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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 992
31 notícias

Acontecimentos na Europa

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoAgriculturaCheiasDebates políticosFestas religiosasLivros e publicaçõesMovimentos de tropasNomeaçõesNomeações eclesiásticasReformasVandalismo
Berlim · Madrid · Paris · Viena · Alemanha · Áustria · Espanha · Europa · França · Polónia · Reino Unido · Rússia Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Um dos mesmos, no dia em que em Paris teve logar a festa para os inundados de Murcia, fizeram ruidosa manifestação de agradecimento á França, em frente do palacio do embaixador francez; a manifestação teve caracter politico, e, pelo procedimento da policia, tomaria maiores proporções, se alguns dos mais influentes do partido democrático, não tivessem recommendado socego. Os factos vão corroborando o que temos avançado com respeito á causa da restauração. Eis mais acceita a imprensa um correspondente de Madrid: «Todo Madrid, com excepção dos edificios publicos, amanheceu hontem de gala, por causa da grande festa de Paris, e em muitas janellas viam-se bandeiras francezas e hespanholas entrelaçadas. A illuminação esteve grandiosa. Á ultima hora foi o momento culminante de uma grande confusão. A um dos seus balcões o embaixador francez appareceu, agradecendo em nome do povo francez, e pedindo que o povo se retirasse. Assim se fez. A policia, porém, e outras forças não deixaram de apparecer e de querer dissolver o ajuntamento. A multidão, não querendo dispersar, seguiu cantando a Marselheza até aos cafés de França e de Paris, e depois á redacção do Imparcial, Globo e Liberal, e por fim á Porta do Sol. A policia tentou dissolver o grupo, mas não o conseguindo disparou alguns tiros e accommetteu o povo á cutilada. Das provincias chegam aos centros democráticos de Madrid as mais lisonjeiras noticias de adhesão e de perfeito accordo. Em resultado da oppressão exercida sobre a imprensa, começam a apparecer folhas clandestinas e tudo faz crer que a monarchia não logrará estar por muito tempo de pé.» De Paris temos a noticia da crise ministerial, crise preparada pelo sr. Gambetta, que, digam as folhas conservadoras o que disserem, é a alma da republica franceza. Mr. Jules Grévy, acceitou o facto como resultado d’uma necessidade imperiosa e, depois de ter consultado varios individuos que pela sua importancia mais representavam na actual situação politica, encarregou o sr. Freycinet de organisar novo gabinete. Não estamos, ao que parece, longe d’um serio conflicto entre a Russia e a Allemanha. A este respeito o Tagblatt de Berlim recebeu de Vienna a seguinte importante communicação: «Uma carta dirigida de Cracovia á Bohemia, jornal muito prudente e circumspecto, e por vezes inspirado nas altas regiões, confirma, segundo informações tomadas de origem digna de todo o credito, as noticias a respeito da Russia, que está concentrando presentemente consideraveis forças militares na fronteira occidental, sobretudo na Polonia. Os officiais russos applicam-se particularmente ao estudo da lingua allemã. Os negocios politicos na Turquia e no Afghanistan não correm tão lisonjeiros para os interesses da paz como seria para desejar. Em Constantinopla, ha entre os ministros da velha Turquia a mais tenaz opposição á execução das reformas consignadas no tratado de Berlim, e, posto que os partidos da Joven Turquia, de accordo com os embaixadores estrangeiros, façam altos esforços com o sultão para levar a cabo as reformas politicas e economicas, alias indispensaveis, o facto é que os povos, a quem ellas beneficiariam, continuam sujeitos ao despotismo de ferro, peculiar entre os ottomanos. Ainda ha pouco que em Constantinopla foram condemnados á morte quatro padres musulmanos pelo facto de terem traduzido a biblia; sir Layard, embaixador inglez n’aquella capital, declarou em uma nota ao governo que exigia os seus passaportes se no prazo de tres dias os padres não fossem postos em liberdade.» Basta este facto para se conhecer o principio despótico que preside a todas as deliberações do governo ottomano. São cada vez mais graves as noticias do Afghanistan, onde o general inglez Roberts se acha cercado por numerosas forças das tribus sublevadas contra os inglezes. Roberts está em Sherpur e aguarda reforços. Em todo o Afghanistan se prega a guerra santa contra os inglezes e de dia para dia mais se accentua a desconfiança de que a propaganda revolucionaria é feita sob a influencia moscovita; a ser assim, não estaremos igualmente longe d’uma seria divergencia entre a Grã-Bretanha e a Russia; a esta não lhe esquece a posse de Chypre pelos inglezes e a tentativa por elles feita para implantarem a sua influencia nas provincias turcas na Europa e na Asia; a Inglaterra, ciosa do predominio nas terras conquistadas, tem em mira destruir dessas paragens a influencia moscovita. Esta divergencia, ou por outra, este dualismo, poderá sem duvida ser o germen de gravissimas complicações para o futuro. Por emquanto as questões tratam-se com a penna na mão nos gabinetes dos diplomatas, amanhã poderá muito bem ser que se discutam e se resolvam de espada em punho e de canhões assestados nos campos da batalha.

