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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 906
30 notícias

Inaugurou

Arqueologia e patrimónioEducacção e instruçãoExércitoMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaBanda militarBeneficênciaEpigrafiaRuínas e monumentos
Lisboa · Portugal Câmara Municipal · Correspondência · Interpretacção incerta

se, sabbado, no largo das Côrtes, em Lisboa, o monumento ao grande orador liberal José Estevão Coelho de Magalhães. Compareceram os membros das duas casas do parlamento, e a camara municipal de Lisboa. Entregues os cordões que deviam fazer correr a bandeira aos srs. duque de Avila e de Bolama, presidente da camara dos dignos pares, Francisco Joaquim da Costa e Silva, presidente da camara dos srs. deputados, e desvendada a estatua, a banda de infantaria 5 tocou o hymno da carta. O sr. Freixão Coelho, preferindo algumas palavras em honra do celebre orador portuguez, depoz nos degraus do monumento uma coroa de perpetuas com fitas de crepe. A estatua de José Estevão, feita pelo sr. Victor Bastos, é de bronze. O grande orador, vestindo sobrecasaca á franceza, abotoada em dois botões, está de pé, como em posição de orar, com a mão esquerda erguida e a direita apoiada ás costas da cadeira. A cadeira é do feito das de secretaria, e sobre as costas d’ella vê-se um paletot. O pedestal da estatua é singelissimo. Na frente lê-se a seguinte inscripção: AO GRANDE ORADOR JOSÉ ESTEVÃO COELHO DE MAGALHÃES A NAÇÃO PORTUGUEZA. No lado opposto: ERIGIDO POR SUBSCRIÇÃO PUBLICA INICIADA POR UMA COMMISSÃO PARLAMENTAR INAUGURADO EM 4 DE MAIO DE 1878.

Ao sr. commissario de policia

Economia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPreçosFurtos e roubosIndústriaPreços e mercados

São geraes os clamores contra os vendedores de pão e urge tomar providencias. O codigo municipal no seu n.º 27, § 3.º, obriga os padeiros a venderem o pão a peso e elles vendem-no a olho, ou dão 850 grammas, ou 900 o muito, por um kilogramma. Isto é um roubo que não póde nem deve consentir-se por mais tempo. O codigo deixa aos padeiros a liberdade de fabricarem o pão da forma e peso que quizerem, e nisto vae adeante de muitos outros e ainda bem que vae; mas não admittindo elle tolerancia para os farinaceos, é claro que o padeiro não póde deixar de dar o peso exacto que lhe pedirem, e não querendo fazer o contrapeso então que faça o competente desconto no preço. É tambem claro, clarissimo, que determinando o codigo a venda do pão a peso, o vendedor não póde deixar de pesal-o no acto da venda. Ora a maioria dos vendedores de pão nem balança teem! Esperámos que o sr. commissario de policia exerça a mais rigorosa fiscalisação e que a exerça não só nas padarias, mas nas mercearias onde tambem se rouba desaforadamente. Ha casas que dão 400 grammas como equivalente ao antigo arratel! É preciso fazer-se mais alguma cousa do que reprimir cantarolas, e conduzir bebados para a esquadra. Ha outras obrigações policiaes que queremos cumpridas, porque nisso vae o interesse de todos. Desejaremos, se voltarmos ao assumpto, antes louvar que censurar.

Geral

Continuem, pedimos nós aos da ambulancia postal, e elles obsequiadores em extremo, levaram O Bombeiro portuguez e outros periodicos, até Casevel, recebendo-os nós ás oito horas da noite, quando nos deviam ser entregues ás 2 da tarde. Muito obrigados por tamanha fineza.

ALDEIA NOVA / AMOREIRAS

Política e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portarias
Aldeia Nova · Portugal Igreja

Foi declarado sem effeito o decreto pelo qual o presbytero Miguel Antonio da Fonseca, parocho de Aldeia Nova, tinha sido apresentado, na egreja de S. Martinho das Amoreiras.

Vae proceder

Meteorologia e fenómenos naturaisTransportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestruturaPontes
Alcácer · Beja · Portugal

se aos trabalhos necessarios na ponte de Odivellas, na estrada real de Beja a Alcácer, para dar-lhe a vasão necessaria exigida pelas ultimas chuvas.

Religião

Recebemos e agradecemos A Familia, folha moral, religiosa e litteraria. Ao nosso collega desejamos as prosperidades de que é digno.

Justiça e ordem públicaCrimes
Moura · Portugal

Foram transferidos os srs. Cesar Augusto Mendes de Almeida, juiz de direito de Moncôrvo, para a comarca de Moura; e o de Moura, o sr. Antonio Emilio de Sousa Freire Pimentel, para a de Moncôrvo.

