Acontecimentos na Europa
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaCaminho de ferroCasamentosConflitos locaisEstacçõesExplosõesHomicídiosIncêndiosJulgamentosMovimentos de tropasNomeaçõesNomeações eclesiásticasQuartéisQuedasSegurança públicaTransferênciasVisitas pastorais
Promettemos illucidar os leitores ácerca das declarações de D. Carlos e, cumprindo a nossa promessa, vamos transcrever do Figaro o importante artigo que sobre o assumpto escreveu. Eil-o: «Desde hontem que toda a imprensa se occupa de uma combinação politica relativa á reconciliação de D. Affonso com D. Carlos, sendo este reconhecido como infante de Hespanha. Em presença d’este estado de coisas, o Figaro resolveu visitar D. Carlos. O príncipe recebeu-nos com a maior amabilidade, e depois dos cumprimentos do estylo e justificado do fim da nossa visita, disse: “Affirmo do modo mais terminante que não renunciei, nem jamais renunciarei, os meus direitos á corôa de Hespanha. Quando estive no campo da batalha, protestei pela bocca dos meus canhões; hoje não posso fazer o mesmo, porem, do intimo da minha consciencia protesto e protestarei sempre. O meu dever é salvaguardar os meus direitos e os da dynastia que represento, assim como os principios gravados na minha bandeira, que é a da Hespanha. Direi mais que, á parte a questão de legitimidade, e abstrahindo de toda a idéa monarchica, não me é possivel fazer concessão alguma n’este ponto.” E tendo nós supplicado ao duque de Madrid que explicasse o seu pensamento, juntou: “Para mim é evidente que meu primo Affonso não reinará muito tempo: as massas populares em Hespanha são carlistas ou republicanas. Affonso que deve a corôa a um pronunciamento, subiu ao throno, e está amparado por um estado maior que, mais tarde ou mais cedo, tem de desapparecer com elle. Supponhamos que eu tenha a fraqueza ou commetta a cobardia de levar a cabo o acto que se me attribue; que auxilio poderia prestar a meu primo? Seguir-me-hiam acaso os que estão dispostos a verter o seu sangue pela minha causa e que tantas provas me deram da sua dedicação? Certamente não. Nesse caso não faria mais do que succumbir com Affonso, e a republica seria proclamada, porque a minha bandeira em volta da qual se poderiam agrupar todos os partidarios do systema monarchico, em geral, succumbiria na mesma queda. Não me fallem de monarchias estrangeiras porque todos sabem, desde muito, que são impossiveis em Hespanha.” Perguntamos-lhe se o boato do seu reconhecimento teria partido de Vienna. D. Carlos não se explicou n’este ponto, e como envolvessemos nas nossas perguntas o nome do conde de Chambord, disse: “As minhas idéas sobre os meus direitos são absolutas, inteiramente absolutas. Pois bem: eu affirmo que são as de meu tio, o conde de Chambord, que em muitas occasiões declarou que não reconhece senão eu como legitimo rei de Hespanha.” Antes de nos retirarmos, pedimos-lhe a sua opinião sobre a reconciliação de ambos os ramos dos Bourbons de Hespanha, e depois de reflexionar um instante, volveu D. Carlos: “Ninguem mais do que eu deseja essa reconciliação sobre a base da lei semi-salica feita por Philippe 5.º de accordo com as cortes.” O projectado casamento de D. Affonso com a archi-duqueza d’Austria veio semear a discórdia e a confusão no seio dos denominados partidos legaes, isto é, dos proprios monarchicos-affonsinos. Entre a imprensa jogam-se de parte a parte chufas e doestos e poucos são os que pretendem ficar com a responsabilidade dos successos. As folhas do partido conservador tanto de Hespanha como de França esperavam e com o regresso dos communistas a Paris ter occasião de entreter os seus leitores com a descripção de novos disturbios e portanto, preparem-se para cobrirem de doestos a republica. Falharam porem todas as suas esperanças. A primeira remessa de deportados da Nova Caledonia chegou a Paris ás 3 horas da manhã do dia 3 do