Madrid, 30

Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPrisões
Madrid · Espanha Exterior / internacional

O rei e a rainha entravam esta tarde, ás 5 e meia horas, a porta do palacio, quando um rapaz de 20 annos, disparou sobre elles dois tiros de pistola, de dois canos, sem que nenhum acertasse nas magestades. Foi immediatamente preso, confessou o crime e declarou chamar-se Francisco Otero Gonzalez Igans, ter sido marceneiro, natural de Nuvia, na Galiza, e residir em Madrid ha algum tempo. Uma das balas, que peza uma onça pouco mais, roçou pelo lacaio. D. Affonso ia guiando o phateon. A outra bala passou rente da cara da rainha.

Parte official

Geral

Novo regulamento do real d’agua.

Mertola

Sociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroCorreioEstacçõesPobres e esmolas
Mértola · Portugal

Foi roubado, sabbado, o correio de Mertola. Os ladrões não tocaram nas malas, mas vasculharam o alforge e os bolsos do pobre conductor, ficando com o pouco dinheiro que encontraram; em seguida amarraram o estafeta de pés e mãos, e do pescoço do desgraçado fizeram estaca para prenderem a cavalgadura.

Odemira

Município e administracção local
Odemira · Portugal

No dia 17 de janeiro vão á praça differentes bens nacionaes no concelho de Odemira.

Publicou

Justiça e ordem públicaCrimes

se a 11.ª caderneta do Amor e Crime.

Districto de Beja

Beja · Portugal Geral

Á junta de inspecção de recrutas, neste districto, foram presentes, no mez de setembro, 18 mancebos; sendo approvados 8, reprovados 9, e 1 ficou em observação.

Publicaram

Geral

se os fasciculos 89 e 90 do Diccionario de Geographia universal.

S. Roque

Geral

Recebemos e agradecemos o Boletim judicial, folha que se publica em S. Roque. Seja bem vindo o novo collega.

Sul e Sueste

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
Caminho de ferro

Na semana finda em 28 de outubro, o caminho de ferro de sueste rendeu rs. 9:366$605, mais 2:232$535 do que em egual periodo do anno passado.

Beja / Evora

Justiça e ordem públicaCrimes
Beja · Évora · Portugal

Foram transferidos o sr. juiz de direito de Beja, Rocha Fradinho, para Evora; e o sr. Andrade, juiz de direito de Evora, para Beja.

Safára / Troviscal / S. João dos Caldeireiros / Torrão

Religião
Torrão · Portugal Igreja

O sr. Adrianno Ferreira Neto, parocho de Safára, foi apresentado na egreja do Troviscal; e o sr. Manoel Ignacio Varella, de S. João dos Caldeireiros, na do Torrão.

