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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1073
27 notícias

Circulo 119 (Beja)—Candidato constituinte—MANOEL THOMAZ FERREIRA NOBRE DE CARVALHO. BEJA 22 DE JULHO

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Beja · Moura · África · Portugal Exterior / internacional · Governo Civil · Hospital · Interpretacção incerta

O circulo de Beja já tem candidato governamental. Annunciou-o o Districto de Beja a este seu povo. Não foi escolhido pelos eleitores do circulo: é imposto pelo governo que assim deseja mostrar o seu respeito pela opinião e pela vontade dos contribuintes do circulo. Não é o escolhido dos eleitores independentes; é apenas o candidato da auctoridade. Não ha muitos dias o mesmo jornal que hoje tão singellamente annunciou aos seus leitores que o sr. José Maria Borges é o candidato governamental por este circulo, não ha muitos dias, repetimos, que o Districto de Beja contestava ao candidato constituinte o direito de novo se apresentar ao suffragio popular, porque o sr. Nobre de Carvalho não prestára serviço algum ao circulo, não levantára a sua voz, para defender os seus interesses, para advogar não sabemos que princípios, na camara dos deputados. E o sr. José Maria Borges? Onde estão os discursos do illustre candidato em prol dos seus constituintes de Moura, que também são eleitores d’este districto? Em que se tornou conhecido o sr. Borges para que o seu nome baste a todos os eleitores que só agora o conhecem de nome? Nem por sombras contestamos as eminentes qualidades do illustrado juiz que vem procurar na urna d’este circulo a sua nomeação de deputado. Nem por um momento pomos em duvida o seu muito saber juridico. Mas ha muitos juizes de igual merecimento em Portugal, e nem por isso se julga cada um com o direito de exigir os suffragios dos eleitores do circulo de Beja, sem ao menos justificar esta sua ambição com outros títulos que melhor o recommendem á escolha dos eleitores. Confessamos que nos surprehendeu a noticia publicada pelo collega; depois do que tinha escripto contra o sr. Nobre de Carvalho, era dever do Districto de Beja fundamentar a escolha do governo—visto que foi o governo e não os eleitores quem escolheu o sr. Borges—provando-nos que o circulo de Beja era devedor de innumeras finezas ao candidato governamental: demonstrando-nos que se temos um hospital com as portas abertas para os desgraçados a quem a doença prostra no leito, era ao sr. Borges, aos seus esforços, aos seus auxilios, á sua coadjuvação pecuniaria, que Beja e os seus habitantes necessitados devem tal beneficio. Pois quem não sabe que é o sr. José Maria Borges o nome que todos invocamos quando alguma infelicidade nos sobrevém, quando carecemos de auxilio, de animação, boas palavras e melhores obras, quando precisamos d’um amigo que nos auxilie e nos anime? Lá está elle, o candidato governamental, no seu escriptorio, assentado á sua mesa de trabalho, sempre prompto a deixar os seus negocios para nos ouvir e attender. Não o encontraremos nas festas e nas alegrias; mas nas tristezas, na desventura e na desgraça, lá está o sr. José Maria Borges, o candidato governamental, aquelle que todos conhecemos, e a quem todos apertam a mão leal, sempre aberta para os necessitados e doentes. Realmente o sr. Nobre de Carvalho, candidato constituinte por este circulo, foi de uma felicidade pasmosa. Esperavamos nós que um dos nossos conterraneos que mais se extremasse do vulgo, pela importancia dos seus serviços ao districto, pela elevação da sua intelligencia, pela vastidão do seu saber, se apresentasse como candidato não do governo ou do governador civil, mas dos eleitores de Beja que o tivessem escolhido á deputação por este circulo. As palavras de censura dirigidas pelo Districto de Beja ao candidato constituinte, assim pareciam indical-o. Em vez porém d’um candidato conhecido e apreciado já em Beja, apresentam-nos, de mistura com outros nomes, o dr. José Maria Borges, que poucos conhecem de nome, que relações algumas tem com esta terra, que nada lhe fez, lhe fará ou poderá fazer, apesar de todo o seu saber, de toda a sua eloquencia, de todo o seu valimento, porque nada o liga a esta terra a que é completamente estranho. E o que torna mais odiosa esta imposição de um candidato estranho ao circulo, é que o proprio Districto de Beja se encarregou de fazer a critica d’este systema nas seguintes palavras com que pretende retratar as eleições em Beja: «Em