corrente. Os amnistiados d’esta primeira leva são tresentos e quarenta e seis e na estação do caminho de ferro eram esperados por mais de quinze mil pessoas e não se ouviram gritos subversivos, nem por um só momento se alterou a ordem publica. E assim continuará. A situação e as idéas de hoje não se parecem em nada com as de 1871. Não é facil reproduzir-se outra vez a communa. A questão suscitada entre a Allemanha e o Vaticano e bem assim a posição hostil que a imprensa moscovita tem tomado para com a Russia são assumptos que estão na tela da discussão. A Correspondencia politica, de Vienna diz que o chanceller allemão resolveu terminantemente não travar nem admittir discussão sobre os quatro pontos seguintes: 1.º A lei sobre as corporações religiosas, o que equivale a manter rigorosamente a expulsão dos jesuitas. 2.º A inspecção dos seminarios pelo estado e a necessidade de que o clero catholico curse tambem as universidades. 3.º A obrigação dos bispos darem conta ao poder civil de toda e qualquer nomeação ecclesiastica que façam. 4.º A camara ecclesiastica de Berlim, com jurisdicção sobre os bispos e faculdade de transferi-los ou demitti-los das suas dioceses. As negociações pois para o accordo podem ser consideradas não obstante os esforços empregados para a sua realisação pelos ultramontanos. As acerbas polemicas levantadas de ha muito entre a imprensa russa e a imprensa allemã tem tomado n’estes ultimos dias extraordinaria excitação. O pomo da discórdia é a questão do Oriente e a deficiencia do tratado de Berlim, que sempre considerámos como germen de novas complicações para o futuro. É porem de esperar que a linguagem se modere de parte a parte e mui principalmente com a entrevista dos chancelleres dos dois imperios que ha pouco teve logar e á qual se liga grande importancia. Não quer porem isto dizer que não estamos longe d’uma guerra entre a Allemanha e a Russia. A mais pequena faulha poderá produzir um grande incendio. São importantes as noticias recebidas em Londres ácerca da guerra com os zulus. Os chefes que combatem ás ordens de Cettiwayo parlamentam todos os dias com o general em chefe das tropas britannicas, e quando chega o momento de submetterem-se, segundo promettem, desapparecem para apresentar-se pouco depois a alguns kilometros de distancia do quartel general. Esta situação causa graves embaraços a sir Garnett Wolseley, que não sabe com quem trata, quando mais necessario lhe é fazer a paz para acudir ao Transvaal onde começa a manifestar-se uma grande corrente de emigração para as possessões portuguezas, por que os boers estão descontentissimos com a dominação ingleza. Em Natal não andam as coisas em melhor estado, e urge a reorganisação da colonia. Tudo isto se sabe perfeitamente em Inglaterra onde ha grande inquietação pelo perigo que corre o dominio britannico, e para que as susceptibilidades da imprensa e do publico se acalmem, é que se annuncia quasi diariamente que a paz está proxima. O bispo Colenso, que passou como é sabido, grande parte da sua vida no paiz dos zulus, o que conhece perfeitamente aquellas tribus, escreveu a um dos seus amigos, dizendo-lhe que, depois da victoria de Ulundi, lord Chelmsford teria pedido celebrar um tratado de paz se houvessem sido razoaveis as condições propostas. Accrescenta que sir Garnett Wolseley labora em grande erro se julga que Cettywayo está abandonado pelos seus. Todos se conservam fieis ao seu rei, e qualquer tratado de paz que não seja celebrado directamente com o valoroso chefe nenhuma duração poderá ter. Os recentes successos no Afghanistan trazem preoccupados os espiritos na Grã-Bretanha. Rebentára uma insurreição em Cabul contra os inglezes. Os membros da embaixada ingleza foram assassinados. Estes factos produziram vivissima excitação na India ingleza, d’onde marcham forças sobre Cabul. O emir não adheriu á revolução e pede auxilio ás forças britannicas.