Vesperas

Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisSecas

poesias dispersas — por Thomaz Ribeiro; Romances maritimos — A Nau de Viagem — por Francisco Maria Bordallo. O renomado editor portuense, o sr. Ernesto Chardron, acaba de publicar estas duas obras de reconhecido merecimento litterario. Na respectiva secção vae o annuncio.

Economia e comércio

A carne suina, no mercado de domingo, regulou por 3:000 rs. cada 15 kilogrammas.

Elvas / Beja

Beja · Elvas · Portugal Geral

Regressou a força do 17 que guarnecia o forte da Graça, em Elvas.

Beja / Torrão / Villa Nova da Baronia / Portel

Economia e comércioTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesEstradasObras de infraestrutura
Beja · Torrão · Vila Nova · Portugal Caminho de ferro

Foi determinado que a quantia de 905$598 reis, mandada abonar á junta geral de Beja, como subsidio, por parte do estado, para a construcção do lanço da estrada districtal n.º 115 do Torrão a Portel, comprehendido entre o perfil 603 bis do lanço do Torrão a Villa Nova da Baronia (estação do caminho de ferro) e a dita estação, seja elevada a 1:160$793 reis, pelo augmento de 211$195 reis, equivalente a metade da somma das verbas do orçamento supplementar, que se approvou.

Mertola

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgricultura
Mértola · Portugal

O tempo corre favoravel para a agricultura.

Arrancada / Mertola

Mértola · Portugal Geral

Proximo da Arrancada os guardas fiscaes apprehenderam uma grande quantidade de tabaco.

Mertola

Mértola · Portugal Geral

Ha muita gente atacada de pneumonia.

Mertola / Serpa / Safára

Justiça e ordem públicaCrimes
Mértola · Serpa · Portugal

Teem 30 dias de licença: o sr. juiz de direito de Mertola, e o sr. Soares de Azevedo, escrivão da comarca de Serpa.

Aljustrel

Município e administracção local
Aljustrel · Portugal

Foi demettido o administrador substituto do concelho de Aljustrel.

Aldeia Nova / Ficalho

Educacção e instruçãoProfessores
Aldeia Nova · Ficalho · Portugal

O sr. Antonio Rodrigues Rogado, professor de ensino primario em Aldeia Nova, foi transferido, pelo pedir, para Ficalho.

Castro Verde / Beja

Meteorologia e fenómenos naturaisSaúde e higiene pública
Beja · Castro Verde · Portugal

Foi para Castro Verde, procurar allivios, á enfermidade que ha tanto tempo o persegue, o nosso bom amigo, o sr. dr. Ganso d’Almeida.

Beja / Safára / Mertola

Economia e comércioJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCorreioJulgamentos
Beja · Mértola · Portugal

O tribunal de contas deu quitação, pela sua gerencia, no anno economico de 1878-1879, ao fiel do correio de Beja, o sr. José Gomes da Fonseca; ao thesoureiro da alfandega de Safára, o sr. Caeiro; e ao director do correio de Mertola, o sr. Costa.

Paris · França Exterior / internacional · Geral · Islâmico

A empreza editora Serões Romanticos, encontrou o verdadeiro caminho da prosperidade, com a escolha do romance As Doidas em Paris, que está traduzindo para os seus antigos assignantes. Este romance de Montépin, que em Paris conta seis edições, tem aqui tido não menor acolhimento, a avaliar pela concorrência de novas assignaturas. Os nossos parabéns á empreza, que tão dignamente tem sabido corresponder ao favor do publico.

Paliares

Economia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasReligiãoExamesObras religiosasProfessores
Moura · Portugal Correspondência