Beja não, pede-se uma votação para este ou aquelle, como o pão para a bocca, mendiga-se a eleição e ninguem se oppõe a ella pelos seus actos; depois de conseguida não pensam em ser uteis em cousa alguma, e as suas ambições nem ao expediente dos seus cargos attingem!» Apoiado, collega: são bocadinhos d’oiro que lhe sahiram dos bicos da penna, aplique o conto ao candidato governamental, e com certeza que ninguem contestará a exactidão da photographia. Teem os governamentaes andado por ahi a querer levantar os animos contra o sr. Nobre de Carvalho, porque este ex-deputado não alcançou beneficio algum para o circulo; teem-se cansado em repetir que o candidato constituinte não tem amigos e por consequencia não tem influentes; reuniram-se todas as influencias, todas as auctoridades, e quando se esperava que escolhessem d’entre tantos e tão valiosos elementos algum cavalheiro de Beja, que reuniria todos os votos, e faria emudecer todos os adversarios pela grandeza de seus serviços e pela alteza das suas qualidades, sae-nos não o ridiculus mus da fabula, mas um homem completamente desconhecido para o circulo de Beja, e se é conhecido em Moura, por onde já foi eleito deputado, não é de certo pelos serviços importantes que tenha prestado áquelle circulo. Serio, serio, collega, parece-nos que o governo foi mal informado acerca da situação d’este circulo. Não estamos em terras de Africa para onde o paquete pode levar o nome do cidadão que na volta recebe o nome de deputado. Estamos n’uma terra que tem dado sobejas provas de civismo e de amor á liberdade. Não foi pouco o que soffremos para ganhar o direito de escolher, bem ou mal, mas ao nosso sabor, o cidadão que nos representasse na assembléa legislativa, para que venham agora estranhos impor-nos um nome, e dizer-nos com sobranceria: «Este é que ha de ser o vosso deputado, porque assim o entendi e ordenei!» Pois entendeu mal e ordenou peior. Se o nome do sr. José Maria Borges sair da urna como deputado eleito por este circulo, não será o nosso deputado, mas o vosso, o eleito da auctoridade, da violencia, do odio e do despeito. Mas por honra do circulo de Beja, queremos acreditar que tal não succederá. Da urna livre só poderá sair um deputado livre e independente, que não esteja acorrentado ao passado d’um governo tão pouco escrupuloso em manter a liberdade eleitoral, e que não deva a sua eleição ao governador civil, mas sim aos eleitores. Realmente deveria ser enorme a gratidão do sr. José Maria Borges pelos eleitores do circulo que nem sequer o enxergaram ainda; quem verdadeiramente teria direito aos agradecimentos do deputado governamental seria o sr. governador civil ou antes o ministro que mandou ordem ao sr. governador civil para que fizesse eleger o sr. Borges. É o cumulo da liberdade eleitoral! Então o sr. Nobre de Carvalho não prestou serviços, como deputado, ao circulo que o elegeu? Mas diga-nos uma cousa, collega do Districto de Beja, se o sr. Nobre de Carvalho, tendo sido constante deputado da opposição, nos prestasse alguns serviços por favor do governo, que interpretação deveriamos nós dar a este proceder? Esclareça-nos n’este ponto que estamos ansiosos por conhecer a sua opinião. Antes de terminar, faremos uma pergunta a que ligamos grande importancia, porque emfim é bom saber qual é a opinião do candidato em certos assumptos. Todos os eleitores do circulo de Beja estarão lembrados de que ha alguns mezes houve um comicio em S. Carlos para protestar e representar contra o tratado de Lourenço Marques. A historia é tão recente e conhecida que não vale a pena entrar em mais pormenores. Poder-nos-ha alguem dizer se o sr. José Maria Borges, que ao que parece é primus inter pares no partido regenerador, assistiu áquelle comicio, acompanhou com a sua cooperação e influencia as opposições colligadas contra o celebre tratado de Lourenço Marques? Naturalmente o sr. José Maria Borges, costumado a fallar do alto da sua cadeira e embrulhado na sua toga de juiz, não desceu até vir misturar-se com a plebe rasa e honrada que applaudia os oradores do comicio. Foi prudente; imitou os chefes do partido. Pois podemos affirmar, sem receio algum de desmentido, que o sr. Nobre de Carvalho lá esteve, lá se demorou, lá se conservou. Quem sabe: talvez que este proceder não seja estranho á guerra surda e constante que o partido regenerador lhe tem promovido neste circulo. Em todo o caso não nos parece que a escolha do governo fosse a mais feliz, e o futuro o demonstrará.