Os successos
Política e administracção do EstadoGoverno civil
Pediu a sua exoneração o governador civil de Lisboa o sr. Daum e Lorena.
Os successos
Corre que vão ser extinctas as secretarias dos quartéis generaes de brigadas.
Os successos
Transportes e comunicaçõesCorreioTelégrafo
A commissão de syndicancia aos correios e telegraphos tem muito adeantados os seus trabalhos.
Os successos
Política e administracção do EstadoGoverno civil
Pediu a demissão o governador civil substituto de Bragança.
Os successos
Foram transferidos os thesoureiros pagadores de Evora e Portalegre.
Os successos
Justiça e ordem públicaCrimes
Pelo ministério das obras publicas foram remettidos ao procurador geral da corôa os documentos que serviram ao estudo das commissões de inquerito á penitenciaria central, e os trabalhos por ellas apresentados, a fim de que o mesmo magistrado, examinando-os e requisitando quaesquer esclarecimentos, faça instaurar as acções civeis e crimes que entenda deverem ser propostas em sustentação dos direitos da fazenda e para desaggravo das leis offendidas.
Os successos
Foram demettidos os administradores effectivos dos concelhos de Mafra e Algodres, e os substitutos de Amarante, Machico, Cantanhede, Figueiró e Setúbal.
Os successos
Installou-se a commissão encarregada dos regulamentos para o serviço aduaneiro.
Parte official
Política e administracção do EstadoDecretos e portariasEleições
Decreto fixando o dia 19 de outubro para a eleição geral.
Parte official
Educacção e instruçãoEscolasExames
Dito, mandando que haja exames em outubro, para os alumnos que destinando-se a escolas superiores faltam um ou mais exames.
Parte official
Economia e comércioPolítica e administracção do EstadoPreçosDecretos e portariasPreços e mercados
Decreto fixando em 240$000 reis o preço das substituições dos recrutas para os effeitos da lei do recrutamento, não prejudicados pelas disposições da lei de 17 de abril de 1879.
Lisboa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoBebedeiras e desordensDebates políticosEleiçõesFeirasLivros e publicações
17-9-79. (Correspondencia particular.) Meu caro redactor. — Tendo ha tempo o centro republicano federal convidado os eleitores do circulo 94 a reunirem-se na sala das sessões do mesmo grupo, afim de resolverem sobre a candidatura do cidadão dr. J. Theophilo Braga, isto é se acceitavam ou não para seu representante no parlamento este cidadão. Como esta iniciativa partiu d’uma proposta apresentada por um membro deste grupo foi posta á discussão. Tomaram a palavra sobre este importantissimo assumpto os cidadãos Figueiredo, Silva, Almeida, Guedes, e outros cujos nomes não tenho presentes; foi este assumpto muito discutido, e tanto assim que os trabalhos d’esta noite versaram unicamente sobre a proposta, e foi, finalmente, submettida á votação que deu um resultado de uma maioria de 53 votos contra o cidadão dr. J. Theophilo Braga, tendo apenas 8 a favor. Estes cidadãos que não acceitaram a candidatura do cidadão dr. J. T. Braga, não foi porque o centro federal lhe tivesse annunciado outro, ou que até mesmo o tivesse escolhido, porque mais tarde o centro resolveu nomear uma commissão para consultar o cidadão dr. J. T. Braga, sobre se queria ou não acceitar a candidatura pelo referido circulo; porem, o centro affectando que marchava de encontro á disciplina do partido, que ordena o maximo respeito ás deliberações das maiorias, retirou a commissão, o que fez muito bem porque respeitando as resoluções tomadas pela maioria respeita a soberania popular, respeita os direitos do povo — respeita-se a si. Foi com esta deliberação que o centro resolveu escolher