Semana santa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSociedade e vida quotidianaBanda militarCulto e cerimóniasFalecimentosFeirasFestas religiosasIrmandades e confrariasParadas e cerimóniasProcissões
Fizeram-se com religioso apparato e devida pompa nas egrejas desta cidade, mas principalmente nos conventos, Misericórdia e Sé, as solemnidades commemorativas da paixão, morte e ressurreição do Homem Deus. Na quinta feira pelas quatro horas da tarde teve logar na Misericórdia o Lava-pedes, pregando de mandato o sr. dr. Emygdio; à noite houveram nos conventos e na Sé trevas por musica, executando-se naquelles os officios e Miserere de Maurício e n’este os de David Peres. A concorrência de fieis aos templos, que à excepção de dois estavam deslumbrantes, foi grande. Na sexta feira houve na Sé a ceremonia da adoração da cruz, a que assistiram os principaes cavalheiros de Beja e as auctoridades, sahindo depois a procissão do enterro até ao convento da Esperança acompanhada pela philharmonica artistica. Ao recolher subio á cadeira da verdade o sr. dr. Emygdio; a sua oração arrebatou o auditorio. Na tarde deste dia houveram trevas nos conventos e depois da procissão sermão, orando no d’Esperança o reverendo padre Bernardo Guilherme da Malta Veiga, que como sempre agradou, e no da Conceição o sr. dr. Emygdio. Na Misericórdia tambem pregou de Soledade s. s.ª. À noite sahio da cathedral a procissão do enterro do Senhor, procissão feita a expensas da irmandade de Nossa Senhora do Pé da Cruz. Na frente da procissão ia a cruz de toalha pendente e aos lados d’ella dois lampiões, tanto estes como aquella eram levados por individuos vestidos d’alva e descalços. Após a cruz seguiam-se as irmandades de Passos da Graça, Dores, Ordem 3.ª do Carmo e Nossa Senhora do Pé da Cruz. No meio das alas dos irmãos viam-se sete anjos ricamente vestidos, levando cada um d’elles um dos aprestos das torturas que o Redemptor soffreu. Seguiam-se vestidos d’alva e descalços seis individuos, os reitores e escrivães das irmandades, os prophetas, a Verónica e debaixo do pallio o esquife encerrando o Senhor morto, conduzido por quatro ecclesiasticos. Após o reverendo prior do Salvador, paramentado, seguiam-se as tres Marias, os andores de Nossa Senhora da Soledade, Magdalena, S. João Evangelista e uma guarda de honra do regimento d’infantaria n.º 17 levando na frente a sua banda. O préstito compunha-se de mais de 300 pessoas. Pode dizer-se que foi a melhor procissão de enterro do Senhor que ha annos se faz n’esta cidade. Apesar da chuva que cahio a concorrência de povo nas ruas do transito foi tamanha, que d’elles hontem onde a procissão rompeu era com bastante difficuldade. No sabbado celebrou-se nos conventos e na Sé, com toda a magnificencia, a benção do lume e da agua e no domingo a festa da Ressurreição, sahindo da ultima egreja em procissão o Senhor ressuscitado.
Novena
ReligiãoFestas religiosas
No sabbado começou a novena de Nossa Senhora dos Prazeres, que tem sido muito concorrida.
Musica
Cultura e espectáculoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisBanda militarQuartéis
No sabbado tocou na praça publica d’esta cidade, ao romper da alva, a banda do regimento d’infantaria n.º 17, seguindo depois para o quartel onde tocou tambem por algum tempo.
A procissão
ReligiãoSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitosIrmandades e confrariasProcissões
No domingo sahio em procissão a Senhora do Rosário, indo ao convento da Esperança receber ao collar o menino Jesus. Concluida esta ceremonia a procissão sahio novamente seguindo o transito do costume. Acompanhava-a, além das irmandades do Santissimo e dos sacerdotes, a philharmonica artistica.
A quem competir
Pedimos a quem competir que mande sem demora remover os estercos que se acham no beco da Esperança, vulgarmente conhecido pelo beco das freiras, e bem assim prohibir lançar-se naquelle local animaes mortos e fazerem despejos, pois consta-nos que n’um dos dias da passada semana o cheiro que d’alli se exalava incommodava deveras os que habitam naquelle sitio.