Acontecimentos na Europa

Cultura e espectáculoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBebedeiras e desordensCalor extremoCaminho de ferroCapturasConflitos locaisDebates políticosEstacçõesFestas civis e popularesMovimentos de tropasNavegacçãoPobres e esmolasPrisõesTelégrafoTreinos e manobras
Madrid · Paris · Porto · Espanha · Europa · França · Portugal · Rússia Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta · Islâmico · Telégrafo

A França celebrou por uma fórma admiravel e enthusiastica o dia 14 do corrente mez, anniversario gloriosissimo da tomada da Bastilha. As folhas recem-chegadas trazem-nos curiosissimos promenores da grandiosa festa. Paris mostrou no seu grande enthusiasmo e na boa ordem que presidiu ao festejo que sabe honrar a republica e repellir para longe os que pensam perturbar o socego e a paz em favor dos seus interesses, isto é, em favor dos interesses da monarchia e da reacção. Gloria á França! São sempre recebidas com muito interesse as noticias de S. Petersbourgo onde a aristocracia receia d’uma revolução que os nihilistas, o partido da jovem Rússia, estão preparando. Hesse Helfman ainda vive; as correspondencias de S. Petersbourgo para as folhas radicaes de Paris disseram ha dias que a pobre martyr havia succumbido aos tractos dos seus algozes na prisão e nós conforme era do nosso dever demos curso á noticia que a tomámos por verdadeira. Apparece porém agora um artigo no Golos que é nada menos que a noticia circumstanciada do estado em que um collaborador d’essa folha a encontrou na fortaleza de Pedro e Paulo em S. Petersbourgo. É o artigo: «Hesse Helfman aguarda que a sua libertação se realise proximamente e em condições de todo o ponto favoraveis. Habita uma cellula não muito estreita, com bastante luz, bem arejada e provida de quanto é necessario. Durante a conversação que tivemos, Hesse declarou que se achava perfeitamente. Interrogada sobre a questão de saber se, findo o processo, fora submettida a novas inquirições, respondeu negativamente, accrescentando que apenas recebera convite para pronunciar sobre a identidade de um individuo preso, posto que conhecesse o mesmo individuo. Segundo ella propria declarou, não foi objecto de tentativa alguma de constrangimento, assim n’este caso como em quaesquer outros. Hesse Helfman preoccupa-se sobretudo com seu filho. Manifestou desejo de que elle fosse confiado ao pae, e discutiu seguidamente com o seu advogado a conveniencia de uma petição do indulto dirigida ao czar.» Fallemos agora d’outra questão. A imprensa madrilena continua a mostrar-se muito preoccupada com as noticias do Times. A insurreição dos arabes na Tunesia, se por acaso são verdadeiras as ultimas noticias, vae augmentando de importancia. Parece estar confirmado que nos tumultos em Sfax o vice-consul francez foi accommettido pelos revoltosos e ficou com um braço partido, por haver sido espancado com um cacete. Os officiaes da canhoneira franceza, que haviam desembarcado para o proteger, foram perseguidos a tiro, e tiveram que fugir a nado para bordo do seu navio. Confirma-se a noticia de se terem refugiado a bordo dos navios surtos no porto todos os europeus. O inspector das linhas telegraphicas, que tinham saído de Mahdia para restabelecer os fios que haviam sido cortados, foi avisado por uns arabes, que encontrou no caminho, de que não devia seguir para deante, porque a sua vida corria risco, em vista das desordens de Sfax. Recolheu, por isso, novamente a Mahdia, onde os europeus começam tambem a receiar uma invasão dos arabes revoltados. O corpo de tropas francezas que estava estacionado em Manouba, proximo da cidade de Tunes, recebeu ordem de partir para o porto da Guletta, onde embarcará para Sfax, para alli operar de concerto com as tropas do bey. As operações contra os revoltosos vão ser energicas, e se ao não teem já sido castigados é tal facto devido ao muito calor nas paragens onde se estão dando taes acontecimentos que impossibilita as tropas francezas de manobrar com a energia que o caso requer. A troca de notas entre os gabinetes de Madrid e Paris não deu incidente algum pelo qual resultasse a quebra de relações entre essas duas potencias. Entre a Turquia e a França ha tambem cordialidade e as relações não indicam que possam aspirar. O corpo de tropas enviado pela Turquia para Tripoli tem por fim unicamente evitar que a revolução dos arabes possa tomar maior incremento. Nada vemos que possa perturbar a paz na Europa.