outro candidato para apresentar ao povo d’aquelle circulo, visto que o primeiro lhe não serve. O escolhido foi como se sabe o cidadão dr. Eduardo Maia, que respeitando o seu collega dr. T. Braga, se recusava a acceitar o suffragio de um grande numero de cidadãos, que de forma alguma podia fazer sem grave prejuizo dos principios, porque nenhum cidadão que esteja no caso d’ir ao parlamento defender os interesses do povo se deve recusar a fazel-o attendendo a este dever, e ás instancias do centro republicano federal o cidadão dr. E. Maia aceitou a candidatura do circulo 94; porem os inimigos dos principios republicanos, logo que lhes constou as resoluções tomadas pelo centro federal, trataram de pôr em pratica os mais torpes manejos para obstar á candidatura do cidadão dr. E. Maia. Porem este cidadão querendo demonstrar a sua lealdade, deliberou convocar um comicio para o qual foram convidados todos os republicanos, ou por outra todos os cidadãos da capital para se proceder a uma nova votação. Este comicio realisou-se no sabbado 11 do corrente, se bem que o seu fim era unicamente para approvar qual dos dois candidatos devia ser proposto; a discussão foi renhidissima e a assembléa por vezes perturbada pelos individuos que inconscientemente servem de instrumento provocador aos inimigos da união republicana, comtudo os cidadãos que presidiam a esta assembléa souberam evitar, com a sua prudencia, a desordem que os outros alli pretenderam estabelecer. O cidadão dr. E. Maia vendo que alguns cidadãos pretendiam evitar que a assembléa procedesse á votação, declarou que desistia da candidatura pelo circulo 94; esta declaração acabou de pôr em relevo a maxima condescendencia e o elevado espirito liberal de que é dotado este cidadão; a commissão eleitoral do centro republicano federal, respondendo á declaração do cidadão dr. E. Maia, tambem declarou que no caso do cidadão dr. E. Maia sustentar a sua resolução de desistencia tinham de immediato de escolher outro candidato, visto que a maioria dos eleitores d’aquelle circulo não acceitavam a candidatura do cidadão dr. J. T. Braga. Em vista desta declaração o cidadão dr. E. Maia novamente se submetteu á vontade dos seus correligionarios, procedendo-se desde logo á votação que foi feita com a maxima liberdade pela parte do centro federal. Entraram na urna 151 votos sendo 17 nullos por serem incomprehensiveis, 58 a favor do cidadão dr. J. T. Braga, e 76 a favor do cidadão dr. E. Maia. Como se vê este cidadão teve uma maioria de 18 votos. Logo que se concluiu a votação foram nomeados pela assembléa os membros para constituir a grande commissão eleitoral. Reuniu na segunda feira 15 do corrente o grande comicio eleitoral convocado pelo centro republicano de Lisboa. Os trabalhos versaram sobre preparativos para a eleição do cidadão Latino Coelho, pelo circulo 98. Em vista de uma calumnia propalada por um periodico que se diz republicano, com respeito á candidatura do honrado decano do partido republicano o cidadão L. Coelho, cabe aqui apontar os nomes dos candidatos monarchicos que se propõem por aquelle circulo, que são o sr. Pinto, pelo partido regenerador e o sr. Frederico Ressano, pelo progressista. Fiquem sabendo os depreciadores mesquinhos que o cidadão Latino Coelho é candidato puramente republicano e não instrumento progressista como o tal jornaleco propalou, nem mesmo o partido progressista precisa do cidadão Latino Coelho para seu instrumento. Consta que o cidadão dr. Theophilo Braga se propõe a candidato socialista por um dos circulos do Porto, onde o partido socialista tem destinado a candidatura para um outro cidadão. M. Bruno.