Ainda outra vez
Município e administracção localEstradas e calçadas
Tornamos a lembrar á camara municipal que mande sem demora renovar os letreiros das ruas da cidade, pois ha alguns que não se sabe o que são; na praça por exemplo ha um que se lê raça; o da rua Ancha está coberto de cal, e o mesmo acontece ao do [ilegível], etc. etc. Ainda desta vez não seremos attendidos?
Foram cumprir a postura
Economia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localCrimesFeirasMercados e feiras
Na segunda feira no largo do duque de Beja e junto á porta do sr. administrador do concelho, estavam dois garotos a atirarem pedras ás arvores do passeio, acontecendo quebrarem bastantes ramos! Como é certo repetirem-se estas gracinhas todos os dias, porque aqui haverá tudo menos policia, deste lugar pedimos ao sr. Castro que esteja d’atalaia e que mostre que é auctoridade, ao menos fazendo respeitar a postura pelos garotos.
Ao sr. administrador
Município e administracção localAbastecimento de águaFontes e chafarizesObras municipais
Pedimos a s. s.ª que se digne tomar providencias para que se não lavem roupas nos chafarizes do Pelame e do Carmo, pois consta-nos que no sabbado era tal a quantidade de sabão que havia nas aguas, que as cavalgaduras recusavam-se a bebel-as. Não pedimos a s. s.ª nenhum impossivel, pedimos somente a observância da postura e esperamos ser attendidos.
Concurso
Educacção e instruçãoEscolasInstrução públicaNomeações
Pela direcção geral d’instrucção publica se mandou abrir concurso de sessenta dias que começaram a decorrer desde 17 do corrente mez para o provimento da escola d’instrucção primaria do sexo feminino na villa d’Odemira, n’este districto.
Carta curiosa
Justiça e ordem públicaPrisões
Enviaram-nos a seguinte curiosa carta: “Ill.mo Snr. Muito estimarei as suas felicidades igualmente de quem V. S.ª mais dezejar, pois fico como hum desgraçado prezo que não há nada mais triste. Cheguei a esta cadeia de... já a 3 oras que estou e não tendo aqui mais ninguém conhesido me vou a V. S.ª que me favoreça com alguma couza que não lenho nada ao menos para tabaco e sabendo como hé a sua opinião me lembre de V. S.ª Q. D. G. M. A. M. Criado de V. S.ª H... da villa de... quem muitas vezes se de ver li[o] com V. S.ª” E. R. M.
Perdão
Justiça e ordem públicaFurtos e roubos
O réu Eduardo Augusto Lebrinha, que n’este juizo de direito tinha sido condemnado pelo crime de roubo em 3 annos de degredo para a Africa, foi perdoado.
Definições
O que é patrimonio? perguntava em Coimbra um lente a certo examinando. —Patrimonio, respondeu o estudante, é o que o filho herda de seu pae. —E o que herda da mãe, tambem se chama patrimonio? —Não senhor, n’esse caso é matrimonio.
Tudo é perfeito!
Um orador que se achava no pulpito de um templo, pregando n’uma festividade, disse no seu discurso — que Deus tudo fizera com summa perfeição. Quando o sacerdote, depois de terminado o discurso, descia do pulpito, apresentou-se-lhe um individuo que era corcunda, e perguntou-lhe: —Reverendissimo, que perfeição encontra v. s.ª em mim? —Acho-lhe toda, porque como corcunda é dos mais bem feitos, não lhe falta nada.
Boa resposta
Economia e comércioAgricultura
Um camponez indo a Lisboa para fazer algumas compras, entrou na loja de um cambista e como não visse em toda a casa fazenda de qualidade alguma, perguntou-lhe muito admirado o que vendia. —Cabeças de burro, meu amigo, lhe respondeu o cambista. —Oh! certamente deveis ter muito gasto d’ellas, retorquiu o camponez, visto que só tendes uma na loja!