Edital

ExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portariasPosturas e regulamentos
Beja · Portugal Câmara Municipal · Edital · Igreja

A camara municipal de Beja faz saber que em cumprimento do artigo 20 do decreto de 28 de janeiro de 1879, está patente nos paços do concelho, desde o dia 23 até um de agosto, das 9 horas da manhã ás 3 da tarde, para quem queira examinar ou tirar copia, o caderno do recenseamento militar do corrente anno notado com as decisões da commissão districtal. E para que assim conste se passou o presente e outros de egual theor que serão affixados nas portas das egrejas parochiaes e logares do estylo. Beja, paços do concelho, 22 de julho de 1881. O Presidente, José Francisco da Silva.

Município e administracção localAbastecimento de água

A camara adjudicou por 108$000 reis ao sr. Antonio Joaquim Ramos Soares a reconstrucção do poço de Trigaches.

Município e administracção localEstradas e calçadasObras municipais

A camara arrematou por 120 rs. cada metro quadrado as calçadas na cidade, e por 160 rs. nas freguezias ruraes, ao sr. Mendes Carocho.

Município e administracção localTransportes e comunicaçõesarremataçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais

A camara adjudicou por 750$000 rs. ao sr. Antonio Francisco de Sousa Leite a construcção do lanço da estrada do Quintos comprehendido entre a ribeira e a rua do Celleiro.

Justiça e ordem públicaCrimes
Cuba · Portugal

A policia civil prendeu em Cuba dezenove criminosos.

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestruturaPontes

Foi ordenado que se proceda á construcção da ponte de Canhestros, sobre a ribeira de Santiago, na estrada real de Ferreira a Sines, comprehendida entre Amias e Canhestros, orçada em 12:542$000 reis.

Meteorologia e fenómenos naturaisTrovoadas

As trovoadas desta semana causaram prejuízos.

ReligiãoNomeações eclesiásticasVisitas pastorais
Porto · Roma · Itália · Portugal Exterior / internacional · Igreja

Foram expedidas de Roma as bulias ordenando, na conformidade da resolução do governo portuguez, a nova circumscripção diocesana. O executor nomeado para lhe dar cumprimento é o cardeal bispo do Porto, D. Américo.

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPrisões
Câmara Municipal

Está em reparos a cadeia civil. Estão concluídos os estuques dos corredores do andar nobre dos paços do concelho.

Correspondência · Geral

Recebemos e agradecemos o n.º 62 da Moda illustrada, correspondente á primeira quinzena de julho.

Município e administracção localTransportes e comunicaçõesTelégrafo
Telégrafo

A camara foi mandada ouvir sobre a ultima reforma telegrapho-postal.

Justiça e ordem públicaJulgamentos
Islâmico

O supremo tribunal de justiça despronunciou o nosso amigo o sr. commendador Carvalho. Mil parabéns.

Geral

Está licenciado o recebedor d’esta comarca.

Sexta feira fez

Economia e comércioTransportes e comunicaçõesCorreioFeirasTrânsito e circulacção
Beja · Portugal

se a transito dos valores depositados no cofre da extincta administração do correio de Beja.

Geral

O fiscal do real d’agua n’este districto foi transferido para o de Aveiro.

Município e administracção local
Câmara Municipal

Está concluída a sala dos jurados e o corredor contiguo, no edificio dos paços do concelho.

Exército

Corre que vae governar Diu o digno capitão do 17 de infantaria, o nosso amigo o sr. Franco e Sá.

Economia e comércioExércitoBanda militarFeiras

Domingo e quinta feira tocou das oito ás dez horas da noite a banda do 17 de infantaria.

Economia e comércioAgriculturaPecuária
Interpretacção incerta

Reappareceu a pesunha nos gados.

Publicou

Paris · França Exterior / internacional · Geral

se a caderneta n.º 34 do Barbeiro de Pariz.

Justiça e ordem públicaCrimes

Recomeçaram os descantes. Louvores á policia.

ExércitoJustiça e ordem públicaReligiãoFestas religiosasJulgamentos
Serpa · Portugal

O supremo tribunal administrativo não isemptou do serviço militar Francisco Manoel, filho de Francisca Constança e de Francisco Manoel de Serpa, freguezia de Santa Maria.

