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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 976
58 notícias

Parte Official

Política e administracção do EstadoDecretos e portarias

Decreto regulando a maneira de se proceder ao sorteio dos corpos administrativos.

Parte Official

Política e administracção do EstadoDecretos e portarias

Portaria declarando que o serviço dos engenheiros e conductores de trabalhos, que servem ás ordens dos directores de obras publicas nos differentes districtos, é incompatível com o das repartições districtaes de obras publicas; devendo as juntas geraes dos districtos, ou as commissões executivas, quando necessitarem de pessoal technico, requisital-o ao governo pelo ministério das obras publicas.

Parte Official

Educacção e instruçãoJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCrimesEscolasGoverno civil
Governo Civil

Ditta ao governador civil de Angra para que ordene ao secretario geral, que em conselho de districto requeira a annulação das deliberações tomadas pela junta geral com relação ao corpo de policia civil e escola normal.

Parte Official

Município e administracção local

Ditta ordenando que os governadores civis dos districtos do continente e ilhas expeçam as mais terminantes ordens aos administradores dos respectivos concelhos e camaras municipaes, a fim de que cesse a pratica abusiva de se empregarem como medidas os copos de vidro na venda de bebidas, e sejam obrigados os vendedores que d’elles fizerem uso a medir primeiro pelas medidas legaes, cumprindo que a esta determinação se dê a maior publicidade por meio de editos, e que se appliquem nos infractores as penas comminadas pela lei.

Parte Official

Economia e comércio

Ditta determinando que os officiaes directores de rancho, quando não haja deposito de generos nos corpos, ou estes não sejam fornecidos por estabelecimentos, recebam a importancia para pagamento dos generos de cinco em cinco dias, e sendo os fornecedores donos de estabelecimentos, paguem a estes os conselhos administrativos.

Parte Official

Geral

Ditta, para que se exija aos menores, quando assentem praça, auctorisação expressa de seus paes ou tutores.

Os successos

Geral

Foi extincta a inspecção das obras publicas dos Açores.

Os successos

Cultura e espectáculoPolítica e administracção do EstadoGoverno civilLivros e publicações
Porto · Portugal Governo Civil

Foi nomeado governador civil de Castello Branco, o sr. Simões Ferreira, redactor do Jornal do Porto.

Os successos

Política e administracção do EstadoGoverno civil
Governo Civil

Pedio a sua exoneração o governador civil da Guarda.

Os successos

Exército

Foi suspenso o director do collegio militar, o sr. general Sá Carneiro.

Os successos

Exército

Em consequencia de graves irregularidades encontradas no 12 de infantaria, foram passadas á inactividade, por castigo, o coronel, o tenente coronel, o major e um alferes.

Os successos

Transportes e comunicaçõesCorreio

Foi demettido o director do correio de Guimarães.

Os successos

Geral

Foi dissolvido o conselho do districto de Aveiro.

Os successos

Geral

Foi demettido o commissario dos estudos de Horta.

Os successos

ReligiãoCulto e cerimónias

Foi dada por finda a missão diplomática de que tem estado encarregado o sr. visconde de S. Januario.

Os successos

Política e administracção do EstadoDecretos e portariasEleições
Interpretacção incerta

Amanhã deve apparecer no Diario o decreto marcando o dia 19 de outubro, para a eleição de deputados. Assim o diz o Progresso de [ilegível].

Justiça e ordem públicaCrimes
Odemira · Portugal

O sr. juiz de direito de Odemira foi transferido para o Cartaxo.

Publicou

Geral

se o 4.º fasciculo dos Apostolos.

Serpa · Portugal Geral

O sr. Antonio de Mello Breyner, recebedor da comarca de Serpa, tem licença por 30 dias.

Economia e comércioEstatísticas

A conta da receita e despesa do cofre central deste districto no mez de junho, foi a seguinte: Receita: Ordinaria 11:146$074; Operações de thesouraria 19:936$879; Transferencias 1:876$063; Saldo 110:695$668; Total 143:654$684. Despeza: Ministerios 16:161$737; Junta do C. publico 63:000$000; Operações de thesouraria 4:028$435; Saldo 60:464$512; Total 143:654$684.