Publicou

Geral

se a 12.ª caderneta dos 100:000 francos de recompensa.

Arqueologia e patrimónioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesCorreioDescobertas e achadosEstradas e calçadasJulgamentosObras de infraestruturaRepartições públicas
Câmara Municipal

Nos paços do concelho estão feitas as divisões do tribunal judicial e repartição de fazenda, assentada alguma cantaria das fachadas para a rua do Correio e travessa, e a escada prompta a poder receber a cupula.

BERINGEL

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaAtropelamentosBebedeiras e desordensBeneficênciaCostumes e hábitosDebates políticosGoverno civilMédicos e cirurgiõesObras municipaisTouradasTrovoadas
Beringel · Lisboa · Madrid · Espanha · Portugal Exterior / internacional · Governo Civil · Interpretacção incerta

Começaram, aqui, este anno mais cedo do que o costume, os celebres divertimentos (?) a que chamam touradas, por curiosos. Touradas, note-se bem, ainda que, quasi sempre, o que se vê, não sejam bois de carreta, mas vaccas criadeiras! Domingo, 5 do corrente, teve logar a primeira corrida. Eu, sempre tenho sido contrario a um tal passatempo, porque não só o taxo, no meu fraco entender, de immoral, senão pouco proprio, encarado por todos os lados, entre um povo que já devia gosar alguma cousa das resplandecentes luzes do progresso. Creia v. que não me refiro só a Beringel, que nunca teve praça em forma para touradas, pois que aqui dão-se em qualquer largo, tapando-lhes as bocadas com carros, carretas, etc., etc., aonde o povo atropella para presencear o acto. Refiro-me mesmo a localidades de primeira e segunda ordem, como por exemplo, Lisboa, onde as touradas começam em domingo de paschoa, e duram até outubro o mais, Lisboa; a capital invejada, a terra dos dandys! Mas então que quer? O pensar é livre e não é para admirar que não gostando eu, haja centenas de individuos, cujas influencias só adquam aquella folia, e que estejam a todo o momento a desejal-a. Não fallaremos então em Madrid, e mais terras de Hespanha, que quando se verifica qualquer tourada a praxe estabelecida para dar o devido luzimento á obra, é morrer algum (ou alguns) capinha, cavalleiro, cavallo, ou touro, (o que nunca falta), porque em correndo sangue é que o enthusiasmo chega, porque o sangue nunca os saciou! Aqui houve um bom par de bonecos, e ainda bem, que é para outra vez os precocios não voltarem lá. A maior parte dos dextros curiosos, quando se apresentam já vão perdidos de bebados, e apresentando-se deante de qualquer rez que os investe ligeiramente, os homens que não teem força nos nervos, caem-lhe na unha e adeus. N’isto é que a risada rompe e os enthusiastas glorificam os seus bons feitos! O que não deixou por certo de me admirar, é que sua ex.ª o sr. governador civil, consentindo mais uma vez este divertimento barbaro n’uma terra como Beringel, não ordenasse, visto que ahi já ha um corpo de policia civil, para aqui a marcha de alguns policias para auxiliar o regedor na manutenção da ordem que quasi sempre é alterada. Mas emfim sua ex.ª que o não fez é porque lá se entende. No mesmo domingo á noute, houve, em uma casa, grande desordem entre dois individuos dessa cidade. Os homens parece que jogaram a melhor, pois soccorreram-se segundo me dizem, mutuamente, a ponto de um por um triz, não ficar com um ôlho fóra. Então que tal; isto será o resultado das touradas, ou do vinho que ellas não dispensam? O nosso cirurgião de partido municipal, nunca falta aqui á sua visita ordinaria. O povo que já o conhecia, está cada vez mais satisfeito com elle não só pelas suas maneiras delicadas, mas pelo acerto com que emprega os seus recursos de sciencia nas molestias ainda as mais rebeldes. Tem chovido por aqui alguma cousa, e tambem temos apanhado algum rabicho de trovoada. As cearas se não estão no todo como seria para desejar, tambem não desanimam com o seu aspecto. Até outra vez. Seu C.

Os montados apresentam

Geral

se esperançosos.

ODEMIRA

Município e administracção local
Odemira · Portugal

No dia 25 de junho vão á praça differentes bens nacionaes no concelho de Odemira.

Distribuiu

Geral

se a 6.ª caderneta do Rei dos Mendigos.