Publicou

Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitosLivros e publicaçõesSecas
África · América · Espanha · Portugal Exterior / internacional

se o n.º 112 do Jornal de Viagens. Eis o summario: Texto—Secção moderna: Insufficiencia do principio unitario para dar á Hespanha a unidade que procurava, Portugal—Costumes nacionaes: uma rapariga d’Arouca—As viagens d’exploração: A theoria e a pratica em materia geographica—Pelas regiões longinquas: O Cairo—Aventuras de terra e mar: Aventuras d’um garoto parisiense ao redor do mundo—Fastos da Historia Patria: Epoca brilhante da marinha portugueza—Digressões e phantasias: A primeira falta—Pelas regiões longinquas: Os turcomanos—Costumes e religiões dos diversos povos: Funeraes chineses—O luxo e o jogo em Portugal no seculo XVII—Estudos geographicos: Os jesuitas na Africa e na America—Aventuras de terra e mar: Tres salvamentos. Illustrações: Costumes nacionaes: Era de rosto moreno, olhos muito pretos e garotos—A primeira falta: Luiza entrou com o trilho. Com as mãos cruzadas no regaço parecia o anjo da resignação contra aquella scena do vicio—Africa mysteriosa: No Congo.

Lisboa, 19 de julho de 1881

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Braga · Lisboa · Portugal Correspondência · Governo Civil · Telégrafo

Cidadão redactor.—É ainda o thema para todas as conversações, nos gremios e nos centros politicos, as perseguições ordenadas pelo paço, e executadas sob as sacras ordens do tigre governador. Quando eu na outra correspondencia disse que o governo tinha acabado com as perseguições politicas, enganei-me completamente; pois estas perseguições foi só um balão de ensaio; pois affirmam que este nefasto governo ha de ter, para as vesperas das eleições, os jornalistas republicanos no Limoeiro, e suspender os jornaes republicanos. Ainda mais uma vez os afoitamos. Não esmoreçam, dictadores poltrões. Não esmoreçam porque nas vossas perseguições vae o bem do povo portuguez. Na relação das perseguições que dei parte na outra correspondencia, esqueceu-me mencionar o nosso collega o Trinta e a Marselhesa. Esta ultima está suspensa. Consta que o Tempo tambem está autuado, não sabemos porquê. Foram affixados nas esquinas uns cartazes annunciando a ultima obra do laureado poeta o sr. Gomes Leal, o Hereje, que a policia arrancou arbitrariamente, segundo diz o sr. governador civil. Ora até já a policia está investida em plenos poderes para arrancar cartazes, devidamente afixados, lá porque entendeu que era uma obra d’um poeta revolucionario! Tem sido uma completa romaria ao Limoeiro desde que lá está o sr. Gomes Leal. Deve chegar brevemente a Lisboa o sr. Trigueiros Martel, que vem para tomar a responsabilidade dos seus artigos querelados. É seu advogado o sr. Magalhães Lima, e do sr. Gomes Leal, o sr. Manoel d’Arriaga. Chegou na sexta feira, e sahiu na segunda feira para Ferrol, uma esquadra hespanhola composta de quatro navios, dois couraçados e dois de madeira. Trabalha-se activamente em Lisboa para as eleições. São candidatos a deputados pelo circulo 94 o sr. J. J. Alves, regenerador; Condeixa tambem regenerador; e dr. Theophilo Braga, republicano. Pelo circulo 95—José Elias Garcia, republicano; Barros e Cunha, regenerador, e não sei quem será o progressista. Pelo circulo 96—republicano, dr. Manoel d’Arriaga; regenerador, Rosa Araujo; progressista, Luiz Manoel da Costa. Pelo circulo 97—republicano, Latino Coelho; progressista, Anselmo Brancamp; regenerador, Pinto. Pelo circulo 98—republicano, dr. Magalhães Lima; progressista, Simões Carneiro. Realisou-se no dia 14, nos centros republicanos da rua do Ouro, um banquete de cento e tantos talheres, para commemorar o anniversario da tomada da Bastilha. Fallaram entre outros senhores o dr. Magalhães Lima, Elias Garcia, dr. Alves Branco, que foram muito applaudidos. Remetteram-se telegrammas a Grevy, a Gambetta e a Lerroy, e receberam-se telegrammas de muitas partes do paiz. Foram arrematadas por seis contos e tanto as machinas da padaria do asylo de Mendicidade. Foi arrematante o sr. Henry Burnay. Consta que a propriedade do Jornal do Commercio fôra vendida pelo sr. Luiz de Almeida e Albuquerque a uma empresa internacional. Por emquanto nada se sabe ao certo. Por hoje nada mais. Fernando Augusto de L. e Mello.

