aquella epocha até ao presente teem gerido os negocios d’este municipio.» Ora se elle o diz, como o não havia de dizer Democrito ao Zé Povinho?! «E por que o ludibrio, ainda que immerecido, affronta todavia as faces dos honestos vereadores a que me acabo de referir, em cujo numero por felicidade estou excluido... Ainda bem que o confessa: elle, o sabio, o Francisco Ricardo, está excluido do numero dos honestos!... ... é certo porém que para desapparecerem certas preoccupações e juizos temerarios que a respeito da administração das capellas a que tenho alludido se fazem, se tomem promptas e energicas providencias, afim de pôr termo, reparem bem que é elle que o diz, a abusos que para mim são estranhos, mas que com tudo são do dominio publico.» Ora aqui está um vereador a desacreditar os proprios collegas e a camara de que é membro. E se elle tudo desacredita, o que hão de fazer os que não teem interesses em conservar o decoro da municipalidade?! Dois vereadores accusados—Luiz d’Oliveira e José Jacintho—assignam esta monstruosidade, este embroglio, que só prima pela calumnia! Deem-lhe voto para presidente, meus senhores! E’ verdade que a este caso podiam estes responder: «Ó tu, que fungas! Quem te auctorisou a dar uma casa, pertencente da camara, para o official Espirito Santo residir?! Quem te auctorisou, a ti, meu guarda de cemiterio camarista, a commetter este abuso? Em vista da auctorisação que me foi dada pela camara municipal, mentira, de que faço parte, para proceder a trabalhos na fonte de S. Luiz, para abastecimento d’agua, mentira, mando ao sr. Jeronymo da Costa, na qualidade de thesoureiro da camara, faça entrega a F. da quantia, etc.» Não sabes que commetteste um abuso previsto pelo codigo penal? Não sabes que ao presidente é que cumpre passar mandados, quando as despezas estejam auctorisadas? Para que fallas, para que censuras os teus collegas das administrações passadas? Para que lhes pedes os votos para presidente? Tu, presidente—guarda de cemiterio! Tu, presidente! Quando, como simples vereador, tens embrulhado tudo, tens desacreditado tudo! Tu o unico culpado dos desastres que ultimamente tens feito soffrer a uma população que precisa de socego! D’uma camara que precisa de paz e de ordem; porque tu és a desharmonia e a desordem! Vae pentear macacos! Vae enterrar defuntos!... Mas... e a scena que eu prometti traçar? Fica para a primeira occasião. Cagliostro.
Almodovar. 9 do 1.º de 1881. Sr. redactor
Teve logar no dia 7 a reunião dos senhores maiores contribuintes; foi regeitada a proposta do sr. presidente da camara por mais de tres quartas partes da assembléa, sendo em seguida approvada uma lista toda progressista. A minoria compunha-se de tres ou quatro membros, e entre elles via-se um que bem patenteava, na physionomia, a procella do seu espirito! Tive desgosto de o ver assim; resignação... resignação, que é um dos dogmas da nossa santa religião.
Messejana. 10 de janeiro de 1881. Sr. redactor
Vimo-nos obrigados a vir á imprensa para explicar o procedimento do partido progressista deste concelho na eleição da commissão do recenseamento, que os regeneradores venceram aqui por unanimidade. Como é publico e notorio, existem em Aljustrel, para descrédito do concelho, dois intrujões sem convicções politicas, que hoje se dizem progressistas com a mesma imprudencia com que hontem se jactavam de regeneradores, e como amanhã se dirão miguelistas ou republicanos, segundo melhor convier aos seus interesses pessimos. Esses individuos são, como todos sabem, o sr. Muatt, e o seu amoço de recados, vulgarmente conhecido pelo Pericos, dois aventureiros sem consideração alguma, que teem procurado sempre illudir o ex.mo sr. governador civil, arrogando-se uma importancia que ninguem lhes reconhece n’este concelho. O partido progressista, por cuja tolerancia estes dois especuladores tinham a presidencia e a vice-presidencia da camara, graças a um progressista do coração, reconheceu a necessidade e conveniencia de os pôr fóra na eleição que teve logar no dia 2, por verem que tanto um como o outro eram motivo de escarneo e zombaria quando passavam com aquella arrogancia e soberba que lhes é natural, já mais o patrão, porque o Pericos é mais digno de dó do que outra cousa. Ora este macaquinho feito administrador interino deste mal fadado concelho!... Do certo que foi um escarro atirado ás faces dos progressistas do mesmo! Isto não póde ser. E’ dar força aos nossos adversarios que com razão ficaram contentissimos por verem o descrédito que d’ahi nos provinha! Não queremos uma creança na administração; queremos um homem serio e circumspecto, que não tenha de receber ordens dos seus amos, e sobre tudo que não ande a dizer por essas ruas que se hade vingar, dando motivo á gargalhada d’aquelles que ainda não ha muito o conheceram de pé descalço. Nós esperamos que o ex.mo sr. dr. José Carlos, melhor informado da verdade dos factos, e da nenhuma importancia que em todo o concelho teem Muatt e Pericos, vulgarmente conhecido por um automato, ha de apressar-se em reconsiderar. De v. etc. Um progressista. (Segue-se o reconhecimento.)