Economia e comércioMunicípio e administracção localAgriculturaPecuária
Aljustrel · Portugal

Não é bom o estado dos gados lanigero, suíno e bovino neste concelho e no de Aljustrel.

LOUREDO

Geral

A variola continua fazendo victimas em Louredo.

MOURA

Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordens
Moura · Portugal

Em Moura houve desordem entre um tal careca e Domingos de S. Pedro, ficando este estaqueado. O aggressor evadiu-se.

Educacção e instruçãoEscolasExames

Começaram os exames de admissão aos lyceus.

Economia e comércioAgricultura
Interpretacção incerta

Já começam a apparecer resultados do recenseamento de 31 de dezembro de 77. A população anda por 4 milhões e meio de habitantes no continente e ilhas. O nosso districto é o 15.º em relação á densidade da população. Tem 142:438 almas.

Geral

Choveu durante a semana.

Economia e comércioPreçosPreços e mercados
Espanha Exterior / internacional

Foram approvados os projectos de serviço combinados entre a companhia real dos caminhos de ferro portuguezes e as direcções dos caminhos de ferro do Minho e Douro e sul e sueste, para viagens circulatorias, a preços reduzidos, para os passageiros, provenientes do estrangeiro, excepto Hespanha. A redução é de 40%. Começará no dia 15 do corrente e acabará em 31 de outubro.

Acham

Sociedade e vida quotidianaBeneficência

se vagos os logares de ajudante e d’um amanuense na conservatoria privativa desta comarca, e para o seu provimento vae annuncio no logar competente.

Geral

O digno delegado do procurador regio nesta comarca, o sr. dr. Guerreiro Faleiro, tem trinta dias de licença.

GARVÃO

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaCrimesFeirasMovimentos de tropas
Garvão · Portugal

A feira de Gravão é policiada por uma força de infantaria 17, commandada pelo sr. alferes Cabral, que para ali marchou segunda feira.

Occorrencias policiaes (E. S.)

Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordensPrisões

Dia 3 — Estiveram detidos na esquadra 2 individuos; por insultos 1; por se entremetterem no serviço policial 2; por desordem 2; por estarem jogando jogos de parada 3.

Occorrencias policiaes (E. S.)

ExércitoJustiça e ordem públicaCrimes

Dia 6 — Foi remettido ao ex.mo dr. delegado João Nunes, morador no largo 9 de julho, por injurias feitas a João Augusto, espingardeiro de infantaria n.º 17 e sua mulher Maria da Piedade Nunes.

Occorrencias policiaes (E. S.)

Justiça e ordem públicaCrimes

Dia 7 — Nada.

Occorrencias policiaes (E. S.)

Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordensPrisões

Dia 8 — Estiveram detidos na esquadra por embriaguez 2 individuos.

Occorrencias policiaes (E. S.)

Justiça e ordem públicaPrisões

Dia 9 — Estiveram detidos na esquadra e foram mandados para as suas localidades por se conhecer não terem domicilio certo e serem vadios, dois individuos, e foram remettidos ao ex.mo juiz de direito d’esta comarca Manoel das Dores Aguado e José Antonio Gomes Salgueirinha, por lhe terem sido apprehendidas duas espingardas e não terem a competente licença.

Occorrencias policiaes (E. S.)

Justiça e ordem públicaCrimes

Dia 10 — Nada.

Correspondencias

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Correspondência

Em resposta á declaração que o sr. João Antonio Sirventa, publicou no Jornal do povo, n.º 122, só lhe temos a dizer como socio, que s. s.ª não só não tem responsabilidade alguma dos actos praticados pela sociedade a que pertencia, como tambem não é considerado como socio, desde o dia em que a sociedade, andando de maneira, que os homens de bem repelliam. E s. s.ª entra no numero d’esses homens de bem, não é verdade?!... O sr. Sirventa, sempre tem cousas?!... Não foi s. s.ª que eu despediu, teve ainda mais algumas honras... foi... expulso da sociedade, por todos os seus consocios, e não sabe porquê? Porque... ora adeus o sr. sabe o porquê? Ahi vae um exemplo: Um jardineiro, adora as suas flores, e quando qualquer insecto vae pousar sobre as florinhas, queridas d’aquelle que as alimentou e tractou com tanto desvelo e carinho e quer roubal-lhe a vida, o seu guarda procura todos os subterfugios para que o insecto se aparte. Logo um amigo, quando vê outro subjugado a um capricho, que pode mais tarde ser fatal, deve dissuadil-o e fazer-lhe ver os perigos que o rodeiam; e se o não faz, não cumpre o seu dever nem é amigo verdadeiro. A meio pano, B.