Carta do Porto
Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesAssociações recreativasBeneficênciaCulto e cerimóniasDebates políticosDescobertas e achadosEleiçõesExamesiluminação públicaLivros e publicaçõesNomeaçõesNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras municipaisObras religiosasProfessoresSessões da câmara
11 de setembro de 1879. No numero da Emancipação correspondente a domingo 31 de agosto findo, vem publicada uma correspondencia de Lisboa, assignada por Chénier, na qual o auctor alludindo á candidatura socialista pelo circulo 94 diz que os progressistas a apresentaram para dividirem os votos dos avançados e para provar isto diz que não se comprehende d’outra maneira a opposição que movem contra o illustre professor do Curso superior de lettras, dr. Theophilo Braga que era quem no parlamento podia melhor advogar os interesses da classe operaria. Permitta-me o desconhecido correspondente que eu ainda que humilde e obscuro lhe rebata a sua asserção. O candidato proposto n’este circulo 94 e a que o sr. Chénier allude não foi apresentado pelos progressistas mas sim pelas associações operarias socialistas de Lisboa que querem d’esta maneira dar uns symptomas da sua vitalidade, guerreando a candidatura do sr. Theophilo Braga porque o sr. Chénier deve saber que o partido socialista não transige com nenhum partido quer monarchico, quer republicano e que se declara opposição franca a todos os partidos existentes; os socialistas não deixarão de reconhecer no sr. Theophilo um grande talento e uma rotunda erudição, mas não é isso caso para que o não guerreiem a eleição, porque elles não fazem guerra a homens, é simplesmente ás idéas. E emquanto a ser o sr. Theophilo Braga o que podia melhor defender no parlamento a classe operaria, não pode ser porque o insigne professor está filiado no partido republicano. Não pode defender os operarios quem está filiado n’um partido que admitte como legal a exploração do trabalho d’um homem por outro, que além de nada produzir que seja util, ainda trata os subordinados com uns modos despóticos e tyrannos; já vê pois o sr. Chénier que se enganou no que disse. Na minha primeira correspondencia disse eu que os socialistas não apresentavam candidato pelo circulo por onde se propuzesse o republicano Rodrigues de Freitas, mas fui mal informado, propõem um operario gravador de Lisboa, cujo nome já dei na correspondencia antecedente. Foi declarado o dia 19 de outubro para se proceder a nova eleição; os trabalhos aqui correm bastante animados; o partido progressista apresenta candidatos os mesmos cavalheiros que representaram esta cidade na camara dissolvida. (Mariano de Carvalho, Adriano Machado, Rodrigues de Freitas.) Houve aqui quem reparasse na teimosia do centro em propôr novamente o illustre portuense e republicano Rodrigues de Freitas, que tão contrario se mostrou ás idéas progressistas do partido, na polemica que encetou com o sr. Luciano de Castro, por occasião da discussão da familia real. O centro regenerador tambem teve reunião mas não apresentou os seus candidatos, limitou-se a nomear a mesa que deve dirigir os trabalhos eleitoraes a qual ficou presidida pelo digno par do reino Francisco José da Silva Torres; á reunião presidiu o conselheiro José Guilherme Pacheco, ex-deputado por Paredes. O dia da lucta está perto; dizem que ha probabilidades de victoria para os regeneradores. Veremos o depois parlamentar. Brevemente verá a luz publica um jornal satirico intitulado O Tam-Tam; no dia 1.º sahirá outro sob o titulo O Espelho. É grande a miseria que aqui existe entre a classe operaria. Os patrões teem reduzido, por effeito da sua ambição desmedida, grande porção de artistas e não lhes podendo dar sahida, aproveitam qualquer pretexto para diminuirem os seus salarios, ou despedirem os trabalhadores. O resultado d’isto é o que todos os dias estamos vendo, infelizmente; nos logares publicos mais concurridos, grupos de artistas que sem trabalho e ao fim de uma lucta cruenta contra a miseria se resolvem a implorar a caridade publica, sem que esta suprema humilhação possa enternecer os corações dos opulentos, modernos negreiros feudaes que unicamente teem por divisa a hypocrisia e a maldade. A maioria dos trabalhadores tem desprezado as associações operarias e por isso soffrem todas as tyrannias que lhes fazem e continuarão a soffrer emquanto não sahirem d’esse lethargo, emquanto estiverem immersos no indifferentismo em que teem estado; a união de todos trazer-lhes-ha a emancipação social. Não se realisou como tinha dito, a reunião dos tecelões no dia 31. Não sei ainda quando será mas creio que não passará do dia 14. No mesmo dia haverá uma reunião eleitoral, para a qual são convidados todos os operarios eleitores, na cima n.º 50 do largo da Fontinha; informarei do que souber. Á redacção do Bejense e aos seus leitores peço desculpa de não ter satisfeito talvez á missão do correspondente; no entanto eu escrevo o que sinto, a minha linguagem é a expressão fiel das minhas convicções. Braz Carvalho.