Paliares, 15 de deziembre de 1879. (Continuado do numero antecedente.) Posterior á la citada fecha de 15 de agusto 1856, la casualidade un dia me proporcionó la adquisicion del documento privado promesa de venta, con el que, en la villa Rosal de la frontera, tuve una entrevista con D. Antonio Orta, que no resultando avenimiento, me dirijí á la villa de Moura para interponer judicialmente la reclamacion de mis derechos. Allí tuve el gusto de conocer y tratar al hoy malogrado defunto y muy ilustrado doutor D. Joaquim Antonio Vidal Degama, quien desempenó su encargo con la honradez, zelo y actividad que nos lega su buena memoria. ¡Séale la tierra ligera! El recurso siguió su tramitacion regular y trascorrido que fueron sobre 7 ó 8 meses, D. Antonio Orta, convencido, sin duda, de las malas condiciones que le ofrecia el negocio, en el mes de julio de 1857, solicitó de mi muy apreciado amigo y defensor, la ocasion de tener una entrevista conmigo, que celebrada esta en 22 de dicho mes y año, quedó terminada la cuestion con cuya fecha se cerró la [ilegível] de rescision ante el escrivano y tabelion el sor Domingo Martin Cardoso. Ignoro la impresion que pudiera haber causado en los ánimos de amigos y familia de Don Antonio la noticia y decision del pleito, que desde aquella época, no me ofrecí á este sor Orta, mas que dificultades, grandes entorpecimentos y exigencias improcedentes, rondas que estaba luchando, hasta el 28 de dbre de 1857 que me presenté á D. Antonio en esta heredad, acompañado de los S.S. D. Antonio Romero y D. Antonio Sanchez naturales y vecinos de Cortegana, para apreciar las mejoras y tierras e condiciones de nuestro contrato. Testigos presenciales fueron estos dos S.S. de la acogida que el sor de Orta nos disimuló, que sin entrar en otro genero de explicaciones, baste con saver no tuvo lugar el aprecio y que despues de haber pronunciado la oposicion del sor Orta, marcharon al dia siguiente 29 para su domicilio en Cortegana, hallándolo yo, en el mismo dia, para la villa de Moura. Informado minuciosamente mi grato amigo y defensor el sor D. Joaquim Antonio Vidal Degama, de las desavenencias ocurridas en el dia anterior en la heredad de Paliares, optó por lo que su elevada imaginacion le dictara, formulando un requerimiento para el Excmo. Juez de derecho, que presentado, ordenó se me diese posesion judicial, lo que tuvo lugar en esta mi heredad de Paliares en el mes de Enero de 1858. ¡Grande publicidad causó esta disposicion en la comarca y de extrañar es, que el sor D. Luis la ignore, cuando tan de cerca le toca! ¿No ha leido D. Luis, en la cuenta gral que le entregara D. Manuel Evangelista una partida que dice: Por los gastos de Escrivano de la Posesion Judicial 6$000 reis, ó será acaso, que dicho sor Evangelista los haya omitido y pagado de su bolsillo? Santos claros D. Luis, las cuentas han estado en su poder y precisamente tiene que haver ocurrido una de las dos cosas, porque la verdad es, que en nuestra liquidacion me han sido abonados los 6$000 reis, importe de los gastos de la posesion judicial, y yo estoy satisfecho, así como dado, si aun pudiera D. Luis repetir aquellas melodiosas palavras de: ¡Es falso, que el sor Caballero desposeyese á mi sor padre de la heredad de Paliares! La excesiva tolerancia de los señores assignatarios a este periódico Bejense, me permitirá continue el examen del comunicado que vengo reparando, que recorrida todas sus lineas, nada dice y solo se trasluce cierta obstinacion, que nos hace recordar las propensiones que en el periodico n.º 985 nos dá a conocer, le son natas á dicho sor, por lo que paremos al segundo del n.º 987. El primer parrafo de este escrito nos revela una sencillez en su descripcion, que á cualquiera que no esté estraviado de su origen, le lisonjea y presta aceptacion. ¡Letra pagable en Moura! ¿No recordais D. Luis, lo que de ella publiqué (y que V. no me ha contrariado) en mi primera correspondencia en este periodico n.º 975? ¿Ha olvidado que en mi segundo escrito en el n.º 982 me afirmaba y ratificava en todas sus partes á lo que dejó denunciado en aquel n.º 975? Esta persistencia de D. Luis, me coloca en el caso de repetirle: La condicion de ser pagadera la letra en Moura, se haya viciada por haberse comprado sin mi conocimiento y autorizacion, constandome desde principios del proximo pasado otbre. quienes fueron las personas que estudiaron tan clandestino pensamiento. En el 2.º parrafo manifiesta su autor, que al presentarme el 30 de agosto en Aldeianova á su padre, entré pidiendole reforma y que estuvo esperando hasta despues de medio dia y no resultando noticia alguna de venirse a pagar la letra, habia salido para Moura a protestarla. Si D. Luis procura escoger medios de herirme y que manden a sus procedimientos, elija entre los de la persuasion y exactitud y se evitará la siguiente contestacion. No es cierto que D. Luis saliese de su casa despues de medio dia para protestar la letra en Moura, pues se cuidó de salir tempranito por temor de no sorprenderse en casa los 15$110 reales. En el dia que D. Luis apresuradamente sale fugitivo de Aldeanova, para no ser capturado por los 15$120 reales, reciví carta (que conservo) del sor Orta Padre de D. Luis, en la que me dice: En la mañana de hoy, salió mi hijo Luis con la letra para Moura para recivir o protestarla; así como tambien varios vecinos le vieron salir en aquella madrugada con direccion a dicho punto. ¡Esto nada dice D. Luis! Y pasemos á la reforma. Tampoco es cierto haya yo pedido reforma como dice D. Luis, y apelo como testimonio, á la conciencia y caballerosidad de los seis individuos, que presenciaron toda mi estada en casa de D. Antonio Orta, cuyos nombres cito como testigos en mi comunicado n.º 975. Esto nada dice D. Luis y pasemos al 3.º parrafo y siguientes de su escrito n.º 987. El 3.º parrafo nada de particular nos revela, si bien son apreciables sus buenas intenciones. El 4.º saluda con urbanidad. El 5.º se constituye Professor aconsejando y enseñando al que no save. (Continua.)