EXTERIOR
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoBeneficênciaEstradasEstradas e calçadasExplosõesFalecimentosFarmáciasFeirasFestas religiosasImpostos e finançasIncêndiosJulgamentosMercados e feirasNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasPrisõesQuedasSessões da câmara
O governo hespanhol demittiu do logar de reitor da universidade central o sr. Montalbão, substituindo-o pelo marquez de Zafra, que immediatamente tomou posse. Parte dos estudantes fizeram demonstrações a favor do antigo reitor, que obrigaram o governo a fazer uso da força, de que resultaram não poucas desgraças. Eis como a Correspondência de Hespanha de 11 relata os ultimos acontecimentos: “Desde que amanheceu, a Porta do Sol e as ruas confluentes foram invadidas por um povo immenso, que soltava gritos sediciosos e assobias. A força de cavallaria do exercito, e a guarda civil intentaram dispersar, e n’esta occasião foram feridos dois ou tres paisanos. Alguns destes refugiaram-se n’uma casa em construcção, e d’ahi arremessaram pedras e tijolos sobre a força armada, ferindo varios guardas civis e um cabo de artilheria; este de bastante gravidade. A infanteria disparou alguns tiros, que não occasionaram desgraças, pois que nas casas de soccorro não se apresentou ferido algum com arma de fogo. Eram já 8 horas da noite. O povo depois seguio pelas ruas de S. Jeronymo e Alcalá, aonde houve repetidas cargas de cavallaria para se desembaraçarem as avenidas. Houve aqui varios tiros. Na rua de Sevilha foi morto por uma bala no peito um empregado do ministério do reino, e tambem morreu de um golpe de sabre um operario. Na casa de soccorro da rua de Jacometrezo foram curados tres militares e nove paisanos, em consequência de feridas e contusões de arma branca. Dois ou tres destes de muita gravidade. Na Principal se estabeleceu uma ambulancia aonde foram curados sete feridos mais ou menos gravemente. Na praça do Progresso, às 10 horas da noite foram tambem curados sete feridos. No café da Iberia foram soccorridos dois feridos, e na botica da praça de Santa Anna tres; e é natural que em outros pontos se tenham soccorrido outros devendo ser consideravel o numero de feridos tanto militares como paisanos. Durante a noite fizeram-se muitas prisões, ha mais de cem presos na Principal e foram apprehendidas as armas a alguns...” Turim, 13.— O projecto de lei para a venda dos caminhos de ferro foi votado na camara por 156 votos contra 88. Southampton, 14.— Rebentou uma revolução em diversos pontos do Peru por causa do tratado com a Hespanha. Duas fragatas associaram-se a este movimento revolucionario. Nova York, 5.— Depois de tres dias de uma sanguinolenta batalha o general Grant occupou Petersbourg e Richmond. O general Lee retirou-se para o norte do rio na direcção de Linchbourg, seguido de perto por Grant que fez numerosos prisioneiros na estrada. As perdas de Lee são avaliadas em 15:000 mortos ou feridos, 25:000 prisioneiros e 200 canhões; as perdas de Grant foram 7:000 homens. Madrid, 18.— Oravio foi nomeado ministro das obras publicas. Houve uma reunião preparatoria de deputados da maioria, para apresentarem uma proposta de approvação sobre o procedimento do governo a respeito dos ultimos acontecimentos. Paris, 17.— Recebendo a mensagem do corpo legislativo, o imperador agradeceu a firmeza com que foram defendidas as leis fundamentaes, que sustentam o equilibrio dos poderes do estado; accrescentou que o paiz está satisfeito, e receia mais os abusos de liberdade, do que os do poder; que no Mexico está a completar-se a obra de pacificação. Madrid, 19.— Diz-se haver crise ministerial. Julga-se que só um voto do parlamento póde motivar a queda do governo. Niza, 17, à noite.— Czarewitz teve uma forte congestão cerebral. S. Petersburgo, 18.— O Czar acaba de partir para Niza. Paris, 19.— O czar estará em Paris amanhã, e sexta feira em Niza. Niza, 19.— O Czarewitz continua a estar muito mal. Nova York, 8.— O general Sherdan tornou a atacar e derrotou Lee em Arwell. Foram feitos prisioneiros cinco generaes confederados, e tomadas muitas peças de artilharia. O juiz Herolde entrou em negociações de paz com o presidente Lincoln. Turim, 19.— Está terminada a discussão geral sobre as medidas financeiras, apresentadas á camara pelo sr. Sella, ministro da fazenda. Começou a discutir-se o projecto de lei, que tem por fim supprim ir as corporações religiosas.