Geral

Tem 6 mezes de licença o vogal do conselho districtal, o sr. Francisco Antonio de Castro e Lança.

Educacção e instruçãoReligiãoConcursos e provisões
Igreja

Está a concurso a egreja paroquial de [ilegível].

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
Caminho de ferro

O caminho de ferro de sueste na semana finda em 15 de julho rendeu rs. 7:469$460, mais 539$680 rs. do que em egual periodo do anno passado.

Economia e comércioFeiras

Na noute de segunda feira os amigos do alheio arrombaram a porta da entrada do prédio do sr. dr. Virgolino e uma outra interior, e terça feira foi encontrada uma gazua junto á porta da casa do sr. Antonio Eduardo Baptista Freire.

Município e administracção local
Odemira · Portugal

No dia 6 de outubro vão á praça differentes bens nacionaes, no concelho de Odemira.

Publicaram

Geral

se os fasciculos 83 e 84 do Diccionario de geographia.

Cultura e espectáculoTouradas
Beringel · Portugal

Sabbado ha tourada em Beringel.

Economia e comércioFeiras

As amas dos expostos receberam, segunda feira, os salarios do mez de agosto.

Município e administracção localReligião

No segundo gabinete da secretaria da camara ficou, em um medalhão, desenhada a casa em que nasceu o padre José Agostinho de Macedo.

Município e administracção localNomeações e cargos
Ourique · Portugal

Foi nomeado administrador substituto do concelho de Ourique, o sr. Ayres Luciano de Vasconcellos.

Município e administracção localTransportes e comunicaçõesCorreio
Alvito · Beja · Lisboa · Torrão · Portugal Câmara Municipal · Correspondência

Por falta de franquia está retida no correio de Lisboa entre outra correspondencia: um impresso para a camara municipal de Alvito, um ditto para Raymundo Gonçalves Moniz, Torrão, e um ditto para Jacintho Augusto Xavier de Magalhães, Beja.

Moura · Portugal Geral

Tem 15 dias de licença o sr. delegado do procurador regio na comarca de Moura.

ExércitoBanda militar

Domingo, no largo nove de julho, tocou desde as sette ás nove da noute, a banda do 17 de infantaria.

Publicou

Religião

se a 26.ª caderneta dos Padres e Beatos e a 5.ª dos [ilegível].

ExércitoNomeaçõesTransferências

O sr. Manoel da Costa Cascaes, capitão do 17 de infantaria, foi transferido para caçadores n.º 8, e do 13 de infantaria foi transferido para o 17 da mesma arma, o sr. capitão Arnaldo Belisario Barbosa.

Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordens
Lisboa · Portugal

Differentes jornaes de Lisboa louvam a maneira energica como um cabo e alguns guardas do corpo de policia civil deste districto se conduziram em Lisboa intervindo n’uma desordem junto á praça da Figueira.

EstatísticasSaúde e higiene públicaHospitais
Hospital

O movimento de doentes no hospital civil, no mez de agosto, foi o seguinte: Varões—existiam no primeiro do mez 22, entraram durante o mez 47, total 69. Femeas—existiam no 1.º do mez 18, entraram durante o mez 20, total 38. Sahiram: femeas, curadas 22, para o cemiterio 4, ficam existindo 12, somma 38; varões, curados 42, para o cemiterio 5, ficam existindo 22, somma 69. Total 107.

Saúde e higiene públicaHospitais
Hospital

O tratamento de cada doente no mez de julho custou ao hospital 127,6 reis.

Município e administracção localSaúde e higiene públicaHospitais
Aljustrel · Beja · Cuba · Mértola · Ourique · Portugal Hospital

De 67 doentes entrados em julho no hospital, 34 eram de fóra do concelho; e de 66, em junho, 37 tambem não pertenciam ao concelho de Beja. Os concelhos donde vieram mais doentes foram Cuba, Mertola, Aljustrel e Ourique.