Bibliographia

Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPreçosReligiãoCrimesCulto e cerimóniasObras religiosasTempestades
Lisboa · Paris · Porto · França · Portugal Exterior / internacional · Igreja

As emprezas editoras de maior arrojo e felicidade entre nós. A empreza Horas Romanticas, de accordo com o sr. Maciá, editor do missal de Estevam Gonçalves, contractou com o bem conhecido estabelecimento de livraria dos srs. Firmin Didot & C.ª publicar em portuguez as suas bellissimas edições, e serem impressas em Paris, nas officinas d’estes senhores, em papel igual, com o mesmo typo, as mesmas gravuras e composições chromo-lythographicas que serviram para as edições francezas: a primeira das obras escolhidas e da qual se distribuiu no dia 15 do corrente o primeiro fasciculo é a denominada Jesus Christo, por Louis Veuillot, seguido d’um estudo sobre a arte christã por E. Cartier. A traducção d’esta esplendida e admiravel obra é da sr. visconde de Castilho. A publicação é mensal e cada fasciculo custa 690 reis. A obra é illustrada com 16 esplendidas e primorosas chromo-lythographias reproduzindo as telas religiosas mais notaveis dos melhores artistas antigos e 180 gravuras contendo a historia da arte christã desde as Catacumbas até á actualidade. Depois de publicada formará um volume in-4.º, de 574 paginas, publicado em 18 fasciculos mensaes contendo: 1.º fasciculo—O triumpho eterno de Christo (chromo), a vocação de Abrahão (photo-gravura), e 32 paginas com 10 gravuras. 2.º fasciculo—A visitação (chromo), a natividade (photo-gravura), e 32 paginas com 16 gravuras. 3.º fasciculo—As bodas de Caná (chromo) e 32 paginas com 12 gravuras. 4.º fasciculo—A predica de S. João Baptista (chromo) e 32 paginas com 7 gravuras. 5.º fasciculo—A pesca milagrosa (chromo) e 32 paginas com 12 gravuras. 6.º fasciculo—A ressurreição de Lazaro (chromo) e 32 paginas com 10 gravuras. 7.º fasciculo—A tempestade apaziguada (chromo) e 32 paginas com 10 gravuras. 8.º fasciculo—A entrada de Jesus Christo em Jerusalem (chromo) e 32 paginas com 6 gravuras. 9.º fasciculo—O dia de juizo (chromo de 2 paginas) e 32 paginas com 6 gravuras. 10.º fasciculo—Jesus Christo crucificado entre dois ladrões (chromo), descida de Jesus Christo ao Limbo (photo-gravura), 32 paginas com 11 gravuras. 11.º fasciculo—A instituição da confissão (chromo), Jesus Christo pranteado pelas santas mulheres (photo-gravura), e 30 paginas com 11 gravuras. 12.º fasciculo—Jesus Christo morto (chromo) e 32 paginas com 8 gravuras. 13.º fasciculo—A missão de S. Pedro (chromo) e 32 paginas com 7 gravuras. 14.º fasciculo—As cruzadas (chromo) e 32 paginas com 7 gravuras. 15.º fasciculo—Os quatro doutores da egreja (chromo) e 32 paginas com 6 gravuras. 16.º fasciculo—O retrato de Jesus Christo (chromo) e 32 paginas com 16 gravuras. 17.º fasciculo—O martyrio de S. Lourenço (photo-gravura de 2 paginas) e 32 paginas com 14 gravuras. 18.º e ultimo fasciculo—Jesus Christo triumphante na humanidade (grande gravura occupando 6 paginas, com fundo d’uma) e 32 paginas com 6 gravuras e indices. Os assignantes de Lisboa e Porto poderão pagar cada fasciculo no acto da entrega. Os das outras localidades mandarão a importancia de cada fasciculo á empreza. Pela nossa parte felicitamos a empreza Horas Romanticas por este novo e assignalado serviço ao paiz, e ao mesmo tempo alimentamos a convicção de que o publico prestará em larguissima escala o seu auxilio para que a empreza veja brilhantemente coroados os seus esforços e tenha assim uma recompensa aos seus trabalhos. Ao nosso amigo o sr. David Corazzi damos um aperto de mão e saudamol-o por este novo emprehendimento que o encherá de justa fama. Lisboa. Sebastião J. Bagam.