Theatro
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasMeteorologia e fenómenos naturaisCalor extremoTeatro
Representou-se no domingo, a Mãe dos Escravos drama em 4 actos. O sr. Aristides Abronches baseou a sua bella producção dramatica no romance a Cabana do pae Thomaz e soube aproveitar-se discretamente de todos os lances e conservar, no quadro os toques que Stowe tão admiravelmente lhe imprimiu. A acção, é verdade, que corre um tanto precipitada mas ainda assim, nada perde e o effeito que produz é maravilhoso. Se não conhecessemos o auctor diriamos que andava por ali Cesar de Lacerda, escriptor que sabe como ninguem, prender e enthusiasmar as plateas. E a noute de domingo foi de enthusiasmo. A companhia teve quatro chamadas e o sr. Soares Mendonça e D. Maria José tiveram-as especiaes e bem as mereceram. Depois do Segredo de uma familia e das Lagrimas abençoadas, a Mãe dos Escravos é o drama mais bem distribuido que a companhia nos tem apresentado. Collecou o auctor do drama no primeiro plano Thomaz, Elisa, Toker e Kentucky, no segundo temos Jorge, Erangelina e Saint-Clair e completam o quadro Emilia, Joanna, Topsy e outros. Ao sr. Sá Durão coube a parte de Topsy, de Joanna á sr.ª D. Adelaide e a de Emilia á sr.ª D. Candida. Posto que destes actores alguns estivessem deslocados, como os papeis eram de pouca significação, não se desmancharam. Foram mui soffrivelmente. O sr. Silva Junior foi Jorge e não desagradou e o sr. Sanguinetti (Saint-Clair), disse o seu papel com o cuidado e correcção com que costuma. Teve, é verdade, principalmente no terceiro acto, difficuldades que não poude superar mas se não se elevou á altura onde o auctor collocou Saint-Clair, tambem não desceu muito. No todo satisfez. O papel de Erangelina desempenhou-o a sr.ª D. Mathilde. Ninguem diria que aquella creança toda meiguice e bondade era a travessa Eucharis do Joven Telemaco, a maliciosa Atacadoeira dos Dois mundos. De quem como a sr.ª D. Mathilde, apenas começa a balbuciar no palco não se pode exigir mais. Elevou-se, até onde podia elevar-se e se a tivessem dirigido, com mais alguma attenção, dar-nos-hia um Evangelina completa. Ha na sr.ª D. Mathilde intelligencia e o seu natural pendor para a carreira a que se dedica revela-se todos os dias. Dirijam-na que ainda hade fazer-se escutar em theatros de outra ordem. Resta-nos fallar de Kentucky (o sr. Silva Manoel) Eokerin (o sr. Soares) Thomaz (o sr. Mendonça) e Elisa (a sr.ª D. Maria José). O sr. Silva (Manoel) caracterisou a parte que lhe confiaram com o seu costumado esmero. Nada deixou a desejar. O sr. Soares foi bem no acto 4.º especialmente, e dizendo que indignou os espectadores a ponto de prorompêrem em espontâneos applausos quando o viram flagelado por Kentucky e vencido por Saint-Clair, está feito o seu elogio. O sr. Mendonça trabalhou do coração, foi egual em todo o decurso do drama e confessamos que nos surprehendeu velo subir tanto na prece, no terceiro acto, no juramento, no segundo, e traduzir tão fielmente as saudades que lhe iam n’alma ao dizer a Erangelina como lhe chamavam em casa de Shelby. Que o seu trabalho não passou desapercebido para o publico bem o demonstraram os applausos que recebeu. Falta-nos fallar da sr.ª D. Maria José. Muito de proposito nos reservámos para o fazer n’este logar porque quizemos fechar a noticia com chave de ouro. A sr.ª D. Maria José fez o papel de Elisa com consciencia e circuminspecção. Demonstrou mais uma vez o seu grande talento. Porque estuda com afan e observa com rectidão de espirito, a sr.ª D. Maria José consegue, sempre, seja qual for o genero em que trabalhe, sair-se com vantagem. E na interpretação de Elisa foi muito feliz. Foi de certo assim que o auctor do drama a phantasiou. A sr.ª D. Maria José foi esposa e mãe. Soube modelar a voz, nos differentes tons do seu papel; soube dar-lhe relevo. O publico enlevado, pagou com calorosa ovação o desempenho de Elisa. D’este lugar fazemos como elle. Applaudimol-a tambem. Hontem tivemos, em beneficio do sr. Silva (Manoel) o mesmo espectaculo e dos que n’elle tomaram parte só a sr.ª D. Mathilde esteve feliz. Domingo sobe á scena O 29 ou Honra e Gloria. É uma peça de grande appaialo e de muito bom effeito, e a noute de domingo deve passar-se mui agradavelmente porque toma parte no espectaculo o auctor do drama e distincto actor o sr. José Romano, que, veio de Lisboa expressamente para representar o papel principal. Convidamos pois o publico a ir ao theatro.