ExércitoNomeações

Foi promovido a tenente o collocado no 17 de infantaria, o sr. Francisco Pereira da Cunha Corte Real.

Meteorologia e fenómenos naturaisSecas
Almodôvar · Beja · Portugal

O sr. Manoel de Oliveira Junior, foi nomeado chefe fiscal da secção de Beja, e o sr. João Maria de Almeida, da de Almodovar.

Educacção e instruçãoExamesProfessores

Fizeram exame, n’este districto, para professores de ensino primario do sexo masculino 4 individuos, que obtiveram a classificação de sufficientes. As senhoras que se habilitaram para o professorado foram duas.

Município e administracção localSaúde e higiene pública
Aljustrel · Portugal

Continuam as febres, no concelho de Aljustrel, a fazer victimas.

Meteorologia e fenómenos naturaisSecas
Évora · Moura · Portugal

Foi transferido para a direcção das obras publicas de Evora o engenheiro, chefe de secção em Moura o sr. José Victor da Costa Sequeira, e o de Evora para esta direcção o sr. engenheiro Silva Monteiro.

Mertola

Meteorologia e fenómenos naturaisTrovoadas
Mértola · Portugal

No dia 14 de agosto uma medonha trovoada acompanhada de agua de pedra, causou na mina de S. Domingos mortes e grandes prejuizos. Um raio demolio um casebre, nas proximidades de Picantes, foram arranhadas muitas arvores e bem assim em Morianes, e morreram o serralheiro Venancio e um outro individuo.

Mertola

Município e administracção local
Mértola · Portugal Câmara Municipal

Está concluído de pintura o segundo andar e a escada interior dos paços do concelho.

Hospital civil de Beja

Arqueologia e patrimónioSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaBeneficênciaDescobertas e achadosHospitais
Beja · Portugal Hospital

No mez de agosto o hospital civil recebeu do ex.mo sr. José Alexandre Palma Machado duas carradas de palha de centeio para as enxergas; do ex.mo sr. Cesario Affonso Camacho uma ditta; do ex.mo sr. Manoel de Castro e Britto, uma de palha para as cavalgaduras; e do ex.mo sr. Fernando Guilherme Guedes Pimenta uma ditta de lenha. A mesa agradece os donativos. Beja, 1 de setembro de 1879. O provedor José Augusto Guerreiro de Aboim.

Bibliographia—Os Apostolos

Preços

Está publicado o 1.º volume d’este magnifico romance continuação do Martyr do Golgatha, por Henrique Peres Escrich. É ornado com quatro lindíssimas gravuras habilmente executadas pelo distincto gravador o sr. Alberto. Custa brochado 600 reis.

Bibliographia—A educação do marido

Cultura e espectáculoLivros e publicações

É este o titulo d’um livro do sr. José Felix Pereira da Chamusca. O livro foi editado pela nova casa Livraria academica, recentemente aberta na rua Augusta, 102 e 104.

Bibliographia—A Moda Illustrada

Economia e comércioTransportes e comunicaçõesCorreio
Lisboa · Portugal Correspondência

Publicou-se o n.º 17 d’esta excellente folha e que é correspondente a 1 do corrente mez. O summario é o seguinte: Gravuras: Vestido de falhe, setim e pekin; Trajo de gase e setim; Cesto para papeis; Trajo para senhora nova (frente e costas); Ponta de gravata; Dois entremeios; Entremeio feito de bordado inglez e ponto cheio; Babadouro; Trajo curto feito de pekin e falhe; Sanefa bordada; Guarnição bordada; Quadrado de rede bordada; Vestido curto para menina de quinze a vinte annos (frente e costas); Enygma. Supplementos: Figurinos de modas, coloridos; Folha de moldes e debuchos. Artigos: Correio da moda; De relance; Á sombra dos lilazes; Entreactos; Creanças e flores; Os lilazes brancos (romance); Correspondencia; Mil e um receitas, etc. Assigna-se na empreza Horas romanticas, rua da Atalaya, 42, Lisboa.