Villa Nova de Milfontes. 31-12-80. Sr. redactor
Como costumo ser grato a todos que me tratam bem, venho por este meio agradecer aos honrados habitantes de Villa Nova de Milfontes a afabilidade com que me trataram durante um anno que aqui estive, regendo a cadeira de ensino primario desta villa; e como acabo de ser transferido para a de S. Martinho das Amoreiras, para onde parto no dia 5 de janeiro, a todos dou um adeus de sincera amisade, especialmente aos srs. Prior, Conceição, Estrella, Peixoto, Gomes e Almadas, a quem offereço a minha casa e o meu limitado préstimo n’aquella terra. E a v. sr. redactor faz o mesmo offerecimento o de v. etc. J. A. d’Oliveira.
Almodovar. 7 de janeiro de 1881. Sr. redactor
Li o communicado desta localidade inserto no Jornal do Povo n.º 260, de que é auctor o sr. João Rodrigues de Brito, e declaro que fiquei extasiado! correndo em seguida a congratular-me com minha mulher por ter um irmão, cujo talento passará á posteridade! Quem ha aqui que possa a elle comparar-se? Oh! ninguem... ninguem! Patria feliz, berço de tal genio! Ditosos parentes que possuem campeiro tão denodado e lidador tão abalizado e decente!!!... A verdadeira apologia d’aquelle escripto fica para a opinião publica. Pela inserção destas mal traçadas linhas no seu jornal lhe fica summamente agradecido o de v. etc. Manoel Joaquim Inglez.
Aldeia Nova. 27 de dezembro de 1880. Sr. redactor
No dia 21, constou nesta Aldeia, que o illustre regedor, o bem conhecido Antonio Rodrigues Borralho, tinha na tarde do dia 20 mandado chamar, dizem uns que a pedido do sr. padre Dias, dizem outros que tudo filho da fertil e infernal imaginação do tal Borralho regedor, Maria Nazaria, para lhe perguntar qual a razão porque ella dizia que não queria o sr. Padre Dias por prior, e que ella respondera que não gostava d’elle, e que o mesmo diziam quasi todas as mulheres; em seguida foram chamadas mais algumas, e sendo-lhes feitas eguaes perguntas, obtiveram as mesmas respostas; note ar. redactor, que as perguntas e respostas foram dadas na presença do sr. padre Dias. O sr. regedor, porém, vendo que taes declarações não produziam o que elle desejava, e querendo alimentar sua indole ferina, lembrou-se que devia dar parte de que na noite de Natal devia rebentar uma sublevação, e que por isso era necessario aqui uma força, isto não só com o fim de pôr em alvoroto as auctoridades, maçar os militares, e desacreditar os moradores d’esta Aldeia, senão mesmo para ver se podia comprometter alguem. Com effeito no dia 24 ao meio dia chegou aqui uma força de 28 praças, e o que encontrou? Tudo em um pleno socego, socego que se tem conservado e conservará sem o auxilio da força armada, pois a não ser o sr. Borralho ninguem é capaz de promover uma sublevação, porque todos teem que perder. Esta força, que aqui está, o que encontrou foi os habitantes de braços abertos para a agasalhar e mais nada, e para prova appellamos para o testemunho do dignissimo alferes, 1.º sargento aspirante e mais praças que vieram na diligencia. Agora perguntaremos. Aonde é que está, ou esteve, a revolta? Só na esclarecida mente do inclito Borralho regedor, visto que duas ou tres mil almas, de que se compõe esta freguezia, não sabem de semelhante cousa. Creia, sr. redactor, que se por acaso algum dia houver alguma sublevação n’esta Aldeia, posso-lhe affirmar que não é por causa dos padres presentes, ou futuros, mas sim por causa dos actos de tal regedor. De v. etc. [ilegível]