Aviso da administração
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Sendo grande o atraso em que se acha a cobrança das assignaturas d’este jornal em todas as localidades, fóra da séde da sua publicação, são prevenidos os srs. assignantes, para que se dignem pagar os seus débitos no mais curto periodo, porque caso contrario ser-lhe-ha suspendida a folha. O gerente, A. N. da Silva.
Economia e comércioImpostos comerciais
O serviço d’inspecção e determinação dos impostos de minas nos districtos de Lisboa, Beja e Faro, foi distribuído ao engenheiro o sr. Pedro Victor da Costa Sequeira.
Publicou
se o n.º 18 da Moda illustrada.
Serpa
Economia e comércioTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesFeirasTelégrafo
Abriu terça feira a estação telegraphica de Serpa para todo o serviço. É de serviço limitado, e coube-lhe o n.º 196. É a oitava estação que tem este districto.
Recebemos e agradecemos o 3.º volume das Tragédias de Lisboa.
Beringel
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoTouradas
Houve bastantes contusões e ferimentos na tourada, que teve logar, sabbado, em Beringel.
Sahiu o 1.º n.º da Aurora, folha litteraria, editada pelos srs. Rocha & Ruiz. Desejamos ao novo collega longa e prospera vida.
Ourique / Santa Maria
ReligiãoFestas religiosasNomeações eclesiásticas
O sr. delegado do procurador régio em Ourique, Pinto de Andrade, foi transferido para Ponta do Sor, e o da ilha de Santa Maria, para a comarca de Ourique.
Publicou
Religião
se a 27.ª caderneta dos Padres e Beatos e a 6.ª dos Conspiradores.
Mina de S. Domingos
No primeiro trimestre deste anno, a mina de S. Domingos exportou para Inglaterra 2:935:224 kilogrammas de minério de cobre.
Justiça e ordem públicaJulgamentos
Está soalhada a salla do tribunal judicial.
Ourique
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimesNeve
Foi promovido á segunda classe e collocado em Ourique, o sr. juiz de direito, Neves Pousão.
Publicaram
se os fascículos 150 e 151 do Diccionario popular.
Setúbal
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Está a banhos, em Setúbal, com sua ex.ma familia, o redactor principal d’este jornal, o nosso velho amigo o sr. J. Umbelino Palma.
Exército
Recebemos e agradecemos o plano de estudos da Academia preparatoria para todas as carreiras civis e militares. Ao digno director o sr. D. Manoel Mattos, agradecemos o presente.
Hontem foi curar
Saúde e higiene públicaHospitais
se ao hospital d’esta cidade, um individuo, creado do sr. Fragoso Crujo, em consequencia de uma mula da parelha que guiava lhe despedir uns coices.
Recebemos e agradecemos o Almanach do Seringador e o Grande Seringador.
Fomos presenteados com o Almanach da Praia da Figueira, para 1869-1880. Agradecemos a offerta e recommendamos o livrinho.