Bibliographia—Maravilhas da creação

Preços
Lisboa · Brasil · Portugal Exterior / internacional

Distribuiu-se a folha 21.ª d’esta importantissima obra. Traz os seguintes gravuras: lobos-tigres, raposo vulgar e o aguaraça ou raposo do Brazil. Cada folha custa 60 reis. Os pedidos devem ser dirigidos ao sr. Pedro Posser, livraria Franco Lusitana, rua do Ouro, 248, Lisboa.

Bibliographia—Jornal de Viagens e Aventuras de Terra e Mar

Cultura e espectáculoLivros e publicações

Está publicado o numero 15 d’este curiosissimo e indispensavel semanario geographico. Vem como os numeros anteriores esplendido e de dia para dia se torna mais digno do favor publico que tão lisonjeira e justamente lhe tem sido escasso.

Bibliographia

África Exterior / internacional · Geral · Interpretacção incerta

As primeiras folhas do romance A Africa mysteriosa devem apparecer na próxima semana.

Bibliographia

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Lisboa · Portugal

Vae muito adiantada a publicação do 5.º volume do romance O visconde de Bragelonne, continuação dos Tres Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Os quatro volumes custam brochados 2:000 reis. Os pedidos devem ser dirigidos á bibliotheca Alexandre Dumas, Lisboa. Sebastião J. Baçam.

Lisboa—11-9-79. (Correspondência particular.) Meu charo redactor

Cultura e espectáculoEconomia e comércioPolítica e administracção do EstadoDebates políticosEleiçõesFeirasLivros e publicações
Lisboa · Portugal Correspondência

Á accusação que me faz a Emancipação tenho a dizer que é uma questão tão mesquinha como mesquinha é a memoria do reproduetor que ao menos se não lembra que o meu protesto se acha exarado em o n.º 957 d’este jornal e a minha defesa em o n.º 10 da Tribuna do Povo. Era assim que eu queria as respostas ás minhas interrogações; mas o desespero que vos leva a lançar mão de uma insignificância tal é o não terdes outra arma com que me possaes ferir, posto que essa, adulterada accusação para mim seja honrosa porque cumpri o meu dever e nada mais. Reunio na segunda feira 1 do corrente a assembléa geral do centro republicano de Lisboa. Ás 9 horas da noite abriu-se a sessão servindo do presidente o cidadão Sousa Brandão e de secretarios os cidadãos drs. E. Maia e Assumpção. Foi lida e approvada a acta da sessão antecedente, não houve correspondencia. O cidadão presidente poz á discussão uma proposta do cidadão J. Sequeira, em que propunha que o centro convidasse o cidadão dr. E. Maia a que retirasse a sua candidatura pelo circulo 94. Tomou a palavra o cidadão Silva, delegado do centro federal, e expôz á assembléa que o centro republicano federal mantinha firmes as suas resoluções com respeito á candidatura do cidadão dr. E. Maia, e requereu para que a assembléa resolvesse n’esta sessão se o centro tomava ou não parte nos trabalhos eleitoraes pelo circulo 94. Foi tomado em consideração este requerimento e submettido á discussão. Tomou a palavra o cidadão C. M. Pereira e manifestou desejo que se não votasse o requerimento do centro federal sem que estivesse realizada a colligação com o grupo da Travessa da Assumpção. Alguns cidadãos cujos nomes me não recordam, tomaram a palavra e demonstraram ao cidadão C. Martins Pereira que nada tinha que ver a votação do requerimento com a colligação; tomaram a palavra ainda sobre este assumpto os cidadãos drs. E. Maia e Assumpção e foi votada a proposta conjuntamente com o requerimento; houve 5 votos de maioria a favor da eleição do cidadão dr. E. Maia pelo circulo 94. O cidadão dr. E. Maia apresentou uma proposta para que se propuzesse a candidato pelo circulo 97 o cidadão Latino Coelho, decano do partido republicano; a proposta foi posta á votação e ficou sobre a mesa para ser discutida na próxima reunião. Tomaram a palavra sobre este assumpto os cidadãos drs. P. P. Ribeiro e E. Maia. O cidadão C. M. Pereira apresentou uma proposta para admissão de um novo socio. A sessão encerrou ao perto de 1 hora da noute, mostrando todos os cidadãos que assistiram grande desejo de se começarem com os trabalhos eleitoraes. Vae sair um novo jornal republicano de que é proprietário e redactor o cidadão dr. E. Maia. Creio que já está baptisado mas por emquanto não lhe sei o nome. Reune-se sabbado 6 do corrente a assembléa geral do centro republicano federal, na sua casa na rua direita de St.º Estevão n.º 13, 2.º. Consta que já esta semana haverá um comicio convocado pelo centro republicano federal. É em Alfama. M. Bruno.