Carta do Porto

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoReligiãoSociedade e vida quotidianaConflitos locaisCostumes e hábitosFestas religiosasLivros e publicaçõesObras religiosasProfessoresTeatro
Paris · Porto · França · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Janeiro de 1880. Cidadão redactor. — Sahiu ultimamente á luz, n’esta cidade, a Gazeta do Realismo, orgão da ultima bohemia, redigido segundo elle diz no café lisbonense, e segundo o meu humilde entendimento, redigido em algum prostibulo. Nem d’outra maneira se póde entender se attendermos á linguagem empregada no tal papel. Da sua leitura deduz-se que foi escripto e publicado por individuos que teem por costume quotidiano chafurdar no bordel. Fallo neste periodico (se é que merece tal nome) para que façam idea de como campeia desenfreada a desmoralisação que já não respeita a sublime invenção do immortal Guttemberg. Tem-se fallado com muita insistencia na demissão do dr. Thomaz Lobo, chefe deste districto e progressista de par sem. S. ex.ª tem-se visto atrapalhado com a questão da testamentaria do conde de Ferreira; segundo lemos n’um jornal o dr. Lobo viu-se ameaçado por alguem que está á frente da administração da misericordia desta cidade e que é interessado em que se esclareça a questão; esse alguem era regenerador. A escripturação da santa casa não está em muito bom pé por este motivo o dr. Lobo, que é como já disse progressista, ameaçou por sua vez o tal alguem regenerador. E assim está a questão: nem para um lado nem para outro. Estes factos tinham muitos commentarios, mas o diminuto espaço d’uma correspondencia não os permitia. Realisou-se no dia 21 de dezembro findo a reunião publica no theatro Baquet, em que o sr. Rodrigues de Freitas, deputado pelo circulo central do Porto, agradeceu aos seus eleitores a honra que d’elle depositaram, conferindo-lhe o seu mandato. O erudito professor discursou largamente aproveitando a occasião para fazer uma resenha dos acontecimentos de Portugal. Não pude assistir á reunião e por isso aqui mesmo declaro que faço obra por informações; isto para evitar inconvenientes. As innundações de Murcia, vão tornando-se uma calamidade geral; depois da festa da imprensa franceza, depois do Paris-Murcia, depois do Murcia-Paris, depois do numero extraordinario de La Ilustracion española e americana, depois dos innumeros espectaculos em beneficio dos innundados, apparece agora o Porto-Murcia publicado pelos srs. Sá d’Albergaria e Sebastião Sanhudo, o primeiro director litterario e o segundo director artistico. Sem nos declararmos contra a lembrança não cremos que ella seja só philanthropia. Quer-nos parecer que leva outra mira, porque ainda não pude esquecer os factos que se deram por occasião das innundações em Portugal em que a maior parte dos philanthropos sonharam com habitos, titulos e commend as. Isto que deixo dito não é mais que uma suspeita minha que desejo muito seja infundada, e que o futuro me convença do contrario. O Congresso operario-socialista que se devia celebrar no mez de janeiro n’esta cidade, ficou addiado para o mez de março. Abriu-se pela primeira vez no Porto, em Portugal, o parlamento operario, instituição destinada á analyse e discussão de todos os assumptos que forem presentes nas duas casas legislativas. Á sessão inaugural presidio o nosso amigo companheiro José Maria Pina e serviram de secretarios Joaquim Pinto de Carvalho e A. A. Bessa Carvalho; ao abrir da sessão em nome dos interesses da classe operaria portugueza, foi lida pelo secretario uma allocução dirigida em nome da mesa a todas as pessoas presentes. A casa onde funccionára o parlamento operario-revolucionario onde teve logar a inauguração, estava modestamente decorada lendo-se em diversos escudos os seguintes lemmas: A união faz a força. A emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos mesmos trabalhadores. Não mais deveres sem direitos, não mais direitos sem deveres. Em outro escudo lia-se a data da inauguração. Na proxima carta enviarei os nomes dos individuos que foram eleitos para presidirem aos trabalhos e irei dando conta das discussões ventiladas. Termino desejando aos leitores, boas festas. Bessa Carvalho.

