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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 73
5 notícias

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Alentejo · Beja · Portugal Correspondência · Governo Civil

No dia 15 pelas 3 e meia horas da tarde chegou a esta cidade o regimento de infanteria 17. Foi esperado fóra das muralhas da cidade, por um grande concurso de povo, que depois o acompanhou até ao aquartelamento. O sr. governador civil, acompanhado do sr. secretario geral e de mais alguns cavalheiros, tinham ido esperar o regimento a distancia de mais de dois kilometros. Chegando á praça, o digno coronel commandante do regimento, o sr. D. Francisco de Mello Breyner, fez-lhe uma breve allocução, mostrando o desejo de que o regimento vivesse com os habitantes desta cidade como os membros de uma única familia. Em seguida levantou vivas a Sua Magestade El-Rei o sr. D. Luiz I; á Carta Constitucional; aos habitantes do Alemtejo, e aos habitantes de Beja, que foram freneticamente correspondidos. Folgámos de ver satisfeita uma reclamação que as necessidades publicas d’este districto legitimavam, e esperamos que os novos hospedes não terão motivo de lastimar a mudança a que foram obrigados. Os habitantes desta cidade têm sempre vivido em perfeita harmonia com todos os corpos que têm aqui estacionado, e cremos que o mesmo acontecerá com o regimento 17 que já aqui esteve commandado pelo sr. brigadeiro Horta. Hoje felizmente já todos olham o soldado como filho do povo, e ligado com elle pelos laços do sangue e da amizade.

Sahida

ExércitoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesMovimentos de tropasQuartéis
Beja · Lagos · Portugal

Na madrugada do dia 15 do corrente sahio d’esta cidade, em direcção a Lagos, o destacamento d’infanteria 15, que aqui se achava sob o commando do sr. capitão Sarria. O optimo procedimento que a força e o commando do sr. Sarria aqui teve, e as boas qualidades deste cavalheiro, grangearam-lhe a estima geral, de que aliás se tornou muito digno. Na sua sahida foi esperado á porta do quartel pela associação philharmonica dos artistas bejenses, que o acompanhou até fóra da cidade, e lhe offereceu na despedida uma refeição. Bem hajam os artistas de Beja, que nunca são os últimos a fazer justiça, e a prestar consideração, a quem é devida.

Clamor Militar

Cultura e espectáculoExércitoLivros e publicações
Beja · Lisboa · Portugal Correspondência

O correspondente d’este jornal em Lisboa escreve que não sabe quaes sejam as conveniências de serviço publico que chamam a Beja o regimento d’infanteria 17. Quaes sejam as razões de conveniência que houve para preferir o 17 d’infanteria a qualquer outro corpo, não sabemos nós nem nos importa, mas as conveniências de serviço publico, que imperiosamente exigiam a vinda d’um corpo para esta cidade, não é licito desconhecel-as a quem faz uso da imprensa escrevendo para o publico. O districto de Beja é superior em extensão á nossa província do Minho, e as necessidades da administração e segurança publica attestavam todos os dias a urgência de vir para aqui um corpo militar, que dando força á auctoridade, garantisse o cidadão. Serão esses interesses, e essas conveniências de pouco momento? Ao resto da noticia do correspondente do Clamor não respondemos, porque seria rebaixar a justa consideração, e pôr em duvida o bom conceito em que o povo de Beja deve ser tido por todos os que de perto o conhecem.

Salteio

Arqueologia e patrimónioJustiça e ordem públicaCapturasDescobertas e achadosHomicídios
Ervidel · Portugal Interpretacção incerta

Poude finalmente capturar-se o famoso Manoel Alexandre, d’Ervidel, que se acha pronunciado pelo crime d’homicidio premeditado na pessoa de José da Latiça, da mesma aldeia. A victima soffria, por algumas vezes, transtornos de cabeça, que o approximavam d’uma verdadeira loucura, elevava a sua excentricidade a não citar, nem confiar senão em duas pessoas da aldeia onde residia, e uma dessas duas pessoas era Manoel Alexandre a quem havia confiado differentes valores. Conta-se que essa foi a causa da sua morte, porque Manoel Alexandre, afim de chamar definitivamente seu, ao que apenas tinha em confiança, attrahira o seu amigo para logar ermo e o matára ás machadadas, atirando-o depois para o fundo d’um ribeiro, donde esperava que não tornasse a apparecer, porque teve a precaução de ligar ás costas do cadaver uma pedra de grande pezo, que impedia que elle viesse a cima. Crimes tão horrorosos merecem a mais severa punição—Esperamos que os tribunaes farão a devida justiça.

DESPEDIDA

Meteorologia e fenómenos naturais
Beja · Lagos · Portugal

Grato á maneira obsequiosa porque tanto eu, como a força do meu commando, fomos tratados pelos habitantes desta cidade em todo o tempo que aqui permanecemos, e não podendo agradecer individualmente as provas de estima e consideração que de todos recebi; venho por este modo dar-lhe um testemunho publico do meu reconhecimento, e offerecer-lhes os meus serviços em Lagos para onde vou marchar. Beja 15 de maio de 1862. Joaquim José de Sarria, capitão de infanteria 15.