Beringel—3 de setembro de 1879. Sr. redactor

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAbastecimento de águaCemitériosEpidemiasEstradas e calçadasGoverno civilLimpeza urbanaMédicos e cirurgiõesObras municipaisPobres e esmolas
Beringel · Portugal Governo Civil

Mais uma vez chamamos a attenção dos poderes competentes para o estado insalubre desta povoação. Esta villa está, em parte, orlada pela ribeira, obstruida com balsa e grandes pedras movediças que obstam á sahida das aguas, e forma pantanos, medindo o lodo, sempre revolto pelos porcos, mais d’um metro de espessura, n’alguns sitios fazendo-se sentir as exalações pútridas a grande distancia, maxime pela manhã e á noite. Este perene foco d’infecção já visto pelo ex-governador civil, o sr. visconde da Boa Vista, e pelos senhores delegado de saude e director das obras publicas, quando o povo enfermou quasi todo, em poucos dias, fazendo-se derivar o mal do pernicioso ar que respiramos, sendo a ribeira quem nos envenena e mata. Muito boas palavras, muito projecto, e muito pouca boa vontade, porque nada se fez, ficamos no mesmo estado, sendo certo que o mal se aggrava. O bem estar do povo, a saude, é coisa muito secundaria para que se trate a serio. Paga, e geme!... A parte da villa não orlada pela ribeira, tem uma orla de grandes depositos d’estrume até mesmo proximo dos poços publicos; no centro deste circulo de peste vivemos nós, tendo em uma grande parte dos pequenos quintaes um ou outro foco d’infecção, porque os quintaes só são limpos de anno a anno, e n’esta época o lixo reune-se na rua até que seja transportado para o deposito, ou para as terras, operação que dura muitos dias; muitos dos quintaes só tem communicação pela casa de habitação, e muito devem soffrer os donos da casa porque muito soffrem os vizinhos ainda os mais afastados. Se este estado de coisas continuar, as consequencias podem ser fataes para este povo. O distincto medico, o sr. Joaquim Baptista Ribeiro, que com a maior assiduidade visita este povo duas vezes na semana, póde bem justificar o que dizemos, e sabe que a parte do povo que mais soffre, é o que mais em contacto está com a ribeira. Quanto não soffrem as pobres lavadeiras que vão para a ribeira pelas tres e quatro horas da manhã e na ribeira passam o dia expostas a um sol abrasador! Para que tudo seja contra nós, até houve a atilada lembrança de construirem o cemiterio muito proximo da villa, ao norte, ficando-lhe perto, lado inferior, um dos poços publicos! O terreno é mau porque abre grandes fendas, e por pouco fundo, resulta que n’este recinto se dê pelas exalações logo que aqui se entra. O mal está feito, e como está feito não se remedeia! Quando isto se dá em uma importante freguesia, outrora concelho, a 11 kilometros da capital do districto, não nos deve surprehender do que se passa por ahi além! Continuando muito na illustração e seriedade do actual chefe do districto, temos plena confiança em sua ex.ª, esperamos algumas providencias que pelo menos attenuam o mal que soffremos, porque este estado é impossivel. F.