Edito
Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoComércio localDecretos e portariasFestas religiosasIndústriaObras municipaisObras religiosasRepartições públicas
O Diario publica o seguinte: Havendo Francisco Barreto de Moreira e Lança e Rafael da Cunha Barradas pedido a concessão provisoria da mina de manganez do Barreio, situada na herdade de Villar, freguezia de Santa Victoria, concelho e districto de Beja, da qual Manuel Luzia, Antonio dos Santos e Francisco Barreto de Moreira e Lança foram declarados descobridores legaes em portaria de 11 do corrente anno (Diario do governo n.º 136); convidam-se todas as pessoas, a quem a pedida concessão possa prejudicar, a apresentarem as suas reclamações no ministerio das obras publicas commercio e industria, dentro do prefixo praso de sessenta dias, contados da publicação d’este edito no Diario do governo. Repartição de minas, em 5 de julho de 1869.—João Maria Leitão.
Novena
Cultura e espectáculoReligiãoConcertosFestas religiosas
Amanhã começa a novena de Nossa Senhora do Monte do Carmo; no domingo 18 ha festividade por musica vocal e instrumental e é orador o sr. dr. Emygdio.
Erratas
No artigo principal do numero de hoje pagina 1.ª columna 3.ª linhas 12 onde se lê pegado, lea-se pregado e na mesma pagina e columna, linhas 28 onde se lê antigo lea-se artigo.
Esmola grande
Economia e comércioMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBeneficênciaCaminho de ferroEstacçõesFarmáciasImpostos e finançasPobres e esmolas
Os pobres do concelho de Beja, Serpa, e Mertola bem dirão da esmola que s. ex.ª o sr. Visconde de S. Domingos lhes manda distribuir. Essa grande porção de quinino que s. ex.ª manda offerecer aos pobres, que luctarem com as intermitentes, que nesta estação tanto os affligem, vem salvar muita vida. Quantos e quantos miseraveis não morrem por ahi victimas d’estas febres endemicas, por não terem meios de mandarem ás boticas comprar o quinino?! Em Beja e Mertola, suppomos nós, que ha pharmaceuticos, que bem dizem tambem da doação, e que se lhe falarem se prestarão a preparal-o, e a distribuil-o pelos pobres, porque assim se livram dos prejuizos que soffriam, quando lhe apresentarem receitas de pobres, que não podem satisfazer, o que elles por sentimentos humanitarios haviavam. Em Serpa é provável, que tambem os pharmaceuticos estimem a oferta de s. ex.ª. Suppomol-os dotados de bons sentimentos humanitarios, para rejeitarem o obolo, que s. ex.ª destina á pobreza, com cuja miseria ninguem deseja locupletar-se. As leis devem respeitar os sentimentos humanitarios, e quando se tractar de beneficiar a pobreza todo o homem deve concorrer, porque amanhã um vaivem da sorte póde collocar-nos a seu lado. Nós que amamos a pobreza, e que olhamos com caridade para os nossos irmãos menos favorecidos da sorte rogamos a Deos pelo bem estar de s. ex.ª, cujos sentimentos tão humanitarios, tão elevados, e só proprios d’uma grande alma respeitaremos, e bem diremos eternamente.