Odemira
Educacção e instruçãoJustiça e ordem públicaExamesHomicídios
Crime horroroso. Appareceu assassinado no dia 5 com signaes de strangulação, e suppõe-se que envenenado, junto d’aldeã de S. Theotonio, e estirado dentro d’um poço, um rapaz de 15 annos, que vivia na companhia da mãe, na mesma aldeia. A mãe da victima acha-se amancebada ha annos, e o rapaz tinha alguns meios de fortuna, deixados pelo pai. Correm boatos aterradores sobre a origem da morte dada ao infeliz rapaz. A justiça trabalha em descobrir a verdade. Fez-se autopsia ao cadaver da victima e as visceras foram enviadas para Lisboa, a exame. Oxalá se possa apurar a verdade e punir os criminosos, que tingiram as mãos em tão innocente sangue.
Odemira
Quatro suicidios tem tido logar n’aquella freguezia durante o corrente anno; faltava quasi um homicidio, talvez perpetrado por quem?
Odemira
Economia e comércioFeiras
Esteve pouco animada a feira, que nesta villa costuma ter logar aos dias 13, 14 e 15 do corrente.
Odemira / Gavião / Olhão
Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisCrimesNeve
O ex.mo dr. Bento José da Silva Lima, juiz de direito d’esta comarca, foi transferido para a de Gavião, sendo para aqui promovido o ex.mo dr. Francisco Augusto Neves Pousão, juiz d’Olhão. O ex.mo dr. Pousão gosa das melhores sympathias na comarca de onde vem transferido.
Serpa / Vidigueira
Política e administracção do EstadoGoverno civil
Perante o sr. governador civil d’este districto hão de vender-se no dia 19 de outubro proximo differentes bens sitos nos concelhos de Serpa e Vidigueira.
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras
Quarta feira teve revista o regimento 17 de infanteria.
Infanteria 17 / Forte da Graça / Castello de Vide / Campo Maior
Economia e comércioExércitoAgriculturaMovimentos de tropas
De infanteria 17 partiram hontem para tres destacamentos, que se destinam um ao Forte da Graça, outro a Castello de Vide, e outro a Campo Maior. São commandados por capitães e subalternos.
Bibliographia
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoComércio localEscolasInstrução pública
Do prélo acaba de sair a 11.ª edição do Compendio de Geographia por J. Felix Pereira, para uso das escolas de instrucção secundaria, revista e augmentada com as novas divisões politicas, determinadas pelo tratado de Berlim, que poz termo á guerra do Oriente. A importancia d’esta obra está no successivas edições que tem tido e na competencia do nome do seu auctor que figura, com justiça, ao lado dos que mais teem trabalhado no edificio da regeneração social pelo meio da instrucção. Cabe aqui dizer que o sr. J. Felix Pereira tem no prélo as seguintes obras: Vocabulário usual das linguas portugueza e ingleza, precedido d’um resumo da grammatica ingleza, e seguido d’um amplo glossario dos termos commerciaes. Os Luzíadas do seculo XIX: poema dedicado ao terceiro centenario da morte de Luiz de Camões. Hygiene dietetica pelo dr. Eduard Reich, traducção do allemão.
Bibliographia
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
Os srs. Leite de Vasconcellos e Ernesto Pires, do Porto, empreenderam a publicação do Boletim do Cancioneiro Portuguez, obra que está destinada a ser um brilhante successo. É ardua a tarefa de colligir os trabalhos dos nossos mais notáveis frequentadores do Parnaso e a de compulsar o que ha de mais esplendido dos differentes generos da arte das musas, e por isso são elles sempre bem vindos. O Cancioneiro Portuguez publica-se mensalmente em fasciculos de 32 paginas, formando no fim de cada anno um volume, nitidamente impresso. Cada fasciculo custa em Portugal 100 reis pagos no acto da entrega e no Ultramar e Brazil 140 reis. Está publicado o primeiro fasciculo. Differentes teem sido os cancioneiros que no presente seculo se teem publicado e entre outros citaremos o notavel Cancioneiro alegre, ultimamente dado á luz pelo sr. Camillo Castello Branco; isto, porem, em nada desmerece o trabalho dos srs. Leite de Vasconcellos e Ernesto Pires, porque teem sido incentivo para novos tentamens sempre recebidos com enthusiasmo pelo publico.