Beringel—10 de setembro de 1879. Meu charo redactor

ReligiãoSaúde e higiene públicaCulto e cerimóniasEpidemiasvacinação
Beringel · Portugal Interpretacção incerta

Ás febres intermittentes e remitentes, veio associar-se sarampo e bexigas. As moléstias epidemicas encontram aqui optimo alimento para medrarem; muito rapidamente occupam a terra, dada a indole perniciosa da insalubridade, e culpa de quem tem a seu cargo a espinhosa missão de velar pelo bem estar dos povos. Convirá vaccinar nesta occasião? Parece que sim porque já aqui se vaccinou na presença d’uma grande epidemia, com bom resultado; muitos dos vaccinados tiveram bexigas mas benignas, emquanto que os não vaccinados foram em grande parte victimas do terrível mal. Como seu valioso auxilio em favor dos que soffrem, conta sempre o seu affectuoso amigo F.

Querella—Vizeu, 7 de setembro de 1879. ... sr. redactor do Bejense

Cultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaBeneficênciaCorreioDenúncias e queixasDiligênciasFeirasJulgamentosLivros e publicaçõesMercados e feirasObras de infraestruturaObras municipaisPrisõesRepartições públicas
Aljustrel · Beja · Messejana · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

No seu jornal de 23 de agosto vem, segundo tenho por noticia, uma correspondência de Aljustrel, na qual o seu auctor, continuando no assumpto que se propõe—na defeza do director do correio—transcreve uma cousa a que elle chama documento, que, na sua estulta opinião, prova que eu, sendo administrador d’aquelle concelho, menti (sic) ás repartições superiores quando disse que o director do correio deixou de me mandar, repetidas vezes, a correspondência official de Messejana. Pondo de parte os insultos que o auctor, sempre cuidadosamente envolvido na capa do anonymo, continua a dirigir-me, por não ser este o tribunal proprio para lh’os fazer engulir, e sem propósito de me occupar desde já detidamente do assumpto, por me parecer conveniente aguardar o resultado das providencias que pedi ao ex.mo sr. director geral dos correios, examinarei o celebrado documento, que se alguma cousa podesse provar, fundamentaria certamente a condemnação daquelle empregado. Como da sua leitura se vê, não passa de uma simples declaração, que do official de diligencias, José Barão, só tem a lettra. N’essa redacção, nem a orthographia é do signatário d’ella. A prova d’esta minha affirmativa encontra-se na administração do concelho em todas as certidões por elle passadas, como official de diligencias, não obstante o afanoso trabalho que os empregados da secretaria teem para o dirigir, escrevendo em seguida as lettras, segue-se que houve alguém que, exercendo uma obra de caridade, o esteve ensinando, com paciencia verdadeiramente evangelica, a redigir e a collocar por sua ordem os differentes caracteres de que se compõem as palavras empregadas na declaração. Quem foi? Naturalmente aquelle que n’isso tinha interesse. Logo o documento tem o vicio da origem, e não pode, por isso, merecer consideração alguma. E que o documento tem o vicio de origem, facilmente o reconhecem aquelles que sabem, que elle foi feito na repartição do correio, em cima do proprio balcão, onde se aparta a correspondencia, sob as vistas do interessado..., conforme este mesmo confessou a individuos, que nem todo o vinho de Aljustrel é capaz de fazer mentir, accrescentando por essa occasião, que o salvará o official de diligencias, e deixando assim aquelle documento, debaixo de suspeita sobre a sinceridade com que foi assignado. Vejamos a declaração. N’ella affirma o signatario que o sr. director do correio sempre lhe tem empregado TODA a correspondencia, tanto official como particular, para a administração do concelho, sempre que a tem reclamado á abertura das malas, á excepção de um officio que lhe não foi entregue pelo mesmo sr. director do correio na noute de 4 de outubro ultimo, mas sim no dia 5 pelas nove horas da manhã. Ponhamos de parte a nossa justa indignação em presença de uma tal monstruosidade, de que nos havemos de