Bibliographia

Preços
Paris · França Exterior / internacional

As Doidas em Paris. Conforme era de esperar este magnifico romance por Xavier de Montépin que a empreza dos Serões romanticos, de que é proprietario o sr. Haslem, está publicando, tem sido bem recebido pelo nosso publico. Em Paris obteve o romance um brilhante successo; entre nós é de esperar a Serões Romanticos tenha em vista coroar os seus esforços o que é uma vantagem. Ainda se recebem assignaturas e cada fasciculo de cinco folhas custa a módica quantia de 50 reis.

Bibliographia

Justiça e ordem públicaPreçosReligiãoCrimes

O romance Padres e Beatos, por Hector Malot, já está á venda e custa tres mil reis. Compõe-se de seis bellos volumes, nitidamente impressos e illustrados. Está publicado o 1.º volume do romance Amor e Crime, por Fortuné du Boisgobey. Custa brochado 600 reis.

Bibliographia

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Lisboa · Portugal

Diccionario de Geographia Universal, por uma sociedade de homens de sciencia. Está publicado o fasciculo 91, e vae na letra G H A. Cada fasciculo 100 reis. A empreza das Horas Romanticas, Lisboa, que o publica distribuiu o n.º 24 do excellente jornal de familias — A Moda illustrada, e bem assim o fasciculo 294 das Viagens Maravilhosas, por Jules Verne. O romance em publicação, intitula-se — Os Navegadores do seculo XVIII.

Bibliographia

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Lisboa · Porto · Portugal

Jornal de Viagens. Sahiu o fasciculo 30.º d’este curiosissimo e importante semanario geographico, sob a direcção do sr. Emygdio d’Oliveira, que se publica no Porto. Por absoluta falta de espaço não damos o summario. Esta publicação continua a ser bem recebida pelo publico e nem outra coisa era de esperar porque o publico nunca negou a sua valiosa protecção aos bons tentamens. Lisboa. Sebastião J. Baçam.