Bibliographia
Preços
Historia de Portugal illustrada. Publicou-se o fasciculo n.º 26 d’esta magnifica obra editada pela Empreza litteraria de Lisboa. Alcança as paginas 288 do 2.º volume, confiado á penna do sr. Bernardino Pinheiro. Acompanha-o uma estampa representando Motins populares no reinado de D. Fernando I. Cada fasciculo custa apenas 100 reis o que está ao alcance de todas as bolsas. É correspondente da empreza em Beja o sr. Adrianno Trindade.
Bibliographia
Diccionario de Geographia Universal. Distribuiu-se o fasciculo 84 d’esta importante publicação da acreditada empreza Horas Romanticas. Vae na lettra F. R. A. — Cada fasciculo 100 reis.
Bibliographia
Maravilhas da Creação. Está publicada a folha 22.ª d’esta utilissima publicação que está sahindo sob a direcção do sr. Pedro Posser.
Bibliographia
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Guia do eleitor ou collecção completa da legislação eleitoral. Na imminencia actual, proximo d’uma lucta junto á urna, um livro tão elucidativo como o de que fallamos, não deve ser esquecido. Ninguem por certo deixará de possui-lo, attendendo que, a troco de 600 reis, ficará ao facto do que em tão importante assumpto existe na nossa legislação eleitoral. A correspondencia deve ser dirigida ao sr. A. G. Vieira Paiva, proprietario da livraria do Archivo juridico, [ilegível], 67, Porto.
Aljustrel
Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesCorreioDecretos e portariasGoverno civilVentos fortes
Aljustrel 17 de setembro. A opposição fezim em novembro de 77 ao ex-governador civil, neste concelho, a causa de nos vermos abraçados com um moderno algoz, por espaço de 10 mezes que tanto foi o tempo que aqui serviu de administrador o sr. Figueiredo. E nem podia ter outras consequencias a independencia d’este povo reagir contra a vontade suprema d’um homem, que apregoava aos quatro ventos que o concelho de Aljustrel era seu; que eleitor nenhum tinha outra vontade que não fosse a sua, não podia, repetimos, ter outra consequencia que não fosse a perseguição! Era porem preciso o perseguidor, e o sr. visconde da Boa Vista tendo noticias que em Queirella existia um moderno Telles Jordão, chamou-o para administrador, dando-lhe carta de alforria contra os seus inimigos. As victimas começaram a apparecer no meio alqueire da Luiza Muralhas que tantas vezes mediu farinha para matar a fome ao seu denunciante e a quem o sr. Figueiredo serviu sem contestação alguma, deixando elle ficar os muitos que em Aljustrel existiam, em poder dos que tiram a camisa ao povo; mas como estes eram amigos do governador civil, e o sr. Figueiredo é homem versado, entendeu que a portaria de 3 de março de 1879 era só para os inimigos da auctoridade e deixou em paz e socego os seus amigos... E que quando todos julgavam que elle entraria em si, que elle se envergonharia dos seus proprios actos, foi-se sem se despedir dos seus administrados com excepção dos cumplices na questão do director do correio, como que se aqui houvesse alguem que fosse ao terreiro despedir-se d’elle dizendo-lhe alguma cousa que lhe fizesse ter na memoria para todos os dias da sua vida o concelho de Aljustrel e a administração! Ingrato! nós não te mereciamos isso; tratámos-te melhor do que merece a Deus! mas cada um é o que é... Chega a Queirella e forja contra o director do correio nova accusação, uma vez que a primeira foi morta pelo official da administração; é que elle se esqueceu que tinha isto na correspondencia do n.º passado. José Barão, olha que o Figueiredo tem a hysca ao pé de Vizeu, mas em Aljustrel fartou-se de augaras. [ilegível]