occupar opportunamente, e registe-se desde já a confissão que fazem, por não poderem negal-o, de que o director commetteu a gravíssima falta de não entregar, quando lhe era reclamada, a correspondencia official. Mas agora diga-me o defensor anony mo: como quer harmonizar aquella falta com o predicado que attribuiu ao seu cliente, de ser elle o unico empregado digno que tem vivido n’aquella villa? Não merecia a pena elevar tão alto o director do correio para em acto continuo o precipitar tão desastradamente na lama! Mas a declaração affirma que o heroe que defende abusou uma vez, dirá ainda o anony mo; por ventura só se queixou uma vez o official? Uma vez que o anony mo offerece o documento como prova plena de que eu menti officialmente, analysâmos esse mesmo documento, para mostrarmos a sua nenhuma importancia. Não se affirma n’elle que o director entregou sempre toda a correspondencia ao official, quando este a reclamava? Afirm a. Que credito pode merecer semelhante affirmativa? Era por ventura o official de diligencias quem abria as malas e apartava a correspondencia? Não. Logo nem podia saber se havia correspondencia official, senão no acto de o director lh’a entregar, nem tão pouco tinha elementos para saber se aquella que elle lhe entregava era TODA a que havia. O proprio facto que apresentaes como succedido na noute de 4 de outubro prova á evidencia, que o official não tinha elemento algum para conhecer se o director, entregando-lhe a correspondencia official, a dava TODA ou não. Era ainda o official quem abria os officios, para ao menos pela data d’elles poder conhecer se sim ou não haviam vindo retardados? Não. Ora se o official de diligencias, José Barão, não tinha, como fica demonstrado, elementos para reconhecer se o director do correio, quando lhe entregava a correspondencia official, lh’a entregava sempre toda quanta havia, ou se só lhe entregava parte, segue-se que a sua affirmativa, além de absurda, tem o defeito de provar de mais, e o que prova de mais não prova nada. Além d’isto accresce a circumstancia de ser o José Barão o unico official que tinha, e creio ter ainda, a administração do concelho, e ter, por isso, de ir muitas vezes em serviço ás differentes freguezias ruraes, de que se compõe o concelho, e á cabeça da comarca, onde ficava repetidas vezes mais de um dia, sendo em taes casos substituído pelo official da camara, que era quem então reclamava do correio a correspondencia official, succedendo-lhe um dia o facto de caminhar, desde pela manhã até ás 3 horas da tarde, para a direcção do correio, a fim de receber a correspondencia que se esperava com urgencia de Messejana, sem que de nenhuma das vezes que lá foi podesse conseguir encontrar o director, ou quem suas vezes fizesse, vendo-me eu na necessidade, para salvar a minha responsabilidade, de fazer levantar um auto de investigação, em que depuzeram como testemunhas, além do official, as pessoas que presenciaram o facto de ter estado sem pre a repartição do correio fechada. Desfeita assim a unica prova que produziram contra mim, fica de pé a affirmativa official que fiz de que o director do correio deixou repetidas vezes de me mandar a correspondencia official. Poderia agora demonstrar até á saciedade que o director praticou aquelle abuso repetidas vezes, e quando não tivesse as provas que tenho, soccorrer-me ao vosso proprio documento, que, em que vos pene, hade ser a vossa cruz; mas não o faço, porque tendo vós allegado o facto, é a vós mesmo a quem incumbe proval-o, para não terdes de justamente ser alcunhados de calumniadores. Forjae, pois, outra prova, na certeza de que me encontrareis sempre prompto a explicar as minhas acções de empregado publico, sem ter, como o meu accusador, de me encobrir com a capa do anonymo, á guisa do palhaço de feira, que precisa esconder no alvaiado o seu asqueroso rosto. Pela inserção d’estas linhas, sr. redactor, lhe ficará summamente reconhecido o de v. etc. M. J. Rodrigues de Figueiredo. Beja, Typ. do Bejense, r. da Cadeia [ilegível].