Distincção
ExércitoLicençasNomeações
Declara-se na ultima ordem do exercito que o alferes do regimento d’infanteria n.º 17, o sr. Manoel Antonio de Oliveira desistio da licença registada de oito dias que lhe tinha sido concedida pela ordem do exercito n.º 30 do corrente anno.
Exercicio
Economia e comércioExércitoFeirasTreinos e manobras
Sob o commando do sr. capitão Sardinha teve, na quarta feira, exercicio, um pelotão do regimento 17 d’infanteria.
Musica
Cultura e espectáculoExércitoBanda militar
Desde as cinco e meia até ás sette e meia da tarde, tocou no domingo, na praça, a banda do regimento 17 d’infanteria.
Eleições
Política e administracção do EstadoReligiãoEleiçõesFestas religiosas
A communidade religiosa de Santa Clara, elegeu no domingo a sua abadessa, e escrivã. Ficaram reconduzidas as do anno passado.
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaEleiçõesFestas civis e popularesIncêndiosTeatro
Para festejar a eleição houve theatro, no convento da Esperança. A recita porem foi perturbada por se haverem incendiado alguns panos. Felizmente os soccorros foram promptos e o fogo extinguiu-se. Assim mesmo perderam-se muitas cousas segundo nos dizem e de valor.
Outra
ReligiãoSaúde e higiene públicaFestas religiosasHospitais
No sabbado elegeu-se a mesa administrativa da santa casa da misericordia e hospital civil desta cidade e ficaram eleitos: Provedor: O ex.mo commendador Manoel Eleutherio de Castro Ribeiro. Escrivão: O sr. Caetano José Ferreira. Thesoureiro: O sr. Francisco Mattheus Palma. Mesarios: Henrique Maria da Fonseca; Lourenço Antonio da Silva; Constantino Feliciano de Menezes; Amaro da Silva Guia; José Baptista Vidigal; Joaquim Antonio Trindade; Miguel Thomaz Pereira; João Antonio Soares; José Maria Cuco.
Outra
Política e administracção do EstadoEleições
Na Sociedade bejense precedeu-se no domingo á eleição dos directores para o corrente semestre e foram mais votados os srs: Commendador Manoel Eleutherio de Castro Ribeiro; Casimiro Victor de Souza Telles; Dr. Manoel Martins de Sant’Anna; José Manoel Guedes Pimenta; João Candido Collaço Fees.
Outra
Política e administracção do EstadoEleições
No Club artístico bejense, houve no domingo eleição da nova direcção e a maioria dos suffragios recahio nos srs: João Carlos Carrasco Unicorne; Manoel Augusto Barreiro; Antonio Gaspar pos Santos Xavier; João Venancio da Costa; Antonio Pereira Leão; Candido Augusto Vargas; Manoel dos Prazeres Lança.
Calçada
Começou esta semana a calçar-se a rua da Infanta.
Diligencia
Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCrimesDiligênciasFeiras
Hontem á noute, sahio para a Vidigueira uma força do regimento 17 de infanteria. Vae policiar a feira.
Movimento da freguezia de S. João Baptista
Sociedade e vida quotidianaCasamentosFalecimentos
No mez de junho o movimento desta freguezia foi o seguinte: Baptismos—masculinos—2—femininos—2—total 4.—Casamentos—1.—Obitos 3 femininos.
Proclamas
Nos dia 4 de julho proclamaram-se nas freguezias da cidade: Bernardo Antonio, com Marianna Barbara, solteiros. Francisco Manoel, com Gertrudes Maria, solteiros. Joaquim das Dores, com Maria Francisca, solteiros.
Despacho
Arqueologia e patrimónioEducacção e instruçãoMunicípio e administracção localDescobertas e achados
Por trez annos foi despachado para a cadeira de ensino primario de Pedrogão, concelho da Vidigueira n’este districto, o sr. Antonio das Dores Bentes Junior.
Nomeação
Saúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacções
Para o logar de fiscal da estação de saude em Villa Nova de Milfontes, foi nomeado o sr. dr. Francisco José de Moura Junior facultativo em Odemira.